Exames de sangue
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O sangue carrega informação sobre quase todos os sistemas do corpo, e é por isso que a maioria dos pedidos de exame começa por aqui. Uma única coleta permite avaliar produção de células, reserva de ferro, açúcar circulante, gorduras, função do fígado e dos rins.
Cada marcador desta seção tem uma página com o que ele mede, por que costuma ser pedido, o que altera o resultado e o que fazer com um valor fora da faixa.
Ferritina
A ferritina é a proteína que guarda ferro dentro das células. No sangue, ela funciona como um termômetro das suas reservas de ferro: valor baixo costuma indicar reserva reduzida, valor alto pode significar excesso de ferro ou inflamação.
Hemograma completo
O hemograma completo analisa as três linhas de células do sangue: hemácias, leucócitos e plaquetas. É um dos exames mais pedidos na rotina médica e costuma ser o ponto de partida para investigar anemia, infecção e alterações da coagulação.
Colesterol total
CTO colesterol total é a soma do colesterol carregado por todas as lipoproteínas do sangue. Ele mostra o volume, não a distribuição: duas pessoas com o mesmo valor podem ter riscos bem diferentes, dependendo de quanto está no LDL e quanto está no HDL.
Ferro sérico
O ferro sérico mede a quantidade de ferro circulando no sangue no exato momento da coleta. É um valor que oscila bastante ao longo do dia, então costuma ser interpretado junto com a ferritina e a transferrina, nunca sozinho.
HDL colesterol
HDL-cO HDL é a lipoproteína que retira colesterol dos tecidos e o devolve ao fígado. Neste exame a direção se inverte: quem chama atenção é o valor baixo, abaixo de 40 mg/dL, e não o alto. Ele é lido como marcador de risco, não como alvo de tratamento.
Transferrina
A transferrina é a proteína que transporta o ferro pelo sangue. Sozinha, mostra a capacidade de transporte do organismo; dividida pelo ferro sérico, dá origem à saturação de transferrina, um dos exames mais úteis para diferenciar falta de ferro de sobrecarga.
LDL colesterol
LDL-cO LDL transporta colesterol para os tecidos e é a partícula que se acumula na parede das artérias. Ao contrário dos outros exames, ele não tem faixa normal universal: tem meta, e a meta muda conforme o risco cardiovascular de cada pessoa, de menos de 130 a menos de 50 mg/dL.
Triglicerídeos
TGOs triglicerídeos são a principal forma de gordura circulante e de reserva do corpo. É o exame do perfil lipídico que mais muda com a última refeição, por isso o valor desejável é diferente com jejum, abaixo de 150 mg/dL, e sem jejum, abaixo de 175 mg/dL.
Glicemia de jejum
A glicemia de jejum mede a quantidade de glicose circulando no sangue depois de um período sem se alimentar. É o exame mais usado para rastrear e diagnosticar diabetes e pré-diabetes. Um valor isolado fora da faixa não fecha diagnóstico sozinho; a confirmação costuma depender de repetir o exame ou associar outros critérios.
Proteína C reativa
PCRA proteína C reativa é produzida pelo fígado em resposta a inflamação e sobe em poucas horas. É um marcador inespecífico: mostra que existe inflamação, não onde nem por quê. A versão ultrassensível é o mesmo exame com sensibilidade maior, usada para estimar risco cardiovascular.
TGO (AST)
TGOA TGO, também chamada de AST, é uma enzima presente no fígado, nos músculos e no coração. Um valor alto não aponta uma causa única: pode vir do fígado, de um esforço físico recente ou de outro tecido lesionado, e por isso quase sempre é lido junto com a TGP.
Vitamina B12
A vitamina B12 participa da produção das hemácias e do funcionamento do sistema nervoso. Níveis baixos podem causar anemia e alterações neurológicas, às vezes antes de aparecerem no hemograma.
Ácido fólico
O ácido fólico, ou folato, é necessário para a produção de hemácias e para a formação do sistema nervoso do feto na gestação. Níveis baixos aparecem na anemia macrocítica e, antes ou no início da gravidez, aumentam o risco de má-formação do tubo neural.
Hemoglobina glicada
HbA1cA hemoglobina glicada, ou HbA1c, mostra a média da glicose no sangue nos últimos dois a três meses. Diferente da glicemia de jejum, não exige jejum e reflete um período mais longo, o que a torna um dos exames centrais no diagnóstico e no acompanhamento do diabetes. Anemias e alterações da hemoglobina podem distorcer esse resultado.
TGP (ALT)
TGPA TGP, ou ALT, é a enzima hepática mais específica pedida em exames de rotina. Ela se eleva quando as células do fígado sofrem algum tipo de agressão, e o grau da elevação ajuda a diferenciar causas comuns, como esteatose, de quadros mais agudos, como hepatite viral.
VHS
VHSO VHS mede a velocidade com que as hemácias sedimentam em uma hora, um reflexo indireto das proteínas inflamatórias do sangue. A referência não é única: sobe com a idade e é mais alta em mulheres, e a fórmula de Miller permite estimar o limite de cada pessoa.
Gama-GT (GGT)
GGTA gama-GT, ou GGT, é uma enzima ligada ao fígado e às vias biliares, sensível ao consumo de álcool mas também a gordura no fígado, obstrução biliar e uso de vários medicamentos comuns. É por isso que ela sobe até em quem não bebe.
Insulina de jejum
A insulina de jejum mede a quantidade desse hormônio circulando no sangue depois de um período sem comer. É usada, junto com a glicemia, para calcular o HOMA-IR, um índice que estima resistência à insulina. A literatura não tem consenso fechado sobre os pontos de corte desse índice, e o resultado isolado da insulina tem valor limitado fora desse contexto.
Ácido úrico
O ácido úrico é o produto final da quebra das purinas, substâncias presentes nas próprias células do corpo e em alguns alimentos. Em excesso, pode se depositar em forma de cristais nas articulações e causar crises de gota, ou nos rins e formar cálculos. Um valor alto isolado, sem sintomas, nem sempre precisa de tratamento.
Creatinina
A creatinina é um produto do metabolismo muscular filtrado pelos rins. O valor isolado diz menos do que parece: ele depende também da quantidade de massa muscular da pessoa, e por isso quase sempre é convertido na taxa de filtração glomerular estimada antes de virar conclusão sobre a função renal.
Ureia
A ureia é o produto final da quebra de proteínas, eliminado pelos rins. Ela costuma ser pedida junto com a creatinina, porque as duas juntas dão pistas diferentes: a ureia reage mais rápido a desidratação, sangramento digestivo e dieta rica em proteína, enquanto a creatinina reflete melhor a função renal isolada.
Vitamina D (25-hidroxivitamina D)
A vitamina D dosada no sangue é a 25-hidroxivitamina D, forma de depósito usada para avaliar as reservas do organismo. Não existe um único número aceito por todas as sociedades médicas como alvo ideal, e essa divergência muda o que conta como resultado satisfatório dependendo de quem emitiu a diretriz.