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Glossário do laudo

Hipoecogênico, enantematoso, RDW, cilindros hialinos. Os termos que aparecem nos laudos brasileiros, explicados em linguagem simples. São 70 verbetes.

A

Adenoma

também escrito pólipo adenomatoso, adenoma tubular, adenoma viloso

É um tipo de pólipo formado por células glandulares, identificado no exame do material retirado. Adenoma não é câncer. Ele é acompanhado com atenção porque uma parte pequena desses pólipos pode mudar ao longo de muitos anos, e retirar é justamente o que interrompe esse caminho. O laudo costuma trazer tamanho, quantidade e subtipo, e são esses dados que o médico usa para combinar quando repetir a colonoscopia.

Anecoico

também escrito anecogênico, conteúdo anecoico

É uma área totalmente preta no ultrassom, porque não devolve eco nenhum. Líquido puro se comporta assim, então cistos simples, bexiga cheia e vasos aparecem anecoicos. Quando o laudo descreve uma imagem anecoica de paredes finas com realce atrás, está descrevendo o padrão clássico de cisto simples.

Anisocitose

também escrito anisocitose discreta, hemácias de tamanhos variados

É a descrição de que suas hemácias têm tamanhos diferentes entre si. Quem observa a lâmina escreve isso quando a variação chama atenção, e o número equivalente no hemograma é o RDW. Anisocitose discreta é um achado frequente e pouco específico, comum em quadros de falta de ferro e na recuperação de anemias.

Aparece no campo de observações ou na descrição da lâmina, no fim do hemograma.

Artefato

também escrito artefato de movimento, artefato técnico

É uma imagem falsa criada pelo próprio exame, não por algo dentro de você. Respiração, movimento, gás intestinal, prótese metálica e obturação produzem artefatos. Quando o laudo diz que uma região ficou prejudicada por artefato, está avisando que aquela parte não pôde ser bem avaliada e talvez precise de repetição ou de outro método.

B

Biópsia

também escrito fragmento para exame, anatomopatológico, histopatológico

É a retirada de um pedacinho de tecido para ser examinado no microscópio. Coletar biópsia durante um exame é rotina e não significa que alguém suspeita de algo grave: muitas vezes ela é feita para pesquisar H. pylori ou confirmar uma inflamação. O resultado sai em um laudo separado, dias depois, e é ele que fecha a descrição do tecido.

C

CHCM

também escrito concentração de hemoglobina corpuscular média

Mede o quanto de hemoglobina existe em relação ao volume da hemácia, ou seja, o quão concentrada ela está. É o índice que menos varia no hemograma, então pequenas alterações raramente mudam a conduta de quem pediu o exame. CHCM alto às vezes aparece por hemólise da amostra e não por algo do seu corpo.

Cilindros

também escrito cilindros hialinos, cilindrúria, cilindros granulosos

São estruturas alongadas formadas dentro dos túbulos do rim, que saem inteiras na urina e mantêm o formato do canal. Cilindros hialinos em pequena quantidade são achado comum, principalmente em urina concentrada ou depois de exercício. Outros tipos, como os granulosos e os com hemácias, têm peso diferente e são avaliados junto com creatinina e proteinúria.

Cisto simples

também escrito cisto, formação cística simples

É uma bolsa de líquido com parede fina, contorno regular e conteúdo limpo na imagem. Cistos simples são achados muito comuns em rim, fígado, mama e ovário, e em geral não têm relação com câncer. Quando o laudo acrescenta septos, paredes espessas ou conteúdo denso, o cisto deixa de ser chamado de simples e a avaliação muda.

Correlacionar clinicamente

também escrito correlação clínica, a correlacionar com a clínica

É o recado do radiologista ou do patologista para o médico que pediu o exame: o achado tem mais de uma explicação possível e só faz sentido junto com os seus sintomas, seu exame físico e seus outros resultados. Não é um sinal de dúvida sobre algo grave nem um alerta escondido. Quem escreve o laudo em geral não te examinou, e essa frase reconhece isso.

