Banco de exames
São 42 exames organizados em 6 famílias. Cada página responde o que o exame mede, por que costuma ser pedido, o que os valores querem dizer e o que pode alterar o resultado.
Exames de sangue
O sangue carrega informação sobre quase todos os sistemas do corpo, e é por isso que a maioria dos pedidos de exame começa por aqui. Uma única coleta permite avaliar produção de células, reserva de ferro, açúcar circulante, gorduras, função do fígado e dos rins.
Ferritina
A ferritina é a proteína que guarda ferro dentro das células. No sangue, ela funciona como um termômetro das suas reservas de ferro: valor baixo costuma indicar reserva reduzida, valor alto pode significar excesso de ferro ou inflamação.
Hemograma completo
O hemograma completo analisa as três linhas de células do sangue: hemácias, leucócitos e plaquetas. É um dos exames mais pedidos na rotina médica e costuma ser o ponto de partida para investigar anemia, infecção e alterações da coagulação.
Colesterol total
CTO colesterol total é a soma do colesterol carregado por todas as lipoproteínas do sangue. Ele mostra o volume, não a distribuição: duas pessoas com o mesmo valor podem ter riscos bem diferentes, dependendo de quanto está no LDL e quanto está no HDL.
Ferro sérico
O ferro sérico mede a quantidade de ferro circulando no sangue no exato momento da coleta. É um valor que oscila bastante ao longo do dia, então costuma ser interpretado junto com a ferritina e a transferrina, nunca sozinho.
HDL colesterol
HDL-cO HDL é a lipoproteína que retira colesterol dos tecidos e o devolve ao fígado. Neste exame a direção se inverte: quem chama atenção é o valor baixo, abaixo de 40 mg/dL, e não o alto. Ele é lido como marcador de risco, não como alvo de tratamento.
Transferrina
A transferrina é a proteína que transporta o ferro pelo sangue. Sozinha, mostra a capacidade de transporte do organismo; dividida pelo ferro sérico, dá origem à saturação de transferrina, um dos exames mais úteis para diferenciar falta de ferro de sobrecarga.
LDL colesterol
LDL-cO LDL transporta colesterol para os tecidos e é a partícula que se acumula na parede das artérias. Ao contrário dos outros exames, ele não tem faixa normal universal: tem meta, e a meta muda conforme o risco cardiovascular de cada pessoa, de menos de 130 a menos de 50 mg/dL.
Triglicerídeos
TGOs triglicerídeos são a principal forma de gordura circulante e de reserva do corpo. É o exame do perfil lipídico que mais muda com a última refeição, por isso o valor desejável é diferente com jejum, abaixo de 150 mg/dL, e sem jejum, abaixo de 175 mg/dL.
Glicemia de jejum
A glicemia de jejum mede a quantidade de glicose circulando no sangue depois de um período sem se alimentar. É o exame mais usado para rastrear e diagnosticar diabetes e pré-diabetes. Um valor isolado fora da faixa não fecha diagnóstico sozinho; a confirmação costuma depender de repetir o exame ou associar outros critérios.
Proteína C reativa
PCRA proteína C reativa é produzida pelo fígado em resposta a inflamação e sobe em poucas horas. É um marcador inespecífico: mostra que existe inflamação, não onde nem por quê. A versão ultrassensível é o mesmo exame com sensibilidade maior, usada para estimar risco cardiovascular.
TGO (AST)
TGOA TGO, também chamada de AST, é uma enzima presente no fígado, nos músculos e no coração. Um valor alto não aponta uma causa única: pode vir do fígado, de um esforço físico recente ou de outro tecido lesionado, e por isso quase sempre é lido junto com a TGP.
Vitamina B12
A vitamina B12 participa da produção das hemácias e do funcionamento do sistema nervoso. Níveis baixos podem causar anemia e alterações neurológicas, às vezes antes de aparecerem no hemograma.
Ácido fólico
O ácido fólico, ou folato, é necessário para a produção de hemácias e para a formação do sistema nervoso do feto na gestação. Níveis baixos aparecem na anemia macrocítica e, antes ou no início da gravidez, aumentam o risco de má-formação do tubo neural.
Hemoglobina glicada
HbA1cA hemoglobina glicada, ou HbA1c, mostra a média da glicose no sangue nos últimos dois a três meses. Diferente da glicemia de jejum, não exige jejum e reflete um período mais longo, o que a torna um dos exames centrais no diagnóstico e no acompanhamento do diabetes. Anemias e alterações da hemoglobina podem distorcer esse resultado.
