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Calprotectina fecal

Resumo rápido: A calprotectina fecal é uma proteína liberada por células de defesa quando existe inflamação na parede do intestino. O valor sobe na doença inflamatória intestinal e permanece baixo na síndrome do intestino irritável, e é essa separação que faz o exame ser pedido.

Material
Fezes
Jejum
Em geral não exige
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Abaixo de 50 µg/g é o ponto de corte adotado pela maioria dos laboratórios e pela orientação do NICE. Em quem tem sintomas intestinais sem sinais de alarme, um valor nessa faixa torna a doença inflamatória intestinal pouco provável e aponta mais para um quadro funcional, como a síndrome do intestino irritável. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.

O que é

A calprotectina é uma proteína que fica dentro dos neutrófilos, um dos tipos de célula de defesa do sangue. Quando a parede do intestino inflama, esses neutrófilos migram para a mucosa, liberam calprotectina e parte dela sai nas fezes. O laboratório mede exatamente essa fração.

O resultado é um número em microgramas de calprotectina por grama de fezes. Quanto mais neutrófilo chegou ao intestino, maior o valor. A proteína é estável nas fezes por alguns dias em temperatura ambiente, o que permite coletar em casa e levar a amostra depois.

O exame não diz onde a inflamação está nem qual é a causa. Ele responde uma pergunta só: existe inflamação no intestino agora? A resposta orienta a decisão seguinte, que costuma ser fazer ou não uma colonoscopia.

Para que serve

Separar doença inflamatória intestinal de intestino irritável

É o uso principal. Doença de Crohn e retocolite ulcerativa inflamam a mucosa e elevam a calprotectina. A síndrome do intestino irritável causa dor e alteração do hábito intestinal sem inflamação, então o valor tende a ficar baixo. Duas pessoas com queixas parecidas podem ter resultados bem diferentes.

Decidir quem precisa de colonoscopia

Em pessoas com sintomas intestinais persistentes e sem sinais de alarme, um valor baixo torna a doença inflamatória intestinal pouco provável e evita um exame invasivo. Um valor alto empurra a investigação para a colonoscopia.

Acompanhar quem já tem diagnóstico

Em quem já tem doença de Crohn ou retocolite, a calprotectina acompanha a atividade da doença entre as colonoscopias. Uma subida costuma anteceder a recaída clínica em semanas, e a queda depois do tratamento sugere que a mucosa está cicatrizando.

Avaliar recidiva depois de cirurgia

Na doença de Crohn operada, o marcador entra no acompanhamento da recidiva pós-operatória, junto com a avaliação endoscópica programada.

Como é feito e preparo

Coleta

Uma amostra pequena de fezes, colhida em casa em um frasco fornecido pelo laboratório. Basta uma porção do tamanho de uma noz ou o volume indicado no frasco, retirada de pontos diferentes das fezes. Não precisa de coleta de vários dias.

Preparo

Não exige jejum nem dieta especial. Evite coletar durante a menstruação ou quando houver sangramento hemorroidário ativo. Anti-inflamatórios não esteroidais elevam o resultado, então pergunte ao médico se vale suspender antes e nunca interrompa medicação por conta própria. A amostra precisa chegar ao laboratório no prazo que ele indicar, em geral em até dois ou três dias sob refrigeração.

Metodologia habitual: Imunoensaio quantitativo (ELISA ou imunoensaio automatizado, conforme o laboratório). Os valores não são intercambiáveis entre métodos diferentes.

Valores de referência

0 1.000 µg/g
  • Adequado
  • Limítrofe
  • Alto

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Perfil Faixa habitual
Adultos Corte mais usado em laboratório e na orientação do NICE abaixo de 50 µg/g
Zona de dúvida O limite superior dessa faixa varia conforme o serviço e o método 50 a 150 ou 200 µg/g
Doença inflamatória em acompanhamento O alvo é definido por quem acompanha o caso, não pelo laboratório abaixo de 100 a 250 µg/g como alvo
Crianças abaixo de 4 anos A referência do adulto não se aplica a lactentes e pré-escolares naturalmente mais alta
Idosos Uso frequente de anti-inflamatórios e outras comorbidades elevam o valor sem doença inflamatória intestinal abaixo de 50 µg/g, com ressalva

Métodos diferentes produzem números diferentes para a mesma amostra, e não existe padronização internacional entre eles. Compare sempre com a faixa impressa no seu laudo e, no acompanhamento, procure repetir no mesmo laboratório para que a comparação faça sentido.

