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Gastrointestinal Parasitologia EPF

Parasitológico de fezes

Resumo rápido: O parasitológico de fezes procura ovos, cistos e larvas de parasitas intestinais no microscópio. Como a eliminação desses elementos é irregular, o exame costuma ser pedido em três amostras colhidas em dias alternados.

Material
Fezes
Jejum
Em geral não exige
Última revisão

O que é

O exame parasitológico é uma inspeção microscópica das fezes. O laboratório processa a amostra por técnicas de sedimentação ou flutuação, que concentram os elementos parasitários, e depois alguém examina a lâmina procurando ovos de vermes, cistos de protozoários e larvas.

O laudo diz o que foi encontrado e o que não foi. Ele não mede quantidade na maioria das técnicas e não avalia se você tem sintomas por causa daquele achado. Alguns parasitas encontrados são comensais, ou seja, vivem no intestino sem causar doença.

A eliminação de ovos e cistos é intermitente. Um verme pode passar dias sem liberar ovos e um protozoário pode aparecer numa amostra e sumir na seguinte. Por isso a amostra única tem sensibilidade limitada e o pedido costuma ser de três amostras.

Para que serve

Investigar diarreia prolongada

Diarreia que passa de duas semanas, com ou sem muco, é um dos motivos mais comuns do pedido. Giardíase e amebíase estão entre as causas procuradas.

Explicar dor abdominal e distensão sem causa definida

Cólicas recorrentes, gases e desconforto abdominal, principalmente em crianças e em quem viajou para áreas de saneamento precário, entram na indicação do exame.

Avaliar anemia e eosinofilia

Ancilostomídeos sugam sangue da parede intestinal e causam deficiência de ferro. Já o aumento de eosinófilos no hemograma aparece em várias helmintíases e motiva a pesquisa nas fezes.

Rastrear estrongiloidíase antes de imunossupressão

Antes de iniciar corticoide em dose alta ou outra medicação imunossupressora, a pesquisa de Strongyloides stercoralis é feita porque a infecção pode se disseminar de forma grave em quem tem imunidade reduzida. Nesse caso o laboratório usa técnicas próprias para larvas.

Como é feito e preparo

Coleta

Fezes colhidas em casa, em frasco limpo e seco, muitas vezes com conservante fornecido pelo laboratório. A orientação habitual é colher três amostras em dias alternados, ou seja, ao longo de sete a dez dias, porque a eliminação de ovos e cistos não é constante. Colher os três frascos no mesmo dia derruba a vantagem do método. Evite misturar urina ou água do vaso sanitário à amostra.

Preparo

Não exige jejum. Suspenda, com orientação médica, laxantes oleosos e antiácidos com bismuto ou magnésio nos dias anteriores. Contraste de bário atrapalha a leitura, então o exame deve ser adiado por cerca de uma semana depois de um estudo radiológico com esse contraste. Antibióticos e antiparasitários recentes reduzem a chance de encontrar o agente.

Metodologia habitual: Microscopia após concentração. As técnicas mais usadas são a sedimentação espontânea (Hoffman, Pons e Janer), a centrífugo-flutuação em sulfato de zinco (Faust) e, para larvas de Strongyloides, o Baermann-Moraes ou o Rugai. O Kato-Katz é a técnica quantitativa usada em esquistossomose e geo-helmintíases.

Termos do laudo, traduzidos

O laudo deste exame é descritivo, não um número com faixa de referência. Estes são os termos que mais aparecem e o que costumam significar.

Ausência de parasitas, cistos, ovos ou larvas
Nada foi encontrado naquela amostra. Como a eliminação é intermitente, esse resultado tem valor maior quando as três amostras vieram negativas. Em quem continua com sintomas, o médico pode pedir técnicas específicas em vez de simplesmente repetir o exame padrão.
Cistos de Giardia duodenalis (Giardia lamblia)
Protozoário que se instala no intestino delgado e causa diarreia, gases, distensão e, quando prolongado, má absorção e perda de peso. É um dos achados mais frequentes em crianças.
Cistos de Entamoeba histolytica ou Entamoeba dispar
As duas espécies são idênticas ao microscópio e por isso o laudo costuma trazer as duas juntas. A E. dispar não causa doença, enquanto a E. histolytica pode provocar disenteria e abscesso hepático. Separar uma da outra exige teste de antígeno ou biologia molecular, e essa distinção muda a conduta.
Cistos de Entamoeba coli, Endolimax nana ou Iodamoeba butschlii
São protozoários comensais, sem poder de causar doença. O achado indica que houve contato com água ou alimento contaminado por material fecal, o que às vezes leva o médico a procurar outro agente junto. O comensal em si não explica sintoma.
Ovos de Ascaris lumbricoides
A lombriga, o helminto mais comum no Brasil. Infecções leves passam despercebidas; cargas maiores causam dor abdominal, desnutrição e, em crianças, quadros obstrutivos.
Ovos de ancilostomídeos (Ancylostoma duodenale, Necator americanus)
Vermes que se fixam na parede do intestino delgado e consomem sangue. A consequência mais conhecida é a anemia por deficiência de ferro, muitas vezes sem sangramento visível.
Ovos de Trichuris trichiura
O tricocéfalo. Infecções pequenas costumam ser silenciosas; cargas altas provocam diarreia com muco e sangue, e em crianças podem levar a prolapso retal.
Larvas de Strongyloides stercoralis
O laudo desse parasita traz larvas, não ovos. É o achado com maior implicação em quem vai usar corticoide ou imunossupressor, porque a infecção pode se disseminar nessas situações. Técnicas específicas, como Baermann-Moraes, aumentam bastante a chance de encontrá-lo.
Ovos de Schistosoma mansoni
Indicam esquistossomose, adquirida por contato com água doce em áreas endêmicas. O Kato-Katz é a técnica indicada porque quantifica os ovos, o que ajuda no acompanhamento.
Ovos de Enterobius vermicularis
O oxiúro põe os ovos na região perianal, e não dentro do intestino, então o parasitológico de fezes frequentemente não o encontra. O exame indicado é a fita gomada, colhida na região anal pela manhã antes do banho.
Blastocystis hominis ou Blastocystis sp.
Achado comum e de significado discutido na literatura. Muita gente carrega o Blastocystis sem qualquer sintoma, e não há consenso sobre quando ele explica o quadro clínico. A decisão de tratar depende dos sintomas e da exclusão de outras causas.