TGP (ALT)
TGPA TGP, ou ALT, é a enzima hepática mais específica pedida em exames de rotina. Ela se eleva quando as células do fígado sofrem algum tipo de agressão, e o grau da elevação ajuda a diferenciar causas comuns, como esteatose, de quadros mais agudos, como hepatite viral.
VHS
VHSO VHS mede a velocidade com que as hemácias sedimentam em uma hora, um reflexo indireto das proteínas inflamatórias do sangue. A referência não é única: sobe com a idade e é mais alta em mulheres, e a fórmula de Miller permite estimar o limite de cada pessoa.
Gama-GT (GGT)
GGTA gama-GT, ou GGT, é uma enzima ligada ao fígado e às vias biliares, sensível ao consumo de álcool mas também a gordura no fígado, obstrução biliar e uso de vários medicamentos comuns. É por isso que ela sobe até em quem não bebe.
Insulina de jejum
A insulina de jejum mede a quantidade desse hormônio circulando no sangue depois de um período sem comer. É usada, junto com a glicemia, para calcular o HOMA-IR, um índice que estima resistência à insulina. A literatura não tem consenso fechado sobre os pontos de corte desse índice, e o resultado isolado da insulina tem valor limitado fora desse contexto.
Ácido úrico
O ácido úrico é o produto final da quebra das purinas, substâncias presentes nas próprias células do corpo e em alguns alimentos. Em excesso, pode se depositar em forma de cristais nas articulações e causar crises de gota, ou nos rins e formar cálculos. Um valor alto isolado, sem sintomas, nem sempre precisa de tratamento.
Creatinina
A creatinina é um produto do metabolismo muscular filtrado pelos rins. O valor isolado diz menos do que parece: ele depende também da quantidade de massa muscular da pessoa, e por isso quase sempre é convertido na taxa de filtração glomerular estimada antes de virar conclusão sobre a função renal.
Ureia
A ureia é o produto final da quebra de proteínas, eliminado pelos rins. Ela costuma ser pedida junto com a creatinina, porque as duas juntas dão pistas diferentes: a ureia reage mais rápido a desidratação, sangramento digestivo e dieta rica em proteína, enquanto a creatinina reflete melhor a função renal isolada.
Vitamina D (25-hidroxivitamina D)
A vitamina D dosada no sangue é a 25-hidroxivitamina D, forma de depósito usada para avaliar as reservas do organismo. Não existe um único número aceito por todas as sociedades médicas como alvo ideal, e essa divergência muda o que conta como resultado satisfatório dependendo de quem emitiu a diretriz.
Hormônios
Hormônios funcionam como mensagens químicas: são produzidos em um lugar e agem em outro. Uma dosagem isolada mostra a concentração naquele instante, e vários hormônios variam ao longo do dia ou do ciclo menstrual.
TSH
TSHO TSH é o hormônio que a hipófise usa para comandar a tireoide. A leitura é invertida: valor alto costuma apontar tireoide pouco ativa, valor baixo aponta tireoide acelerada. É o exame de entrada na avaliação tireoidiana.
T4 livre
T4LO T4 livre é a parte do hormônio tireoidiano que circula solta no sangue e entra nas células. Enquanto o TSH mostra a ordem que a hipófise está dando, o T4 livre mostra o que a tireoide de fato entregou.
T3
T3O T3 é a forma mais ativa do hormônio tireoidiano, produzida em boa parte fora da tireoide, a partir do T4. É útil em situações específicas, principalmente no hipertireoidismo, e enganoso quando pedido sozinho.
Cortisol sérico
O cortisol é o hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais que regula açúcar no sangue, pressão e resposta ao estresse. A concentração varia várias vezes ao longo do dia, então o resultado só faz sentido junto com o horário exato da coleta.
Testosterona total
A testosterona total mede todo o hormônio que circula no sangue, ligado a proteínas ou livre. As faixas de homens e mulheres são separadas por uma ordem de grandeza, e o valor cai ao longo do dia, o que torna a coleta matinal parte do exame.
Prolactina
PRLA prolactina é produzida pela hipófise e tem como função mais conhecida a produção de leite. Ela sobe com estresse, sono, medicamentos e agulhada, o que faz da elevação leve um achado comum e frequentemente sem doença por trás.
Gastrointestinal
Investigar o intestino costuma envolver exames que a maioria das pessoas nunca ouviu falar antes de receber o pedido. Calprotectina, elastase, teste respiratório: nomes técnicos para perguntas bem concretas sobre inflamação, digestão e absorção.