Dentro da faixa de referência

Abaixo de 50 µg/g é o ponto de corte adotado pela maioria dos laboratórios e pela orientação do NICE. Em quem tem sintomas intestinais sem sinais de alarme, um valor nessa faixa torna a doença inflamatória intestinal pouco provável e aponta mais para um quadro funcional, como a síndrome do intestino irritável.

Zona cinzenta

É a faixa mais difícil de interpretar e a literatura não é unânime sobre ela. Alguns serviços consideram elevada qualquer coisa acima de 50 µg/g, outros só a partir de 150 ou 200 µg/g. Um valor aqui pode vir de infecção intestinal recente, uso de anti-inflamatório, uso de inibidor de bomba de prótons ou de uma inflamação discreta de verdade. A conduta mais comum é repetir o exame em quatro a seis semanas antes de decidir qualquer coisa.

Elevação moderada

Acima de 150 µg/g a probabilidade de haver inflamação real na mucosa aumenta bastante, embora a causa ainda esteja em aberto. Infecção bacteriana, doença inflamatória intestinal, uso recente de anti-inflamatório e doença celíaca entram na lista. Costuma motivar investigação com colonoscopia ou com exames de fezes para agentes infecciosos.

Elevação marcada

Valores acima de 250 µg/g têm boa correlação com inflamação visível na endoscopia. Em quem já tem diagnóstico de doença inflamatória intestinal, esse patamar costuma ser usado como sinal de doença em atividade e de mucosa não cicatrizada.

Resultado alto e resultado baixo

Resultado alto

Calprotectina alta indica que há neutrófilos chegando à mucosa intestinal. Isso é inflamação, mas não é diagnóstico: infecção intestinal, anti-inflamatórios e doença inflamatória intestinal produzem a mesma alteração. Quanto maior o valor, menor a chance de ser um achado passageiro.

  • Doença de Crohn e retocolite ulcerativa em atividade
  • Gastroenterite bacteriana ou parasitária recente
  • Uso de anti-inflamatórios não esteroidais
  • Doença celíaca não tratada
  • Diverticulite e colite microscópica
  • Câncer colorretal e pólipos avançados
  • Uso contínuo de inibidores de bomba de prótons, com elevação em geral modesta

Resultado baixo

Valor baixo é o resultado esperado em quem não tem inflamação intestinal. Em pessoas com dor abdominal, diarreia ou constipação sem sinais de alarme, ele reduz bastante a chance de doença inflamatória intestinal e reforça a hipótese de um quadro funcional.

  • Ausência de inflamação na mucosa intestinal
  • Síndrome do intestino irritável
  • Intolerâncias alimentares, que causam sintoma sem inflamar a parede do intestino
  • Doença inflamatória intestinal em remissão, com mucosa cicatrizada
  • Doença restrita ao intestino delgado proximal, situação em que o exame pode não detectar a inflamação

O que pode interferir no resultado

  • Anti-inflamatórios não esteroidais, que elevam o resultado mesmo em uso curto
  • Infecção intestinal nas semanas anteriores à coleta
  • Sangramento menstrual ou hemorroidário no momento da coleta
  • Inibidores de bomba de prótons em uso contínuo
  • Amostra guardada por muito tempo ou fora da refrigeração
  • Fezes muito líquidas, que diluem a amostra
  • Idade abaixo de 4 anos, quando o valor é fisiologicamente mais alto
  • Mudança de laboratório ou de metodologia entre um exame e outro

Quando procurar ajuda

Leve o resultado ao médico sempre que a calprotectina vier acima da faixa do laudo, mesmo que os sintomas sejam leves. Procure avaliação sem esperar se houver sangue nas fezes, diarreia que acorda você à noite, perda de peso não intencional, febre ou dor abdominal que piora de forma progressiva. Um valor dentro da faixa em quem tem esses sinais também precisa ser conversado, porque o exame não exclui tudo sozinho.