Costuma fechar a impressão diagnóstica de laudos de imagem.

D

Densidade urinária

também escrito densidade da urina, peso específico

Mede o quanto sua urina está concentrada. Valor alto costuma indicar urina concentrada, típica da primeira urina da manhã ou de pouca ingestão de líquido. Valor baixo aparece quando você bebeu bastante água antes da coleta. Ela ajuda a interpretar os outros itens do exame, porque urina muito diluída pode mascarar achados.

Desvio à esquerda

também escrito desvio para a esquerda, bastonetes aumentados

Significa que a medula está soltando neutrófilos jovens, chamados bastonetes, no sangue. O nome vem da forma antiga de organizar as células no papel, da mais jovem à esquerda para a mais madura à direita, e não tem relação nenhuma com o lado do seu corpo. Costuma acompanhar infecções bacterianas e inflamações agudas.

Difuso

também escrito difusa, alteração difusa, espalhado

Quer dizer que a alteração está espalhada por todo o órgão, sem um ponto específico. Gordura no fígado, por exemplo, costuma ser descrita como alteração difusa. É o oposto de focal, e a diferença importa: alterações difusas apontam para processos que atingem o órgão inteiro, enquanto as focais chamam atenção para um ponto.

Divertículo

também escrito divertículos, doença diverticular, diverticulose

São pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, como dedos de luva virados para fora. São muito frequentes com o passar dos anos e, na maioria das pessoas, não causam sintoma nenhum. O laudo costuma registrar onde estão e em que quantidade.

E

Ectasia

também escrito ectasiado, dilatação, ectásico

É a dilatação de uma estrutura tubular, como um vaso, um ducto ou o ureter. O laudo usa a palavra quando o diâmetro medido passa do esperado para aquele lugar. O significado depende inteiramente de onde está e do quanto está dilatado, então esse é um termo que precisa da leitura de quem pediu o exame.

Enantematoso

também escrito enantema, mucosa enantematosa, gastrite enantematosa

Descreve uma mucosa avermelhada vista pela câmera. Na endoscopia, gastrite enantematosa é uma das frases mais comuns e significa que o estômago estava com aspecto irritado naquele momento. É uma impressão visual, e muita gente com essa descrição não sente nada. Quem definiu se existe inflamação de fato é a biópsia, quando ela foi feita.

Eosinofilia

também escrito eosinófilos aumentados, eosinófilos altos

São os eosinófilos, um tipo específico de glóbulo branco, acima do esperado. Duas situações puxam esse número com frequência: quadros alérgicos, como rinite e asma, e algumas parasitoses intestinais. Reações a medicamento também entram na lista. O valor costuma ser interpretado junto com sua história, não isolado.

Erosivo

também escrito erosão, gastrite erosiva, erosões

Erosão é uma falha rasa na camada mais superficial da mucosa, mais superficial que uma úlcera. O laudo costuma dizer quantas erosões havia e onde estavam. Anti-inflamatórios, álcool e a bactéria H. pylori aparecem com frequência nessa conversa, e é o médico que investiga a causa no seu caso.

Escala de Boston

também escrito Boston, BBPS, preparo intestinal

É a nota que o examinador dá à limpeza do intestino durante a colonoscopia. Cada um dos três segmentos recebe de 0 a 3, e o total vai de 0 a 9. Pontuação baixa quer dizer que restos de fezes atrapalharam a visão, o que reduz a confiança do exame e pode levar a repetir antes do prazo previsto.

Vem no início do laudo de colonoscopia, junto com a descrição do preparo.

Esofagite

também escrito esofagite de refluxo, esofagite erosiva, classificação de Los Angeles

É a inflamação do esôfago vista na endoscopia. Quando vem do refluxo, o laudo costuma classificar em graus A, B, C ou D pela classificação de Los Angeles, do mais leve ao mais extenso. Grau A é o mais brando e bastante comum. O tratamento é sempre definido em consulta.

