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Gastrointestinal Função pancreática FE-1

Elastase pancreática fecal

Resumo rápido: A elastase pancreática fecal mede uma enzima digestiva produzida pelo pâncreas e eliminada quase intacta nas fezes. Aqui a lógica é invertida em relação à maioria dos exames: o resultado alterado é o valor baixo, que aponta para insuficiência pancreática exócrina.

Material
Fezes
Jejum
Em geral não exige
Última revisão

Seu resultado

Interativo

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µg/g
0 600 µg/g

Digite um valor

Acima de 200 µg/g é o resultado considerado normal na maior parte das diretrizes. Torna a insuficiência pancreática exócrina significativa pouco provável e direciona a investigação da diarreia ou da má absorção para outras causas. Valores muito altos não indicam problema nenhum. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.

O que é

A elastase-1 é uma enzima que o pâncreas produz para digerir proteínas. Diferente de outras enzimas pancreáticas, ela atravessa o intestino praticamente sem ser degradada, então a quantidade que aparece nas fezes reflete de perto o quanto o pâncreas está produzindo.

O laboratório mede quantos microgramas de elastase existem em cada grama de fezes. Muita elastase significa pâncreas produzindo bem. Pouca elastase significa que a produção caiu, quadro chamado de insuficiência pancreática exócrina.

Preste atenção à direção da escala neste exame. Na maior parte dos marcadores um valor alto é o sinal de alerta. Aqui é o contrário: quanto mais baixo o número, maior a preocupação. Valores altos não têm significado clínico próprio.

Para que serve

Investigar má digestão de gordura

Fezes gordurosas, claras, volumosas e que boiam, junto com gases e perda de peso, levantam a suspeita de que a gordura não está sendo digerida. A elastase é o exame de primeira linha nessa investigação porque é simples e não invasivo.

Avaliar o pâncreas na pancreatite crônica

Na pancreatite crônica o tecido pancreático vai sendo substituído por fibrose e a produção de enzimas cai ao longo dos anos. A elastase mostra quanto dessa função ainda resta.

Rastrear insuficiência em condições de risco

Fibrose cística, cirurgia pancreática prévia, pancreatite aguda grave, diabetes de longa data e câncer de pâncreas cursam com queda da função exócrina, e o exame entra no acompanhamento dessas situações.

Explicar sintomas que persistem apesar de outros exames normais

Diarreia crônica com colonoscopia, endoscopia e sorologia para doença celíaca sem alteração é um cenário em que a função pancreática costuma ser checada.

Como é feito e preparo

Coleta

Uma amostra única de fezes, colhida em casa no frasco do laboratório. Não precisa juntar fezes de vários dias. O ideal é que a amostra seja de fezes formadas ou pastosas.

Preparo

Não exige jejum nem dieta especial. A reposição de enzimas pancreáticas em cápsula normalmente não precisa ser suspensa, porque os ensaios com anticorpo monoclonal reconhecem só a elastase humana e não a enzima de origem suína do medicamento. Confirme essa orientação com o laboratório e com quem pediu o exame.

Metodologia habitual: Imunoensaio ELISA com anticorpo monoclonal para elastase-1 humana.

Valores de referência

0 600 µg/g
  • Baixo
  • Limítrofe
  • Adequado

Deslize a tabela para o lado

Perfil Faixa habitual
Adultos, função preservada acima de 200 µg/g
Insuficiência leve a moderada Faixa de menor precisão do exame 100 a 200 µg/g
Insuficiência grave abaixo de 100 µg/g
Crianças Recém-nascidos, sobretudo prematuros, podem ter valores mais baixos nos primeiros dias acima de 200 µg/g a partir das primeiras semanas de vida

Os cortes de 100 e 200 µg/g vêm de diretrizes internacionais, mas o desempenho do exame cai bastante na faixa intermediária. Fezes líquidas diluem a amostra e derrubam o resultado sem que exista doença do pâncreas. Use a faixa impressa no seu laudo e repita em fezes formadas quando o resultado não bater com o quadro.

Insuficiência pancreática grave

Abaixo de 100 µg/g é o valor mais associado a insuficiência pancreática exócrina importante, com produção de enzimas bem reduzida. É a faixa em que o exame tem melhor desempenho, e a que costuma levar à discussão sobre reposição de enzimas e à investigação da causa da perda de função.

Insuficiência leve a moderada

Entre 100 e 200 µg/g o resultado sugere redução da função pancreática, mas com menos certeza. Nessa faixa o exame perde precisão e resultados falsamente baixos são frequentes, principalmente quando as fezes estão líquidas. A interpretação depende muito dos sintomas e costuma pedir repetição ou exames de imagem do pâncreas.

Função pancreática preservada

Acima de 200 µg/g é o resultado considerado normal na maior parte das diretrizes. Torna a insuficiência pancreática exócrina significativa pouco provável e direciona a investigação da diarreia ou da má absorção para outras causas. Valores muito altos não indicam problema nenhum.

Resultado alto e resultado baixo

Resultado baixo

Elastase baixa aponta para produção reduzida de enzimas pelo pâncreas. O passo seguinte não é tratar o número, é descobrir por que a função caiu, porque as causas vão de pancreatite crônica a cirurgias prévias e fibrose cística. Antes disso, vale conferir se a amostra era adequada.

