Vitamina D (25-hidroxivitamina D)
Resumo rápido: A vitamina D dosada no sangue é a 25-hidroxivitamina D, forma de depósito usada para avaliar as reservas do organismo. Não existe um único número aceito por todas as sociedades médicas como alvo ideal, e essa divergência muda o que conta como resultado satisfatório dependendo de quem emitiu a diretriz.
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Valor considerado adequado pela maioria das diretrizes, incluindo as voltadas a grupos de risco. Não há benefício demonstrado em manter a vitamina D acima de 60 ng/mL, mesmo entre quem defende um alvo mais alto para grupos específicos. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.
O que é
A vitamina D é produzida na pele a partir da exposição à luz solar e também é obtida por poucos alimentos e suplementos. Antes de ficar ativa, ela passa por duas transformações: primeiro no fígado, virando 25-hidroxivitamina D, e depois nos rins, virando a forma ativa que age nas células.
O exame de sangue mede a 25-hidroxivitamina D, e não a forma ativa. Essa escolha existe porque a 25-hidroxivitamina D circula em concentração maior e mais estável, o que a torna o melhor indicador das reservas totais de vitamina D do organismo ao longo das últimas semanas.
A vitamina D participa da absorção intestinal de cálcio e fósforo e da manutenção óssea. É por isso que a deficiência prolongada está ligada a fraqueza óssea, e por isso o exame é pedido com frequência em investigação de osteoporose, quedas em idosos e certas doenças autoimunes e intestinais.
Para que serve
Investigar saúde óssea
Entra na avaliação de osteoporose, osteomalacia e quedas de repetição em idosos, junto com cálcio, fósforo e paratormônio.
Explicar dor óssea e muscular
A deficiência prolongada aparece com frequência na investigação de dor óssea difusa, fraqueza muscular e cansaço.
Acompanhar doenças que afetam a absorção intestinal
Doença celíaca, doença inflamatória intestinal e cirurgia bariátrica reduzem a absorção de vitamina D, e o exame ajuda a monitorar essas situações.
Guiar reposição em grupos de risco
Ajuda a decidir se vale suplementar e em que dose em gestantes, idosos, pessoas com doença renal crônica e outras condições associadas a reservas baixas.
Como é feito e preparo
Coleta
Uma amostra de sangue venoso, geralmente do braço, com a mesma técnica de qualquer coleta de rotina.
Preparo
Não exige jejum na maioria dos laboratórios. Como a orientação pode variar, confirme antes da coleta.
Metodologia habitual: Imunoensaio (quimioluminescência) ou cromatografia líquida acoplada a espectrometria de massa, considerada o método de referência.
Valores de referência
- Baixo
- Limítrofe
- Adequado
- Alto
Deslize a tabela para o lado
| Perfil | Faixa habitual |
|---|---|
| População geral, segundo o Institute of Medicine (IOM) Baseado em desfechos ósseos na população saudável | acima de 20 ng/mL |
| Grupos de risco, segundo a Endocrine Society e o consenso SBEM/SBPC-ML Inclui idosos com quedas ou fraturas, osteoporose, doença renal crônica, má absorção intestinal, hiperparatireoidismo, obesidade e gestação | acima de 30 ng/mL |
| Alvo superior de segurança Nenhuma sociedade recomenda manter a vitamina D acima disso rotineiramente | até cerca de 60 ng/mL |
Vale ser direto sobre isso: não existe consenso único entre as sociedades médicas para o valor ideal de vitamina D, e essa é uma divergência real, não uma falha de comunicação. O Institute of Medicine (IOM), voltado à população geral saudável, considera 20 ng/mL suficiente para a saúde óssea. Já a Endocrine Society e o posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) recomendam um alvo de pelo menos 30 ng/mL para grupos de risco, como idosos com histórico de quedas, pessoas com osteoporose, doença renal crônica ou má absorção intestinal. Um valor de 25 ng/mL, por exemplo, pode ser lido como suficiente ou insuficiente dependendo de qual diretriz orienta a leitura e se a pessoa se encaixa em algum grupo de risco. Converse com quem pediu o exame sobre qual referência está sendo usada no seu caso.
Deficiência
Valor associado a risco aumentado de problemas ósseos, incluindo osteomalacia em adultos e raquitismo em crianças, além de hiperparatireoidismo secundário. É a faixa em que praticamente todas as sociedades concordam que existe deficiência.
Insuficiência (zona de divergência entre sociedades)
Aqui está o ponto de maior discordância na literatura. Para o Institute of Medicine, valores acima de 20 ng/mL já são suficientes para a saúde óssea da população geral. Para a Endocrine Society e para o consenso da SBEM com a SBPC/ML, essa faixa ainda é considerada insuficiente, principalmente em grupos de risco, que se beneficiam de um alvo mais alto.
Faixa considerada suficiente
Valor considerado adequado pela maioria das diretrizes, incluindo as voltadas a grupos de risco. Não há benefício demonstrado em manter a vitamina D acima de 60 ng/mL, mesmo entre quem defende um alvo mais alto para grupos específicos.
Acima do habitual
Valores nessa faixa costumam vir de suplementação em dose alta. A toxicidade propriamente dita, com hipercalcemia, geralmente só aparece acima de 150 ng/mL, mas vale reavaliar a dose do suplemento com quem prescreveu.