Espessamento

também escrito parede espessada, espessado, espessamento parietal

Significa que a parede de uma estrutura oca está mais grossa que o habitual, medida em milímetros pelo exame. Aparece em descrições de vesícula, intestino, bexiga e endométrio. Inflamação e contração do órgão no momento do exame podem produzir esse aspecto, e vesícula examinada fora do jejum costuma parecer espessada sem que haja doença.

Esteatose hepática

também escrito gordura no fígado, fígado gorduroso, infiltração gordurosa

É o acúmulo de gordura dentro das células do fígado, descrito no ultrassom quando o órgão fica mais claro que o rim vizinho. O laudo costuma graduar em leve, moderada ou acentuada, e essa graduação é visual, portanto varia entre examinadores. É um achado frequente e reversível em muitos casos, e o seguimento costuma envolver exames de fígado e avaliação de peso, álcool, glicemia e colesterol com quem acompanha você.

F

Falso negativo

também escrito resultado falso negativo

É quando o exame dá resultado normal em quem tem a condição. Coleta muito cedo, antes de o corpo produzir anticorpos, uso recente de medicamento e amostra insuficiente são causas conhecidas. É por isso que um exame normal não encerra a investigação quando os sintomas continuam apontando para outro lado.

Falso positivo

também escrito resultado falso positivo

É quando o exame acusa alteração em quem não tem aquela condição. Acontece por reação cruzada com outros anticorpos, por interferentes na amostra e, sobretudo, quando um teste é aplicado em pessoas com baixa chance de ter a doença. Por isso vários exames de triagem pedem confirmação por um segundo método antes de qualquer conclusão.

Flora mista

também escrito flora bacteriana mista, crescimento polimicrobiano

É o resultado de urocultura em que cresceram várias bactérias diferentes, em geral em pouca quantidade. Isso aponta mais para contaminação da amostra durante a coleta do que para infecção verdadeira, já que a infecção urinária costuma ser causada por uma única bactéria. O caminho habitual é repetir a coleta com higiene e jato médio.

Focal

também escrito lesão focal, alteração focal, foco

Descreve uma alteração limitada a um ponto do órgão, com o resto do tecido de aparência normal. Lesão focal é um termo guarda-chuva que inclui cistos, hemangiomas, nódulos e várias outras coisas, boa parte delas benigna. A palavra localiza o achado, não define o que ele é.

H

HCM

também escrito hemoglobina corpuscular média

É a quantidade média de hemoglobina dentro de cada hemácia. Costuma acompanhar o VCM: hemácias menores em geral carregam menos hemoglobina, e o laudo descreve isso como hipocromia. O número isolado diz pouco, ele ganha sentido junto com hemoglobina, VCM e RDW.

Hemangioma

também escrito hemangioma hepático, imagem sugestiva de hemangioma

É um emaranhado de vasos sanguíneos, o achado benigno mais comum do fígado. Costuma ser descoberto por acaso em ultrassom feito por outro motivo, aparece como uma imagem hiperecogênica bem delimitada e na maioria das vezes não cresce nem causa sintoma. Quando a aparência não é típica, o médico pode pedir tomografia ou ressonância para confirmar.

Hematócrito

também escrito Ht, HCT

É a porcentagem do seu sangue ocupada pelas hemácias. Se 42% do volume é hemácia, o hematócrito é 42. Ele sobe e desce junto com a hemoglobina, e sofre influência de hidratação: quem está desidratado no dia da coleta pode ter um valor um pouco mais alto do que o habitual.

Aparece na primeira parte do hemograma, ao lado de hemácias e hemoglobina.