Perguntas para levar à consulta

  1. Meu valor de calprotectina justifica fazer colonoscopia agora ou vale repetir antes?
  2. Algum remédio que eu uso pode ter elevado esse resultado?
  3. Se o valor ficou na zona cinzenta, em quanto tempo devo repetir?
  4. Faz sentido pesquisar infecção intestinal antes de partir para exames maiores?
  5. Se eu já tenho doença inflamatória intestinal, qual valor de calprotectina você considera controle bom no meu caso?

Perguntas frequentes

Calprotectina 280 é alta?

Sim, está bem acima do corte de 50 µg/g usado pela maioria dos laboratórios. Valores acima de 250 µg/g costumam ter correlação com inflamação visível na endoscopia. Isso não define qual é a doença: infecção intestinal recente e uso de anti-inflamatório também chegam nesse patamar. O passo seguinte costuma ser investigar a causa, e a colonoscopia entra com frequência nessa etapa.

Calprotectina 60 é preocupante?

Fica na chamada zona cinzenta, logo acima do corte de 50 µg/g. Não é um valor que feche diagnóstico de nada, e a literatura não é unânime sobre onde começa a elevação relevante: alguns serviços só consideram alterado acima de 150 ou 200 µg/g. A conduta mais comum diante de um resultado assim é repetir o exame depois de quatro a seis semanas, evitando anti-inflamatórios nesse intervalo.

Calprotectina alta significa doença de Crohn?

Não por si só. A calprotectina mostra inflamação, e a doença de Crohn é apenas uma das causas. Gastroenterite bacteriana, uso de anti-inflamatórios, doença celíaca, diverticulite e até pólipos avançados elevam o marcador. O diagnóstico de doença inflamatória intestinal depende de endoscopia com biópsia, não desse exame.

Calprotectina normal exclui doença inflamatória intestinal?

Reduz muito a chance, mas não zera. O exame tem sensibilidade alta para inflamação do cólon e do íleo terminal, e menor para doença restrita ao intestino delgado mais alto. Se você tem sangue nas fezes, perda de peso ou anemia, a investigação continua mesmo com calprotectina baixa.

Qual é o valor normal de calprotectina fecal?

A referência mais usada em adultos é abaixo de 50 µg/g. Como métodos diferentes produzem números diferentes para a mesma amostra, o valor impresso no seu laudo é o parâmetro correto. Em crianças pequenas, principalmente abaixo de 4 anos, a calprotectina é naturalmente mais alta e a referência do adulto não vale.

Ibuprofeno ou dipirona alteram a calprotectina?

Os anti-inflamatórios não esteroidais, como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno, alteram sim: eles irritam a mucosa e podem elevar o resultado mesmo em uso de poucos dias. A dipirona e o paracetamol não pertencem a esse grupo. Se você usou anti-inflamatório perto da coleta, informe ao médico, porque isso muda a leitura do número.

Preciso repetir a calprotectina? Com que frequência?

Depende do motivo. Em resultado na zona cinzenta, a repetição costuma ser feita em quatro a seis semanas. Em quem já tem doença inflamatória intestinal em acompanhamento, os intervalos são definidos por quem trata, e variam conforme a fase da doença e a mudança de medicação.

Posso coletar as fezes em casa e levar depois?

Pode, e é o mais comum. A calprotectina é estável por alguns dias, mas cada laboratório define o prazo e a forma de armazenar, quase sempre sob refrigeração. Amostra guardada por tempo demais ou fora da geladeira pode dar um valor mais baixo do que o real.

Fontes e revisão

  1. Faecal calprotectin diagnostic tests for inflammatory diseases of the bowel (DG11). National Institute for Health and Care Excellence (NICE) , 2013.
  2. British Society of Gastroenterology consensus guidelines on the management of inflammatory bowel disease in adults. British Society of Gastroenterology, publicado em Gut , 2019.
  3. ECCO-ESGAR Guideline for Diagnostic Assessment in IBD Part 1: initial diagnosis, monitoring of known IBD, detection of complications. European Crohn's and Colitis Organisation (ECCO) e European Society of Gastrointestinal and Abdominal Radiology (ESGAR) , 2019.
  4. British Society of Gastroenterology guidelines on the management of irritable bowel syndrome. British Society of Gastroenterology, publicado em Gut , 2021.
  5. ACG Clinical Guideline: Management of Irritable Bowel Syndrome. American College of Gastroenterology , 2021.

Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame

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