Resultado alto e resultado baixo
Resultado alto
Vitamina D alta quase sempre vem de suplementação em dose elevada, não de exposição solar ou alimentação, porque o corpo regula naturalmente a produção que ocorre na pele. Só passa a preocupar quando ultrapassa valores associados a hipercalcemia.
- Suplementação em dose alta, isolada ou prolongada
- Erro de dose ou de formulação do suplemento
- Uso concomitante de suplementos de cálcio em dose elevada
- Raramente, algumas doenças granulomatosas, como sarcoidose
Resultado baixo
Vitamina D baixa é um achado comum, principalmente em quem tem pouca exposição solar, pele mais escura, obesidade ou má absorção intestinal. A prevalência de valores baixos na população é alta, o que também alimenta parte da discussão sobre onde fixar o limiar de normalidade.
- Pouca exposição à luz solar
- Pele mais escura, que produz menos vitamina D com a mesma exposição solar
- Obesidade, que sequestra a vitamina D no tecido gorduroso
- Má absorção intestinal, como na doença celíaca e na doença inflamatória intestinal
- Doença renal crônica ou doença hepática avançada
- Uso de certos medicamentos, incluindo alguns anticonvulsivantes
- Idade avançada, que reduz a capacidade da pele de produzir vitamina D
O que pode interferir no resultado
- Estação do ano e quantidade de exposição solar nas semanas anteriores
- Uso de protetor solar de forma consistente
- Suplementação recente de vitamina D
- Obesidade
- Doença hepática ou renal
- Método usado pelo laboratório, com variação relevante entre técnicas
Quando procurar ajuda
Leve o resultado ao médico se a vitamina D estiver fora da faixa considerada adequada para o seu caso, principalmente se você tiver osteoporose, histórico de fraturas ou quedas, doença renal crônica, doença que afete a absorção intestinal ou estiver grávida. Dor óssea, fraqueza muscular importante ou sintomas de excesso, como náusea persistente e sede excessiva em quem toma suplemento, merecem avaliação sem demora.
Perguntas para levar à consulta
- Meu valor é suficiente considerando meu grupo de risco, ou o alvo para mim é mais alto?
- Vale suplementar, e em que dose e por quanto tempo?
- Preciso investigar cálcio, fósforo e paratormônio junto com a vitamina D?
- Em quanto tempo devo repetir o exame depois de iniciar a suplementação?
- Alguma condição que eu tenho reduz a absorção de vitamina D?
Perguntas frequentes
Vitamina D 22 precisa repor?
Depende de qual diretriz orienta a leitura e se você está em algum grupo de risco. Pelo critério do Institute of Medicine para a população geral, 22 ng/mL já seria considerado suficiente. Pelo critério da Endocrine Society e do consenso SBEM/SBPC-ML, usado com frequência para grupos de risco, esse valor ainda é insuficiente. Vale discutir com quem pediu o exame qual referência se aplica ao seu caso.
Qual é o valor ideal de vitamina D?
Não existe um número único aceito por todas as sociedades médicas. Em geral, valores abaixo de 20 ng/mL são reconhecidos como deficiência por qualquer critério, e valores entre 30 e 60 ng/mL são considerados suficientes na maior parte das diretrizes. A faixa entre 20 e 30 ng/mL é onde a divergência é real.
Vitamina D baixa causa cansaço?
Pode contribuir para fadiga e fraqueza muscular, principalmente em deficiência mais acentuada, mas cansaço tem muitas outras causas possíveis. A vitamina D baixa raramente explica cansaço sozinha, e vale investigar outras hipóteses junto.
Preciso tomar sol para melhorar a vitamina D?
A exposição solar sem protetor, por curtos períodos e em horários de menor risco para a pele, aumenta a produção de vitamina D. A quantidade necessária varia com o tom de pele, a estação do ano e a latitude, e para muitas pessoas a suplementação é o caminho mais previsível.
Vitamina D muito alta faz mal?
Só em doses bem elevadas e mantidas por tempo prolongado, quase sempre por suplementação em excesso. A toxicidade com hipercalcemia costuma aparecer acima de 150 ng/mL, valor bem acima do que a exposição solar ou a alimentação conseguem produzir.
Por que meu exame diz uma coisa e o médico fala outra sobre o que é normal?
Porque as sociedades médicas usam critérios diferentes. Muitos laboratórios imprimem no laudo a faixa do Institute of Medicine, voltada à população geral, enquanto o médico pode estar usando o critério da Endocrine Society ou do consenso SBEM/SBPC-ML, voltado a grupos de risco. As duas leituras são válidas, mas partem de objetivos diferentes.
Preciso repetir o exame depois de começar a suplementação?
Em geral sim, com um intervalo de alguns meses, porque a vitamina D no sangue demora para refletir a reposição. O intervalo exato depende da dose usada e é melhor definido por quem acompanha o caso.
Fontes e revisão
- Evaluation, Treatment, and Prevention of Vitamin D Deficiency: an Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Endocrine Society , 2011.
- Dietary Reference Intakes for Calcium and Vitamin D. Institute of Medicine (IOM) / National Academy of Medicine , 2011.
- Consenso sobre a coleta e a interpretação laboratorial do exame vitamina D. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) , 2017.
Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame
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