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Exames de sangue Marcadores inflamatórios VHS

VHS

Resumo rápido: O VHS mede a velocidade com que as hemácias sedimentam em uma hora, um reflexo indireto das proteínas inflamatórias do sangue. A referência não é única: sobe com a idade e é mais alta em mulheres, e a fórmula de Miller permite estimar o limite de cada pessoa.

Material
Sangue venoso
Jejum
Em geral não exige
Última revisão

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Interativo

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mm/h
0 100 mm/h

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Faixa que cobre a referência da maioria dos adultos jovens e de meia-idade. Como o limite sobe com a idade e é mais alto em mulheres, um valor aqui está dentro do esperado em praticamente qualquer perfil. VHS baixo, de 2 ou 3 mm/h, também é normal e não indica nada. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.

O que é

O VHS é um dos exames laboratoriais mais antigos ainda em uso, padronizado por Westergren nos anos 1920. O sangue com anticoagulante é colocado em uma coluna vertical graduada e o laboratório mede quantos milímetros as hemácias desceram depois de uma hora. O resultado é essa distância, em mm/h.

O que faz as hemácias descerem mais rápido são proteínas produzidas na inflamação, sobretudo o fibrinogênio. Elas reduzem a repulsão elétrica entre as células, que passam a se empilhar como moedas, num arranjo chamado rouleaux. Pilhas são mais pesadas que células soltas e sedimentam mais rápido.

Por medir esse efeito de forma indireta, o VHS depende de coisas que não têm nada a ver com inflamação. O número, o tamanho e o formato das hemácias mudam o resultado. Anemia eleva o VHS sem que exista inflamação alguma, e policitemia o reduz. Idade avançada, gestação e obesidade também elevam.

A comparação com a PCR ajuda a entender para que cada um serve. A PCR sobe em horas e cai em dias. O VHS leva vários dias para subir e semanas para voltar ao normal depois que a causa é resolvida, porque acompanha a meia-vida longa do fibrinogênio. Isso torna a PCR melhor para quadros agudos e o VHS mais informativo em processos arrastados.

Ponto que causa confusão em quem lê o próprio laudo: não existe um valor normal único de VHS. O limite superior sobe com a idade e é sistematicamente mais alto em mulheres.

Para que serve

Investigar inflamação persistente

Entra na avaliação de febre prolongada, dor articular, perda de peso e cansaço sem causa aparente, sempre junto de outros exames.

Apoiar o diagnóstico de arterite temporal e polimialgia reumática

São as duas condições em que o VHS tem papel mais estabelecido. Valores iguais ou acima de 50 mm/h fazem parte dos critérios classificatórios da arterite de células gigantes.

Acompanhar doenças reumatológicas

Na artrite reumatoide e nas espondiloartrites, o VHS é usado ao longo do tempo para estimar atividade da doença e entra em índices compostos de avaliação.

Compor a investigação de mieloma múltiplo

Valores muito altos, acima de 100 mm/h, aparecem nas gamopatias monoclonais por causa do excesso de proteína no plasma.

Monitorar infecções de curso longo

Osteomielite e endocardite são exemplos em que a queda gradual do VHS acompanha a resposta ao tratamento.

Como é feito e preparo

Coleta

Uma amostra de sangue venoso do braço, coletada em tubo com anticoagulante, citrato de sódio ou EDTA conforme o método do laboratório. A amostra precisa ser processada em poucas horas, porque o tempo até a leitura altera o resultado.

Preparo

Não exige jejum nem preparo especial. Se você teve infecção, cirurgia ou trauma nas últimas semanas, avise, porque o VHS demora a normalizar e ainda vai refletir esse quadro. Informe também gestação e uso de anticoncepcional ou terapia hormonal, que elevam o valor.

Metodologia habitual: Método de Westergren, manual ou em analisador automatizado.

Valores de referência

0 100 mm/h
  • Adequado
  • Limítrofe
  • Alto

Deslize a tabela para o lado

Perfil Faixa habitual
Homens, fórmula de Miller Um homem de 60 anos tem limite estimado de 30 mm/h limite igual à idade dividida por 2
Mulheres, fórmula de Miller Uma mulher de 60 anos tem limite estimado de 35 mm/h limite igual à idade mais 10, dividido por 2
Homens abaixo de 50 anos Referência clássica do método de Westergren até 15 mm/h
Mulheres abaixo de 50 anos Referência clássica do método de Westergren até 20 mm/h
Adultos acima de 50 anos O limite continua subindo depois dos 70 anos até 20 mm/h em homens e até 30 mm/h em mulheres
Gestantes O VHS não é útil para avaliar inflamação durante a gestação elevação esperada, chegando a valores bem acima do habitual no terceiro trimestre

A fórmula de Miller, publicada no British Medical Journal em 1983, é uma estimativa prática do limite superior, não um corte diagnóstico. Ela existe justamente porque o VHS não tem valor normal único. Use a faixa impressa no seu laudo como parâmetro e leve em conta idade, sexo, presença de anemia e gestação. E interprete o VHS junto da PCR: os dois medem inflamação por caminhos diferentes e podem discordar sem que haja erro.