Calprotectina fecal
A calprotectina fecal é uma proteína liberada por células de defesa quando existe inflamação na parede do intestino. O valor sobe na doença inflamatória intestinal e permanece baixo na síndrome do intestino irritável, e é essa separação que faz o exame ser pedido.
Elastase pancreática fecal
FE-1A elastase pancreática fecal mede uma enzima digestiva produzida pelo pâncreas e eliminada quase intacta nas fezes. Aqui a lógica é invertida em relação à maioria dos exames: o resultado alterado é o valor baixo, que aponta para insuficiência pancreática exócrina.
Pesquisa de sangue oculto nas fezes
FITA pesquisa de sangue oculto nas fezes detecta pequenas quantidades de sangue que não dá para ver a olho nu. O teste imunoquímico, chamado de FIT, reconhece só a hemoglobina humana e é o método usado hoje no rastreamento do câncer de intestino.
Parasitológico de fezes
EPFO parasitológico de fezes procura ovos, cistos e larvas de parasitas intestinais no microscópio. Como a eliminação desses elementos é irregular, o exame costuma ser pedido em três amostras colhidas em dias alternados.
Teste respiratório de hidrogênio e metano
O teste respiratório mede hidrogênio e metano no ar que você expira depois de tomar uma solução de açúcar. Esses gases não são produzidos por células humanas: eles vêm da fermentação bacteriana, e o padrão da curva ajuda a investigar supercrescimento bacteriano e intolerâncias a carboidratos.
Urina
A urina é o resultado do trabalho de filtragem dos rins, e analisá-la revela tanto o funcionamento renal quanto sinais de infecção e de outras condições.
EAS (urina tipo 1)
EASO EAS, ou urina tipo 1, é um exame de triagem que analisa a urina em três partes: aspecto físico, reação química por fita reagente e microscopia do sedimento. Cada item do laudo aponta para uma pista diferente sobre rins e vias urinárias.
Urocultura
A urocultura mostra se há bactéria crescendo na urina e em que quantidade. Quando o resultado é positivo, o antibiograma testado junto mostra a quais antibióticos aquela bactéria responde em laboratório.
Microalbuminúria (relação albumina-creatinina)
RACA microalbuminúria mede a quantidade de albumina que passa para a urina, comparada com a creatinina da mesma amostra. É um dos primeiros sinais de que o rim está deixando escapar proteína, útil sobretudo no acompanhamento de diabetes e hipertensão.
Exames de imagem
Exames de imagem produzem um laudo descritivo, não um número com faixa de referência. Isso muda a forma de ler: o que importa é entender os termos que o radiologista usou e o peso de cada achado.
Ultrassonografia abdominal
USG abdomeA ultrassonografia abdominal usa ondas de som para formar imagens dos órgãos de dentro da barriga. O resultado não é um número, e sim um texto descritivo: o laudo conta o que o médico enxergou em cada órgão, com um vocabulário técnico que assusta mais do que deveria.
Tomografia computadorizada
TCA tomografia computadorizada gira um tubo de raios X ao redor do corpo e monta imagens em fatias finas, com muito mais detalhe que a radiografia comum. O resultado é um laudo descritivo cheio de termos técnicos: densidade, realce, unidades Hounsfield, nódulo.
Ressonância magnética
RMA ressonância magnética forma imagens a partir do comportamento da água do corpo dentro de um campo magnético forte, sem radiação. É o exame que mais detalha tecidos moles, e o laudo vem cheio de termos próprios: T1, T2, hipersinal, restrição à difusão.
Raio-X de tórax
RX tóraxO raio-X de tórax é o exame de imagem mais pedido do mundo: rápido, barato e com pouca radiação. Ele mostra pulmões, coração, pleura e ossos numa única imagem achatada, e o laudo descreve o que apareceu com um vocabulário próprio.
Procedimentos
Procedimentos diagnósticos combinam visualização direta e, muitas vezes, coleta de material para análise. O preparo pesa mais aqui do que em qualquer outra categoria: um preparo incompleto costuma inutilizar o exame.
Colonoscopia
A colonoscopia examina o intestino grosso por dentro com uma câmera flexível. É o único exame que encontra e remove pólipos no mesmo momento, o que o torna a principal ferramenta de prevenção do câncer de intestino. O preparo é a parte que define a qualidade do resultado.
Endoscopia digestiva alta
EDAA endoscopia digestiva alta examina esôfago, estômago e a primeira parte do intestino delgado com uma câmera flexível. O laudo costuma vir com termos que parecem graves e raramente são, como gastrite enantematosa leve de antro.