Hematúria

também escrito sangue na urina, hemácias na urina, hematúria microscópica

É a presença de hemácias na urina. Microscópica quer dizer que só aparece no exame, sem mudar a cor. As causas vão de infecção e cálculo renal a menstruação no dia da coleta ou exercício intenso na véspera. Um resultado isolado costuma ser repetido antes de qualquer investigação maior.

Hemólise

também escrito amostra hemolisada, soro hemolisado

É o rompimento das hemácias com liberação do conteúdo delas no líquido da amostra. Quando isso acontece dentro do tubo, por dificuldade na coleta ou transporte, alguns resultados ficam falsamente alterados, como potássio e algumas enzimas. O laboratório costuma avisar no laudo e pedir nova coleta. Hemólise dentro do corpo é outra situação, e nesse caso ela é o achado a ser investigado.

Hérnia de hiato

também escrito hérnia hiatal, hérnia de hiato por deslizamento

É quando uma parte do estômago sobe pela abertura do diafragma por onde passa o esôfago. Hérnias pequenas são achado comum na endoscopia e muitas vezes não provocam sintoma. Quando existem sintomas, costumam ser azia e refluxo, e a conduta é decidida em consulta, não pelo laudo.

Hiperdenso

também escrito hiperdensa, imagem hiperdensa, área hiperatenuante

Na tomografia, é uma área mais clara que o tecido vizinho porque absorve mais raios X. Cálcio, osso, sangue recente e contraste iodado costumam ter esse aspecto. O radiologista compara com a densidade medida em unidades Hounsfield para dizer do que provavelmente se trata.

Hipersinal

também escrito hiperintenso, alto sinal, hipersinal em T2

Na ressonância, é uma área que aparece mais clara em determinada sequência de imagens. O mesmo ponto pode ter hipersinal em uma sequência e hipossinal em outra, e é essa combinação que o radiologista usa para descrever o achado. Isolada, a palavra não indica gravidade: água, gordura, inflamação e sangue em fases diferentes podem produzir hipersinal.

Aparece com a sigla da sequência ao lado, como T1, T2 ou FLAIR.

Hipoecogênico

também escrito hipoecoico, área hipoecogênica, imagem hipoecogênica

No ultrassom, é uma área que devolve menos eco que o tecido ao redor e por isso aparece mais escura na tela. É uma descrição de aparência, não de doença: cistos, nódulos benignos e áreas de inflamação podem ser hipoecogênicos. O que importa para quem pediu o exame é o conjunto: tamanho, contorno, localização e o que mais o laudo descreve.

Frequente em laudos de ultrassom de tireoide, mama, fígado e rins.

I

Imunoensaio

também escrito quimioluminescência, ELISA, eletroquimioluminescência

É a família de métodos que usa anticorpos para encontrar e medir uma substância no sangue. A maioria dos hormônios, marcadores e sorologias é dosada assim. Métodos diferentes dão números um pouco diferentes para a mesma amostra, e é por isso que comparar exames feitos em laboratórios distintos pode confundir. Para acompanhar um valor ao longo do tempo, o ideal é manter o mesmo laboratório.

Incidentaloma

também escrito achado incidental, lesão incidental

É uma alteração encontrada por acaso, em um exame pedido para investigar outra coisa. Acontece bastante em adrenal, rim, tireoide e fígado, e a maioria desses achados é benigna e não causa sintoma. Encontrar não é o mesmo que ter uma doença, mas também não é motivo para ignorar: o passo seguinte, quando existe, é definido por quem pediu o exame, e costuma ser repetir a imagem em um intervalo combinado.

Interferentes

também escrito interferência analítica, fatores interferentes

São situações que alteram o resultado sem que nada tenha mudado no seu corpo. Entram nessa lista amostra hemolisada, sangue muito lipêmico depois de refeição gordurosa, alguns medicamentos, suplementos como biotina em dose alta e até o horário da coleta para hormônios. Quando um resultado destoa demais do quadro, checar interferentes e repetir o exame costuma ser o primeiro passo.

