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Urina Função renal RAC

Microalbuminúria (relação albumina-creatinina)

Resumo rápido: A microalbuminúria mede a quantidade de albumina que passa para a urina, comparada com a creatinina da mesma amostra. É um dos primeiros sinais de que o rim está deixando escapar proteína, útil sobretudo no acompanhamento de diabetes e hipertensão.

Material
Urina
Jejum
Em geral não exige
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0 600 mg/g

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É a faixa esperada para a maioria dos adultos saudáveis. Na classificação KDIGO de albuminúria, valores abaixo de 30 mg/g ficam na categoria A1, associada ao menor risco de progressão da doença renal e de eventos cardiovasculares. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.

O que é

A microalbuminúria, hoje chamada com mais precisão de relação albumina-creatinina (RAC), mede a quantidade de albumina na urina em relação à quantidade de creatinina na mesma amostra. Usar essa razão em vez do valor bruto de albumina corrige a diluição da urina, que varia de acordo com quanto você bebeu de água antes da coleta.

Em condições normais, o rim filtra o sangue e retém praticamente toda a albumina, uma proteína grande demais para atravessar os glomérulos saudáveis. Quando essa barreira de filtração começa a ser afetada, mesmo antes de qualquer sintoma, uma quantidade pequena de albumina passa a aparecer na urina.

O termo microalbuminúria vem perdendo espaço na literatura mais recente, que prefere falar em albuminúria moderadamente aumentada, dentro de um sistema de categorias criado pela KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) para classificar a doença renal crônica.

Para que serve

Rastrear doença renal no diabetes

Diretrizes de diabetes recomendam checar a RAC pelo menos uma vez por ano em quem tem diabetes tipo 1 ou tipo 2, porque a alteração renal costuma aparecer antes de qualquer sintoma ou queda na função renal medida por creatinina.

Avaliar risco cardiovascular

Albuminúria aumentada está associada a maior risco cardiovascular, independentemente da causa que a originou, e por isso entra na estratificação de risco junto com outros exames.

Classificar o estágio da doença renal crônica

A KDIGO usa a RAC junto com a taxa de filtração glomerular para definir o estágio da doença renal crônica e orientar a frequência de acompanhamento.

Acompanhar hipertensão

Em quem tem pressão alta, o aumento da albuminúria ajuda a identificar dano renal precoce relacionado à hipertensão, mesmo com a creatinina ainda dentro da faixa normal.

Como é feito e preparo

Coleta

Pode ser feita em uma amostra isolada de urina, colhida em qualquer horário, ou em urina de 24 horas, quando o médico pede uma medida mais completa da excreção diária. A amostra isolada costuma ser preferida por ser mais prática, e o cálculo da relação com a creatinina compensa boa parte da variação que a diluição causaria.

Preparo

Evite exercício físico intenso nas 24 horas antes da coleta, porque ele eleva a albuminúria de forma passageira. Febre, infecção urinária em atividade e menstruação também podem alterar o resultado, e vale avisar sobre qualquer uma dessas situações no pedido do exame. Não é necessário jejum.

Metodologia habitual: Imunoturbidimetria ou nefelometria para dosagem da albumina, com cálculo da relação entre a albumina e a creatinina da mesma amostra (RAC).

Valores de referência

0 600 mg/g
  • Adequado
  • Limítrofe
  • Alto

Deslize a tabela para o lado

Perfil Faixa habitual
Amostra isolada (spot urine) Categorias da classificação KDIGO de doença renal crônica, as mais usadas na prática atual RAC: A1 abaixo de 30 mg/g, A2 de 30 a 300 mg/g, A3 acima de 300 mg/g
Urina de 24 horas Método mais trabalhoso, reservado para situações em que a amostra isolada não é suficiente excreção de albumina: normal abaixo de 30 mg/24h, moderadamente aumentada de 30 a 300 mg/24h, gravemente aumentada acima de 300 mg/24h

Alguns laboratórios ainda usam cortes ligeiramente diferentes por sexo, herdados de estudos mais antigos que definiam microalbuminúria como acima de 17 mg/g em homens e acima de 25 mg/g em mulheres. A KDIGO simplificou esses critérios em um corte único de 30 mg/g para facilitar a classificação da doença renal crônica, e é essa a referência mais usada hoje. Vale conferir qual critério o seu laboratório aplica antes de comparar resultados de exames diferentes.

A1: normal a levemente aumentada

É a faixa esperada para a maioria dos adultos saudáveis. Na classificação KDIGO de albuminúria, valores abaixo de 30 mg/g ficam na categoria A1, associada ao menor risco de progressão da doença renal e de eventos cardiovasculares.

A2: moderadamente aumentada

Corresponde ao que a literatura mais antiga chamava de microalbuminúria. Nessa faixa, o risco de progressão da doença renal e de eventos cardiovasculares já é maior do que na categoria A1, e a KDIGO recomenda confirmar o achado com uma segunda amostra antes de considerá-lo persistente.