Dentro da referência

Faixa que cobre a referência da maioria dos adultos jovens e de meia-idade. Como o limite sobe com a idade e é mais alto em mulheres, um valor aqui está dentro do esperado em praticamente qualquer perfil. VHS baixo, de 2 ou 3 mm/h, também é normal e não indica nada.

Depende da sua idade e do seu sexo

É aqui que a referência individual faz diferença. Um homem de 30 anos tem limite calculado de 15 mm/h pela fórmula de Miller, então um valor de 30 está acima. Uma mulher de 70 anos tem limite calculado de 40 mm/h, e o mesmo 30 está dentro. Anemia, gestação e obesidade explicam boa parte das elevações discretas sem doença inflamatória por trás.

Alto

Elevação que costuma pedir explicação, lida sempre junto do quadro clínico e da PCR. Antes de investigar inflamação, vale checar hemograma, porque anemia sozinha eleva bastante o VHS. Valores acima de 100 mm/h têm lista de causas mais curta: infecção importante, doença autoimune em atividade, arterite temporal, mieloma múltiplo e outras neoplasias.

Resultado alto e resultado baixo

Resultado alto

VHS alto significa que alguma coisa está mudando a composição de proteínas do plasma ou as características das hemácias. Nem sempre é inflamação. A primeira coisa que costuma ser checada é o hemograma, porque anemia eleva o VHS por conta própria. Quando a elevação é muito grande, acima de 100 mm/h, a lista de causas encurta e a investigação fica mais direcionada.

  • Infecções bacterianas subagudas e crônicas, como osteomielite e endocardite
  • Doenças autoimunes em atividade, como artrite reumatoide e lúpus
  • Polimialgia reumática e arterite de células gigantes
  • Anemia, que eleva o VHS sem inflamação associada
  • Gestação
  • Idade avançada, que sobe a referência por si só
  • Obesidade
  • Doença renal crônica e síndrome nefrótica
  • Mieloma múltiplo e outras gamopatias monoclonais
  • Neoplasias em geral
  • Uso de estrogênio, anticoncepcional oral e terapia hormonal
  • Tireoidite e outras inflamações de órgãos específicos

Resultado baixo

VHS baixo quase nunca tem significado clínico. Um laudo com 2 ou 3 mm/h costuma ser apenas ausência de inflamação, e não existe faixa de VHS baixo demais na prática. Em situações raras, um valor muito baixo aponta para alterações da própria hemácia ou da viscosidade do sangue, e nesses casos o exame perde a capacidade de detectar inflamação mesmo quando ela existe.

  • Ausência de processo inflamatório, que é a explicação mais comum
  • Policitemia e hematócrito muito elevado
  • Anemia falciforme e esferocitose, em que o formato da hemácia impede o empilhamento
  • Hipofibrinogenemia, congênita ou por doença hepática
  • Leucocitose extrema
  • Insuficiência cardíaca congestiva
  • Amostra analisada com atraso, em temperatura inadequada ou com o tubo inclinado

O que pode interferir no resultado

  • Anemia, que eleva o VHS mesmo sem inflamação
  • Policitemia e hematócrito alto, que reduzem
  • Idade e sexo, que mudam a referência de forma previsível
  • Gestação, que eleva bastante o valor
  • Obesidade, com elevação discreta
  • Alterações do formato das hemácias, como na anemia falciforme
  • Atraso no processamento da amostra e temperatura ambiente fora da faixa recomendada
  • Inclinação do tubo durante a leitura, que aumenta artificialmente o resultado
  • Anticoncepcional oral e terapia hormonal
  • Infecção, cirurgia ou trauma nas semanas anteriores, porque o VHS demora a normalizar

Quando procurar ajuda

Leve o resultado ao médico quando o VHS estiver acima da faixa do seu laudo, principalmente se vier junto de febre, dor articular, rigidez matinal prolongada, perda de peso não intencional ou cansaço que não melhora. VHS acima de 100 mm/h merece avaliação sem demora, porque a lista de causas nessa faixa inclui condições que precisam de diagnóstico rápido. Uma situação exige urgência real: pessoa acima de 50 anos com dor de cabeça nova na região das têmporas, dor ao mastigar, sensibilidade no couro cabeludo ou qualquer alteração visual, com VHS elevado, precisa de atendimento imediato pela possibilidade de arterite temporal, em que a demora pode custar a visão.

