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Gastrointestinal Rastreamento FIT

Pesquisa de sangue oculto nas fezes

Resumo rápido: A pesquisa de sangue oculto nas fezes detecta pequenas quantidades de sangue que não dá para ver a olho nu. O teste imunoquímico, chamado de FIT, reconhece só a hemoglobina humana e é o método usado hoje no rastreamento do câncer de intestino.

Material
Fezes
Jejum
Em geral não exige
Última revisão

O que é

Pólipos e tumores do intestino grosso sangram pouco e de forma intermitente. Esse sangue se mistura às fezes em quantidade tão pequena que não muda a cor nem o aspecto delas. O exame existe para encontrar exatamente esse sangue invisível.

O teste imunoquímico fecal, conhecido pela sigla FIT, usa anticorpos que se ligam à globina da hemoglobina humana. Como o reagente só reconhece hemoglobina de gente, carne vermelha no prato não gera resultado falso. Foi isso que aposentou o antigo teste do guáiaco, que exigia dieta restrita nos dias anteriores.

O resultado sai como positivo ou negativo, com base em um limite de corte definido pelo laboratório, muitas vezes em torno de 10 microgramas de hemoglobina por grama de fezes. Alguns laboratórios também informam o valor quantitativo ao lado da conclusão.

Como a globina é digerida no estômago e no intestino delgado, o FIT detecta bem sangramento do cólon e do reto e mal o sangramento de estômago ou esôfago. Ele é um exame de intestino grosso.

Para que serve

Rastrear câncer colorretal em quem não tem sintoma

É o principal uso. O câncer de intestino cresce durante anos a partir de pólipos, e encontrar sangramento nessa fase silenciosa permite remover a lesão antes que ela vire tumor ou enquanto ainda está no início. No Brasil, o INCA recomenda o exame de sangue oculto na faixa de 50 a 74 anos, com repetição a cada um ou dois anos.

Ajudar a priorizar quem tem sintomas intestinais

Em pessoas com alteração do hábito intestinal ou desconforto abdominal e sem sinais de alarme, o FIT ajuda a decidir quem precisa de colonoscopia com mais urgência.

Investigar anemia por falta de ferro

Perda crônica de sangue pelo intestino é uma causa frequente de deficiência de ferro sem sangramento aparente, e o exame entra nessa investigação junto com ferritina e hemograma.

Reduzir colonoscopias desnecessárias

Como exame de rastreamento, ele filtra quem realmente precisa do procedimento endoscópico, que é mais caro, exige preparo e tem riscos próprios.

Como é feito e preparo

Coleta

Uma amostra pequena de fezes, colhida em casa com o bastão que vem no tubo do laboratório. O bastão é passado por pontos diferentes das fezes e devolvido ao tubo, que já contém o líquido conservante. Alguns protocolos pedem duas ou três amostras em dias diferentes; outros trabalham com amostra única.

Preparo

O teste imunoquímico não exige dieta nem suspensão de carne vermelha, vitamina C ou ferro. Evite coletar durante a menstruação, com sangramento hemorroidário ativo ou nos dias em que houver sangramento de gengiva ou nariz. Entregue o tubo no prazo indicado pelo laboratório e guarde-o longe do calor.

Metodologia habitual: Teste imunoquímico fecal (FIT), com anticorpos específicos para a globina humana. O antigo método do guáiaco, que dependia de dieta prévia, foi substituído por ele na maioria dos serviços.

Termos do laudo, traduzidos

O laudo deste exame é descritivo, não um número com faixa de referência. Estes são os termos que mais aparecem e o que costumam significar.

Negativo
Não foi detectada hemoglobina humana acima do limite de corte do laboratório. Nesse ciclo de rastreamento, não há sinal de sangramento no intestino grosso. Como pólipos e tumores sangram de forma intermitente, um resultado negativo não elimina a possibilidade de lesão, e por isso o exame é repetido em intervalos regulares.
Positivo
Foi detectada hemoglobina humana acima do limite de corte. Isso indica sangramento em algum ponto do intestino grosso ou do reto, sem dizer a causa. Hemorroida, fissura, pólipo, doença inflamatória intestinal e câncer produzem o mesmo resultado. A conduta habitual depois de um positivo é a colonoscopia.
Positivo com valor quantitativo informado
Alguns laboratórios informam a concentração de hemoglobina em microgramas por grama de fezes junto com a conclusão. Concentrações mais altas se associam a maior chance de lesão relevante na colonoscopia, mas o valor não substitui o exame endoscópico nem define o diagnóstico.
Amostra inadequada ou insuficiente
O tubo chegou com pouca amostra, fora do prazo de estabilidade ou exposto ao calor. A hemoglobina se degrada nessas condições e o resultado deixa de ser confiável. A coleta precisa ser refeita.
Indeterminado ou inconclusivo
O ensaio não conseguiu classificar a amostra com segurança, situação incomum. Vale repetir com nova coleta antes de qualquer interpretação.