J

Jejum

também escrito jejum de 8 horas, em jejum

É o tempo sem comer antes da coleta, contado a partir da última refeição. Água costuma ser liberada. Nem todo exame exige jejum hoje em dia, e a exigência varia de laboratório para laboratório. Se você comeu sem querer antes de um exame que pedia jejum, avise no atendimento em vez de deixar passar: alguns resultados mudam bastante depois de uma refeição.

L

Leucócitos por campo

também escrito leucócitos p/campo, células por campo, p/c

É a forma de contar células na urina observada no microscópio: quantas aparecem em média em cada campo de visão da lente. Por isso o laudo traz algo como 5 a 10 por campo. A faixa considerada normal muda de laboratório para laboratório e conforme o método, então use a referência impressa no seu resultado.

Leucocitose

também escrito leucócitos aumentados, leucócitos altos

É o total de glóbulos brancos acima da faixa do laboratório. Acontece em infecções, mas também depois de exercício intenso, em estresse físico, em quem usa corticoide e em vários processos inflamatórios. O número sozinho não diz a causa: quem pediu o exame vai olhar qual tipo de célula subiu e o que você está sentindo.

Leucopenia

também escrito leucócitos baixos, leucócitos diminuídos

É o total de glóbulos brancos abaixo da faixa do laboratório. Infecções virais comuns derrubam esse número por alguns dias, e alguns medicamentos também. Existem pessoas que mantêm leucócitos naturalmente mais baixos a vida inteira sem nenhuma doença por trás. A avaliação depende de quanto está baixo, de quais células caíram e de repetição do exame.

M

Metaplasia intestinal

também escrito metaplasia, metaplasia intestinal gástrica

É a troca do revestimento habitual do estômago por um tecido parecido com o do intestino, vista na biópsia. Costuma ser resposta a uma irritação longa da mucosa, com a infecção por H. pylori entre as causas mais estudadas. Metaplasia não é câncer nem lesão pré-cancerosa inevitável: ela é uma alteração que pede acompanhamento, e o intervalo desse acompanhamento depende da extensão descrita e da avaliação do seu médico.

N

Neutrofilia

também escrito neutrófilos aumentados, neutrófilos altos

São os neutrófilos, o tipo mais numeroso de glóbulo branco, acima do esperado. É o padrão que costuma acompanhar infecções bacterianas e inflamações agudas. Também sobe com corticoide, com atividade física pesada e mesmo com estresse importante nas horas antes da coleta.

Nitrito positivo

também escrito nitrito, nitrito na urina

A fita de urina detecta nitrito quando algumas bactérias transformam o nitrato presente na urina. Positivo aponta para bactéria, e costuma reforçar a suspeita de infecção urinária. Nitrito negativo não descarta infecção, porque nem toda bactéria produz nitrito e a urina precisa ficar horas na bexiga para a reação acontecer.

Nódulo

também escrito formação nodular, imagem nodular, nodulação

É uma área com aparência diferente do tecido em volta, delimitada o bastante para ser medida e descrita. Nódulo é uma descrição de forma, não um diagnóstico, e a maioria dos nódulos encontrados em tireoide, fígado, mama e rim é benigna. O que orienta a conduta são as características descritas no laudo, o tamanho, sua idade e sua história, e essa leitura é de quem pediu o exame. Leve o laudo completo, não só a palavra.

Aparece em ultrassom, tomografia, ressonância e mamografia.

P

Parênquima

também escrito parênquima hepático, parênquima renal, parenquimatoso

É o tecido que faz o trabalho do órgão, em oposição à estrutura que o sustenta e aos vasos. Parênquima hepático é a parte do fígado formada pelas células que processam o sangue; parênquima renal é a parte do rim que filtra. Quando o laudo diz que o parênquima está homogêneo e de espessura preservada, está dizendo que essa parte tem aparência habitual na imagem.