A3: gravemente aumentada

Corresponde ao que era chamado de macroalbuminúria ou proteinúria clínica. Valores nessa faixa costumam vir acompanhados de outros exames alterados e pedem investigação da causa, que vai de nefropatia diabética a glomerulonefrites e outras doenças renais.

Resultado alto e resultado baixo

Resultado alto

RAC acima de 30 mg/g pede confirmação: a KDIGO recomenda repetir o exame em duas de três amostras colhidas em um período de três a seis meses antes de considerar a albuminúria persistente, porque fatores passageiros elevam o resultado com frequência.

  • Nefropatia diabética, uma das causas mais investigadas quando há diabetes
  • Hipertensão arterial mal controlada
  • Glomerulonefrites e outras doenças que afetam diretamente os glomérulos
  • Infecção urinária em atividade no momento da coleta
  • Exercício físico intenso nas horas anteriores à coleta
  • Febre e outros quadros inflamatórios agudos

O que pode interferir no resultado

  • Exercício físico intenso nas 24 horas anteriores à coleta
  • Febre ou infecção em atividade
  • Infecção urinária no momento da coleta
  • Menstruação
  • Pressão arterial muito elevada no momento da coleta

Quando procurar ajuda

Leve o resultado ao médico que acompanha seu caso sempre que a RAC vier acima de 30 mg/g, principalmente se você tem diabetes, hipertensão ou histórico familiar de doença renal. Um valor alterado isolado costuma pedir apenas confirmação com nova amostra, mas valores repetidamente altos, ou que vêm subindo em exames sucessivos, merecem investigação sem demora.

Perguntas para levar à consulta

  1. Meu resultado de RAC está na categoria A1, A2 ou A3?
  2. Vale repetir o exame para confirmar antes de investigar mais?
  3. Esse resultado muda o acompanhamento do meu diabetes ou da minha pressão arterial?
  4. Preciso fazer também a taxa de filtração glomerular para completar a avaliação renal?

Perguntas frequentes

Microalbuminúria 40 é grave?

Um valor de 40 mg/g fica na categoria A2, moderadamente aumentada, pouco acima do corte de 30 mg/g. Isoladamente não costuma ser considerado grave, mas pede confirmação com uma segunda amostra antes de assumir que é persistente, porque fatores como exercício físico e febre elevam esse número de forma passageira.

Relação albumina-creatinina alterada em diabético, o que significa?

Costuma indicar que o diabetes já está afetando os pequenos vasos dos rins, um estágio inicial da chamada nefropatia diabética. É por isso que as diretrizes de diabetes recomendam esse exame pelo menos uma vez por ano: a alteração aparece antes de qualquer sintoma.

Microalbuminúria alterada por exercício físico, isso é comum?

Sim. Atividade física intensa nas horas anteriores à coleta eleva a albuminúria de forma temporária, mesmo em rins saudáveis. A orientação costuma ser evitar exercício vigoroso no dia anterior ao exame e, quando o resultado vem alterado nesse contexto, repetir em outra ocasião.

Qual a diferença entre microalbuminúria e proteinúria?

Microalbuminúria mede especificamente a albumina, em quantidades pequenas, geralmente entre 30 e 300 mg/g. Proteinúria é um termo mais amplo, que inclui a albumina e outras proteínas, usado quando a quantidade perdida na urina já é maior, correspondente à categoria A3 da classificação KDIGO.

Microalbuminúria pode dar falso positivo?

Pode. Febre, infecção urinária, exercício físico intenso, menstruação e pressão arterial muito alta no momento da coleta elevam o resultado sem que exista doença renal instalada. Por isso um valor isolado alterado costuma pedir confirmação antes de qualquer conclusão.

Com que frequência repetir a microalbuminúria no diabetes?

A recomendação mais comum é uma vez por ano em quem tem diabetes tipo 1 ou tipo 2, começando alguns anos após o diagnóstico no tipo 1 e já no diagnóstico no tipo 2. Quando o resultado vem alterado, o acompanhamento costuma ficar mais frequente.

Microalbuminúria normal descarta doença renal?

Não descarta sozinha. A RAC avalia um tipo específico de dano renal, ligado à filtração glomerular. A avaliação completa da função renal também inclui a taxa de filtração glomerular estimada a partir da creatinina, e os dois exames juntos dão um quadro mais completo do que a RAC isolada.

Fontes e revisão

  1. KDIGO 2012 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease. Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) , 2013.
  2. The definition, classification, and prognosis of chronic kidney disease: a KDIGO Controversies Conference report. Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO) , 2011.
  3. Standards of Care in Diabetes — Chronic Kidney Disease and Risk Management. American Diabetes Association (ADA) , 2024.

Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame

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