O que pode interferir no resultado

  • Coleta das três amostras no mesmo dia, o que anula o ganho de sensibilidade
  • Uso recente de antiparasitário ou antibiótico
  • Contraste de bário nos dias anteriores
  • Laxantes oleosos e antiácidos com bismuto ou magnésio
  • Amostra contaminada com urina ou água do vaso sanitário
  • Demora na entrega da amostra sem conservante, que degrada trofozoítos
  • Técnica escolhida pelo laboratório, já que larvas e ovos pesados exigem métodos diferentes

Quando procurar ajuda

Leve o laudo ao médico sempre que houver algum achado, inclusive quando o parasita for descrito como comensal, porque a leitura muda conforme os sintomas e a idade. Procure avaliação sem esperar diante de diarreia com sangue, febre, desidratação, vômitos persistentes ou perda de peso rápida. Em criança pequena, idoso e pessoa com imunidade reduzida o limite para procurar ajuda é mais baixo. Resultado negativo em quem continua com diarreia prolongada também merece consulta, já que existem técnicas específicas para agentes que o exame padrão não pega.

Perguntas para levar à consulta

  1. O parasita encontrado no meu laudo explica os meus sintomas ou é um achado sem consequência?
  2. Preciso repetir o exame com técnica específica para algum agente?
  3. As pessoas que moram comigo devem fazer o exame também?
  4. Depois do tratamento, quando e como devo repetir o parasitológico?
  5. Meus sintomas continuam e o exame veio negativo. O que investigamos agora?

Perguntas frequentes

Por que pedem três amostras de fezes?

Porque a eliminação de ovos e cistos é intermitente. Um parasita pode não aparecer na amostra de segunda-feira e aparecer na de quarta. Três coletas em dias alternados aumentam de forma expressiva a chance de encontrar o agente em relação a uma amostra única. Colher os três frascos no mesmo dia não produz esse ganho.

Parasitológico negativo quer dizer que não tenho verme?

Não exatamente. Quer dizer que nada foi encontrado naquelas amostras, com aquela técnica. Alguns agentes exigem métodos específicos: o oxiúro é pesquisado pela fita gomada, o Strongyloides pelo Baermann-Moraes, e criptosporídio e microsporídio por colorações próprias. Se os sintomas continuam, converse com o médico sobre pesquisar de outro jeito.

Encontraram Entamoeba coli. Preciso tratar?

A Entamoeba coli é um protozoário comensal e não causa doença. O achado mostra que houve ingestão de água ou alimento contaminado por material fecal, o que às vezes leva o médico a procurar outro agente na mesma amostra. A decisão sobre conduta é dele, com o quadro clínico na mão.

Qual a diferença entre Entamoeba histolytica e Entamoeba dispar?

Elas são indistinguíveis ao microscópio, por isso o laudo costuma escrever as duas juntas. A E. dispar não causa doença. A E. histolytica pode provocar disenteria e abscesso no fígado. Separar uma da outra exige pesquisa de antígeno nas fezes ou teste molecular, e essa diferença muda bastante a conduta.

Preciso de jejum para o parasitológico de fezes?

Não. O exame não exige jejum nem dieta. O que atrapalha é contraste de bário, laxante oleoso, antiácido com bismuto ou magnésio e uso recente de antiparasitário. Se você usou algo assim, avise no laboratório antes de coletar.

Posso guardar as fezes na geladeira?

Só se o laboratório orientar assim. Quando o frasco tem conservante, a amostra fica estável em temperatura ambiente pelo prazo indicado. Sem conservante, a demora degrada trofozoítos de protozoários e reduz a chance de identificação. Siga a instrução do kit e entregue no prazo.

Blastocystis hominis precisa de tratamento?

Não há consenso na literatura. O Blastocystis é encontrado com frequência em pessoas sem nenhum sintoma, e a relação dele com queixas intestinais continua em discussão. A decisão de tratar costuma vir depois de excluir outras causas e depende dos sintomas, não do achado isolado.

Vi um verme nas fezes. Levo ao laboratório?

Sim, isso ajuda. Guarde o material em um frasco limpo com um pouco de soro fisiológico ou álcool, conforme a orientação do laboratório, e leve junto com a amostra. A identificação direta do verme adulto ou de um proglote é mais rápida do que a busca por ovos no microscópio.

Fontes e revisão

  1. Guia de Vigilância em Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde (Brasil) , 2022.
  2. Bench aids for the diagnosis of intestinal parasites, 2nd edition. Organização Mundial da Saúde , 2019.
  3. 2017 Infectious Diseases Society of America Clinical Practice Guidelines for the Diagnosis and Management of Infectious Diarrhea. Infectious Diseases Society of America (IDSA) , 2017.
  4. DPDx: Laboratory Identification of Parasites of Public Health Concern, Diagnostic Procedures for Stool Specimens. Centers for Disease Control and Prevention (CDC) .

Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame

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