Piúria

também escrito leucocitúria, piócitos aumentados

É a presença de glóbulos brancos em quantidade aumentada na urina. Aparece em infecção urinária, mas também em inflamações do trato urinário sem bactéria e em amostras mal colhidas, com contaminação da região genital. Quem confirma infecção é a urocultura, não o exame de urina sozinho.

Plaquetopenia

também escrito trombocitopenia, plaquetas baixas

São plaquetas abaixo da faixa do laboratório. As plaquetas participam da coagulação, então valores muito baixos podem se manifestar como manchas roxas fáceis ou sangramento de gengiva. Uma causa comum de susto é a plaquetopenia falsa, quando as plaquetas se agrupam dentro do tubo e o aparelho conta menos do que existe. Nesse caso o laboratório costuma repetir a contagem em outro tubo.

Pólipo

também escrito pólipos, formação polipoide, polipectomia

É uma saliência de tecido que cresce para dentro do intestino ou do estômago, parecida com uma verruga interna. Pólipos são achados comuns em colonoscopia, sobretudo depois dos 50 anos, e existem vários tipos com comportamentos diferentes. Quando são retirados durante o exame, o material vai para análise, e é o resultado dessa análise que define o tipo e o intervalo do próximo exame.

Ponto de corte

também escrito cut-off, limiar, valor de corte

É o número escolhido para separar resultado positivo de negativo, ou alterado de normal. Ele vem de estudos e de convenção, não de uma fronteira natural do corpo, então valores logo acima ou logo abaixo do corte significam quase a mesma coisa na prática. Alguns exames têm ainda uma zona indeterminada perto do limiar, e nela o laboratório costuma sugerir repetir depois de algumas semanas.

Proteinúria

também escrito proteínas na urina, albuminúria

É a presença de proteína na urina acima do normal. Os rins seguram proteína, então encontrar quantidade relevante levanta a hipótese de que o filtro está deixando passar. Febre, exercício intenso e ficar muito tempo em pé podem causar proteinúria passageira, sem doença renal por trás. Quando o achado se repete, o médico costuma pedir exames que quantificam melhor.

R

RDW

também escrito red cell distribution width, amplitude de distribuição das hemácias

Mostra o quanto suas hemácias diferem de tamanho entre si. RDW alto significa que existem hemácias pequenas e grandes convivendo na mesma amostra, o que o laudo pode chamar de anisocitose. Esse achado aparece cedo em situações de falta de ferro e também em quem está se recuperando de uma anemia.

Reagente e não reagente

também escrito reagente, não reagente, não detectável, positivo e negativo

São as palavras usadas em testes que respondem sim ou não, sobretudo em sorologias. Reagente quer dizer que o teste encontrou o que procurava naquela amostra; não reagente, que não encontrou em quantidade suficiente para ser detectada. Nenhum dos dois é definitivo sozinho: existe janela imunológica, existe reação cruzada e alguns resultados pedem um segundo teste confirmatório.

Restrição à difusão

também escrito difusão restrita, restrição na difusão, DWI

É uma sequência da ressonância que mede o quanto as moléculas de água conseguem se mover dentro do tecido. Quando esse movimento está limitado, o laudo fala em restrição. O achado é usado em vários contextos, do AVC recente a abscessos e a alguns tumores, então ele só ganha significado dentro do conjunto do exame e do motivo pelo qual você o fez.

Reticulócitos

também escrito contagem de reticulócitos

São hemácias recém-saídas da medula óssea, ainda jovens. A contagem mostra o ritmo de produção: valores altos indicam medula produzindo bastante, o que aparece depois de sangramento, em hemólise ou em resposta a tratamento de anemia. Valores baixos em quem está anêmico apontam para uma produção que não está acompanhando a necessidade.