O que pode interferir no resultado

  • Menstruação no período da coleta
  • Sangramento de hemorroida ou fissura anal ativo
  • Sangramento de gengiva ou nariz nos dias da coleta
  • Amostra exposta ao calor ou entregue fora do prazo, o que degrada a hemoglobina
  • Coleta feita de um único ponto das fezes, que pode não pegar o sangue
  • Sangramento de estômago ou esôfago, que o teste imunoquímico detecta mal
  • Preparo de colonoscopia ou uso de laxantes perto da coleta

Quando procurar ajuda

Todo resultado positivo precisa ser levado ao médico, mesmo sem nenhum sintoma, porque a investigação com colonoscopia é o que dá sentido ao achado. Procure avaliação sem esperar se houver sangue visível nas fezes, fezes escuras como borra de café, mudança persistente do hábito intestinal, dor abdominal contínua, anemia ou perda de peso não intencional. Nesses casos a investigação segue mesmo com um resultado negativo, porque o exame não foi feito para descartar doença em quem já tem sintoma claro.

Perguntas para levar à consulta

  1. Meu resultado positivo indica colonoscopia agora ou existe outra explicação a checar antes?
  2. Com que intervalo eu devo repetir esse exame no meu caso?
  3. Meu histórico familiar muda a idade de começar o rastreamento?
  4. Tenho hemorroida. Isso pode explicar o positivo e dispensar a investigação?
  5. Se o resultado foi negativo mas eu tenho sintomas, o que investigamos em seguida?

Perguntas frequentes

Sangue oculto positivo significa câncer?

Não. A maior parte dos resultados positivos não é câncer. Hemorroida, fissura anal, pólipos, divertículos e doença inflamatória intestinal sangram e produzem o mesmo resultado. O positivo significa que existe sangue no intestino grosso e que vale investigar a origem, quase sempre com colonoscopia.

Sangue oculto negativo descarta câncer de intestino?

Não descarta. Pólipos e tumores sangram de forma intermitente, então a lesão pode existir e não sangrar no dia da coleta. É por isso que o rastreamento é repetido a cada um ou dois anos. Se você tem sintomas, o resultado negativo não encerra a investigação.

Preciso fazer dieta antes do exame de sangue oculto?

No teste imunoquímico, que é o usado hoje, não. Ele reconhece só hemoglobina humana, então carne vermelha, beterraba, vitamina C e suplemento de ferro não alteram o resultado. A restrição alimentar valia para o método antigo do guáiaco.

Hemorroida pode dar sangue oculto positivo?

Pode, e isso acontece com frequência. O problema é que ter hemorroida não impede ter um pólipo ou um tumor ao mesmo tempo. Por isso a orientação padrão é investigar o positivo com colonoscopia em vez de atribuir o resultado à hemorroida.

A partir de que idade devo fazer sangue oculto nas fezes?

No Brasil, o INCA recomenda o rastreamento de câncer de intestino na faixa de 50 a 74 anos em pessoas sem sintomas e sem histórico familiar. Diretrizes norte-americanas, como a do American College of Gastroenterology, passaram a recomendar o início aos 45 anos. Histórico familiar ou doença inflamatória intestinal mudam essa idade e o método, e essa decisão é individual.

Estou menstruada. Posso coletar?

Melhor esperar. O sangue menstrual contamina a amostra e gera resultado positivo sem relação com o intestino. Adie a coleta para alguns dias depois do fim do fluxo.

Quantas amostras preciso coletar?

Depende do protocolo do laboratório e do programa de rastreamento. Alguns trabalham com amostra única, outros pedem duas ou três coletas em dias diferentes para aumentar a chance de pegar um sangramento intermitente. Siga a instrução que veio no kit.

Sangue oculto positivo e colonoscopia normal. E agora?

Acontece. O sangramento pode ter vindo de uma lesão pequena que parou de sangrar, de hemorroida interna ou de outro ponto do trato digestivo. Quando há anemia ou deficiência de ferro junto, a investigação costuma continuar com avaliação do estômago e do intestino delgado. Essa decisão é de quem acompanha o caso.

Fontes e revisão

  1. Detecção precoce do câncer. Instituto Nacional de Câncer (INCA), Ministério da Saúde , 2021.
  2. ACG Clinical Guidelines: Colorectal Cancer Screening 2021. American College of Gastroenterology , 2021.
  3. Faecal immunochemical testing (FIT) in patients with signs or symptoms of suspected colorectal cancer (CRC): a joint guideline. British Society of Gastroenterology e Association of Coloproctology of Great Britain and Ireland , 2022.

Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame

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