Perguntas para levar à consulta

  1. Qual é o limite de VHS esperado para a minha idade e o meu sexo?
  2. Meu hemograma mostra anemia que possa explicar esse valor?
  3. Faz sentido pedir PCR junto para comparar os dois marcadores?
  4. Tive infecção ou cirurgia recente. Isso pode justificar o resultado?
  5. Devo repetir o exame em quanto tempo para ver a tendência?

Perguntas frequentes

VHS 40 é alto?

Depende de quem fez o exame. Pela fórmula de Miller, um homem de 40 anos tem limite estimado de 20 mm/h, então 40 está bem acima. Uma mulher de 70 anos tem limite estimado de 40 mm/h, e o mesmo valor está no limite. Antes de investigar inflamação, vale conferir o hemograma, porque anemia eleva o VHS sozinha.

VHS normal por idade, como calcular?

A fórmula de Miller, publicada no British Medical Journal em 1983, dá uma estimativa prática do limite superior. Para homens, divida a idade por 2. Para mulheres, some 10 à idade e divida por 2. Um homem de 50 anos tem limite estimado de 25 mm/h; uma mulher de 50, de 30 mm/h. É uma estimativa de referência, não um corte diagnóstico.

VHS alto significa câncer?

Um valor alto isolado não sustenta essa conclusão. Anemia, gestação, idade, obesidade, infecção e doenças autoimunes explicam a maioria das elevações. Neoplasias podem elevar o VHS, principalmente o mieloma múltiplo, mas a investigação parte dos sintomas e do exame clínico, não do número sozinho. Valores acima de 100 mm/h encurtam a lista de causas e costumam acelerar a avaliação.

Qual a diferença entre VHS e PCR?

A PCR mede diretamente uma proteína produzida pelo fígado na inflamação, sobe em horas e cai em dias. O VHS mede a velocidade de sedimentação das hemácias, que depende do fibrinogênio e de outras proteínas, sobe em dias e leva semanas para normalizar. A PCR é mais útil em quadros agudos, o VHS reflete melhor processos arrastados, e por isso muitos médicos pedem os dois juntos.

VHS alto e PCR normal, o que significa?

É uma combinação comum e não indica erro de exame. Pode significar que a inflamação já passou e o VHS ainda não normalizou, porque ele é lento. Também aparece quando o VHS está elevado por outro motivo, como anemia, gestação, idade avançada ou aumento de imunoglobulinas. Em algumas doenças, o lúpus é o exemplo clássico, o VHS sobe e a PCR permanece baixa.

VHS 60 o que pode ser?

É uma elevação importante em qualquer faixa etária e costuma pedir investigação. As causas mais frequentes incluem infecção em curso ou recente, doença autoimune em atividade, anemia significativa e doença renal. Em pessoa acima de 50 anos com dor de cabeça nova ou alteração visual, esse valor levanta a suspeita de arterite temporal, que é uma urgência. A avaliação médica define o caminho.

Anemia aumenta o VHS?

Aumenta. Com menos hemácias na coluna, elas encontram menos resistência para descer e sedimentam mais rápido, sem que exista inflamação nenhuma. É por isso que o hemograma costuma ser lido junto do VHS. Um VHS elevado em quem tem anemia importante deve ser interpretado com essa ressalva.

Preciso de jejum para fazer VHS?

Não. O VHS não exige jejum nem preparo especial. O que interessa é o intervalo entre a coleta e a análise: a amostra precisa ser processada em poucas horas, porque a demora altera o resultado. Isso é responsabilidade do laboratório, não sua.

Fontes e revisão

  1. Simple rule for calculating normal erythrocyte sedimentation rate. Miller A, Green M, Robinson D, British Medical Journal , 1983.
  2. ICSH recommendations for modified and alternate methods measuring the erythrocyte sedimentation rate. International Council for Standardization in Haematology, International Journal of Laboratory Hematology , 2017.
  3. Clinical utility of the erythrocyte sedimentation rate. Brigden ML, American Family Physician , 1999.
  4. 2022 American College of Rheumatology/EULAR Classification Criteria for Giant Cell Arteritis. American College of Rheumatology e EULAR , 2022.

Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame

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