S

Sem alterações

também escrito dentro dos limites da normalidade, sem alterações significativas, aspecto habitual, normal

É a forma cuidadosa de dizer que o exame não encontrou nada fora do esperado. Aspecto habitual, dentro dos limites da normalidade e sem alterações significativas querem dizer a mesma coisa. Esse tipo de frase é limitada ao que o método consegue ver: um exame normal não descarta tudo, apenas mostra que aquilo que ele avalia estava dentro do esperado no dia.

Sensibilidade e especificidade

também escrito sensibilidade, especificidade

São as duas medidas de desempenho de um exame. Sensibilidade é a capacidade de detectar quem tem a condição, então um teste muito sensível deixa poucos casos passarem e serve bem para triagem. Especificidade é a capacidade de dar resultado negativo em quem não tem, então um teste muito específico erra pouco quando acusa positivo. Nenhum exame chega a 100% nas duas, e é por isso que o resultado é lido junto com a sua história.

Soro e plasma

também escrito soro, plasma, amostra de soro

São as duas partes líquidas do sangue usadas nos exames. O plasma vem de um tubo com anticoagulante e mantém as proteínas da coagulação. O soro vem de um tubo em que o sangue coagulou primeiro, e é o líquido que sobra depois. Alguns exames só podem ser feitos em um dos dois, e é por isso que a coleta usa tubos de tampas diferentes.

T

Título de anticorpos

também escrito titulação, título 1/80, sorologia com título

É o resultado escrito como uma diluição, no formato 1/40, 1/160 e assim por diante. Significa até quanto a amostra pôde ser diluída sem parar de reagir. Quanto maior o número embaixo, mais anticorpo havia. Comparar dois títulos só faz sentido quando os exames foram feitos pelo mesmo método, e uma variação de um degrau costuma ser considerada pouco significativa.

Trombocitose

também escrito plaquetas altas, plaquetose

São plaquetas acima da faixa de referência. Na maior parte das vezes é reativa, ou seja, acompanha uma inflamação, uma infecção recente, falta de ferro ou o período depois de uma cirurgia. Nesses casos o número tende a normalizar quando a causa passa. Valores muito altos e persistentes pedem investigação de quem acompanha você.

U

UFC/mL

também escrito unidades formadoras de colônia, UFC por mL

É a contagem de bactérias que cresceram na urocultura, em unidades formadoras de colônia por mililitro. Cada colônia veio de uma bactéria viva na amostra. Contagens altas de uma única bactéria pesam a favor de infecção; contagens baixas ou com várias espécies costumam apontar contaminação. O ponto de corte muda conforme sexo, sintomas e forma de coleta, e quem interpreta é o médico.

Unidades Hounsfield

também escrito UH, HU, densidade em UH

É a escala que a tomografia usa para medir densidade. Água vale zero, ar fica perto de 1000 negativo e osso passa de 1000 positivo. Quando o laudo escreve que uma lesão tem densidade de água, está usando essa medida para sugerir que o conteúdo é líquido, o que ajuda a diferenciar cisto de outras coisas.

V

Valor de referência

também escrito faixa de referência, valores normais, VR

É a faixa em que se encontra a maior parte das pessoas saudáveis medidas por aquele laboratório, com aquele método. Não é uma fronteira entre saúde e doença: por definição, uma parcela de gente saudável fica fora dela. A faixa também muda com idade, sexo, gravidez e metodologia, e é por isso que dois laudos podem ter referências diferentes para o mesmo exame. Use sempre a que está impressa no seu resultado.

VCM

também escrito volume corpuscular médio, V.C.M.

É o tamanho médio das suas hemácias. VCM baixo significa hemácias menores que o esperado, algo que aparece com frequência na investigação de falta de ferro. VCM alto significa hemácias maiores, situação que costuma ser avaliada junto com vitamina B12 e ácido fólico. Sozinho ele não fecha nada, apenas indica por onde continuar a investigação.

Fica na parte da série vermelha do hemograma, perto de HCM e CHCM.