  • Pancreatite crônica, principalmente em fase avançada
  • Fibrose cística
  • Cirurgia com ressecção de parte do pâncreas ou do estômago
  • Câncer de pâncreas e obstrução do ducto pancreático
  • Pancreatite aguda grave com perda de tecido
  • Diabetes de longa duração
  • Doença celíaca e doença de Crohn com comprometimento da estimulação do pâncreas
  • Amostra de fezes líquidas, que produz resultado falsamente baixo

O que pode interferir no resultado

  • Fezes líquidas ou diarreia no dia da coleta, que diluem a amostra
  • Coleta feita durante episódio agudo de gastroenterite
  • Uso recente de laxantes ou preparo para colonoscopia
  • Contraste de bário administrado nos dias anteriores
  • Ensaios antigos com anticorpo policlonal, que podem reagir com a enzima de reposição de origem suína
  • Amostra guardada por muito tempo ou em temperatura inadequada

Quando procurar ajuda

Leve o resultado ao médico se a elastase vier abaixo da faixa do laudo, sobretudo com fezes gordurosas, perda de peso sem explicação, distensão abdominal ou dor nas costas em faixa. Perda de peso rápida, icterícia ou dor abdominal persistente junto com elastase baixa pedem avaliação sem esperar, porque essa combinação exige investigar o pâncreas com imagem. Valor normal em quem continua com diarreia crônica também merece consulta, já que a causa está em outro lugar.

Perguntas para levar à consulta

  1. Meu valor indica insuficiência pancreática ou pode ter sido efeito da consistência das fezes?
  2. Vale repetir o exame com fezes formadas antes de concluir alguma coisa?
  3. Preciso de exame de imagem do pâncreas para investigar a causa?
  4. Meus sintomas combinam com má absorção de gordura ou com outra coisa?
  5. Devo checar vitaminas lipossolúveis e outros marcadores nutricionais?

Perguntas frequentes

Elastase pancreática 80 é baixa?

Sim. Abaixo de 100 µg/g é a faixa associada a insuficiência pancreática exócrina grave na maioria das diretrizes. O resultado sozinho não diz a causa, e ela pode ir de pancreatite crônica a cirurgia pancreática prévia ou fibrose cística. Antes de concluir, verifique se as fezes estavam formadas, porque amostra líquida derruba o valor.

Elastase 150 significa que meu pâncreas está falhando?

Está na faixa intermediária, entre 100 e 200 µg/g, que costuma ser lida como insuficiência leve a moderada. É a região em que o exame erra mais. Resultado nessa faixa, em pessoa sem sintomas de má absorção, com frequência é repetido antes de qualquer conclusão.

Qual é o valor normal da elastase pancreática fecal?

Acima de 200 µg/g é considerado normal na maior parte das referências. Diferente de outros exames, aqui não existe limite superior de preocupação: valores de 400, 500 ou mais são apenas normais. Confira a faixa impressa no seu laudo, porque ela reflete o kit usado pelo laboratório.

Elastase alta é ruim?

Não. A elastase pancreática fecal só tem significado clínico quando está baixa. Um valor acima da referência indica que o pâncreas está produzindo enzimas normalmente e não aponta nenhuma doença.

Preciso parar a enzima pancreática antes do exame?

Nos kits atuais, que usam anticorpo monoclonal contra a elastase humana, a reposição em cápsula não interfere, porque a enzima do medicamento é de origem suína e não é reconhecida pelo teste. Ainda assim, avise o laboratório e quem pediu o exame, já que ensaios mais antigos podiam sofrer interferência.

Diarreia atrapalha o exame de elastase?

Atrapalha bastante. Fezes líquidas diluem a amostra e produzem resultados falsamente baixos. Se você coletou em um dia de diarreia e o resultado veio baixo, a repetição com fezes formadas costuma ser recomendada antes de firmar a interpretação.

Elastase baixa quer dizer câncer de pâncreas?

Não. A causa mais comum de elastase baixa é a pancreatite crônica, e há uma lista de outras explicações, incluindo cirurgias prévias, fibrose cística e diabetes de longa data. Tumor de pâncreas entra na investigação quando há perda de peso, icterícia ou dor persistente, e a avaliação depende de imagem, não deste exame.

Como sei se estou com má absorção de gordura?

Os sinais que costumam aparecer são fezes volumosas, claras, com aspecto oleoso e difíceis de dar descarga, além de gases, distensão e perda de peso mesmo comendo normal. A elastase ajuda a checar a parte pancreática dessa história, e o restante depende de avaliação clínica.

Fontes e revisão

  1. United European Gastroenterology evidence-based guidelines for the diagnosis and therapy of chronic pancreatitis (HaPanEU). United European Gastroenterology, publicado no United European Gastroenterology Journal , 2017.
  2. ACG Clinical Guideline: Chronic Pancreatitis. American College of Gastroenterology , 2020.
  3. Pancreatitis (NG104). National Institute for Health and Care Excellence (NICE) , 2018.

Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame

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