Teste respiratório de hidrogênio e metano
Resumo rápido: O teste respiratório mede hidrogênio e metano no ar que você expira depois de tomar uma solução de açúcar. Esses gases não são produzidos por células humanas: eles vêm da fermentação bacteriana, e o padrão da curva ajuda a investigar supercrescimento bacteriano e intolerâncias a carboidratos.
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Elevação de até 10 ppm de hidrogênio sobre a linha de base é o que se espera em um teste sem alteração. Nessa faixa, o exame não sustenta diagnóstico de supercrescimento bacteriano nem de má absorção do açúcar testado. Atenção: para o metano a leitura é diferente, porque o critério dele não é o aumento e sim o valor absoluto. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.
O que é
O corpo humano não produz hidrogênio nem metano. Quando esses gases aparecem no ar expirado, eles vieram de micro-organismos do trato digestivo fermentando carboidratos. Parte do gás produzido no intestino é absorvida pelo sangue, chega aos pulmões e sai na respiração, e é isso que o aparelho mede.
O exame começa com uma amostra em jejum, chamada de linha de base. Depois você toma uma solução com um açúcar específico, lactulose, glicose, lactose ou frutose, e sopra em intervalos regulares por duas a três horas. O resultado é uma curva de partes por milhão ao longo do tempo, para hidrogênio e para metano.
O açúcar escolhido define a pergunta. Lactulose e glicose investigam supercrescimento bacteriano no intestino delgado, o SIBO. Lactose e frutose investigam se aquele açúcar específico está sendo mal absorvido e chegando ao cólon.
Medir metano junto com hidrogênio virou padrão por um motivo prático: parte das pessoas tem flora dominada por microrganismos que consomem hidrogênio e produzem metano. Nelas, um teste que só medisse hidrogênio daria uma curva plana mesmo com fermentação intensa.
Para que serve
Investigar supercrescimento bacteriano no intestino delgado
Distensão abdominal que piora ao longo do dia, gases, diarreia ou constipação e desconforto após as refeições são as queixas que costumam levar ao teste com lactulose ou glicose.
Confirmar intolerância à lactose
Com solução de lactose, o exame mostra se o açúcar do leite está chegando ao cólon sem ser digerido. É uma alternativa ao teste genético e à curva glicêmica com lactose.
Avaliar má absorção de frutose e de outros carboidratos
Sintomas depois de frutas, mel e produtos com xarope de milho podem ser testados com solução de frutose, dentro da investigação de intolerâncias alimentares.
Identificar o padrão com metano
A produção aumentada de metano se associa com mais frequência a constipação e distensão, e reconhecer esse padrão muda a leitura do quadro em relação ao padrão só com hidrogênio.
Como é feito e preparo
Coleta
Você sopra em um bocal ligado a um analisador ou a um coletor descartável. A primeira amostra é colhida em jejum, antes de tomar a solução. Depois disso as coletas se repetem a cada 15 ou 20 minutos, por 2 a 3 horas, conforme o protocolo. Não dói e não é invasivo.
Preparo
O preparo é o que mais compromete o exame quando é feito pela metade. As recomendações do consenso norte-americano são: evitar antibióticos por quatro semanas antes; evitar laxantes e procinéticos por uma semana; no dia anterior, fazer uma refeição sem fibras, sem leite e sem alimentos fermentáveis, com opções como arroz branco, carne assada ou grelhada, ovo e água; jejum de 8 a 12 horas; não fumar e não fazer exercício físico durante o teste, porque as duas coisas alteram a leitura. Escovar os dentes antes da primeira coleta reduz a fermentação de restos na boca.
Metodologia habitual: Cromatografia gasosa ou sensor eletroquímico, com medição simultânea de hidrogênio e metano em partes por milhão. Alguns aparelhos medem também dióxido de carbono para checar se a amostra é de ar alveolar.
Valores de referência
- Adequado
- Limítrofe
- Alto
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| Perfil | Faixa habitual |
|---|---|
| Hidrogênio, lactulose ou glicose Critério do consenso norte-americano de 2017 para supercrescimento bacteriano | aumento de 20 ppm ou mais sobre a linha de base em até 90 minutos |
| Metano, qualquer substrato Aqui vale o valor absoluto, incluindo a amostra em jejum, e não o aumento | 10 ppm ou mais em qualquer momento do teste |
| Hidrogênio, lactose Dose usual de 25 g de lactose | aumento de 20 ppm ou mais sobre a linha de base |
| Hidrogênio, frutose Dose usual de 25 g de frutose | aumento de 20 ppm ou mais sobre a linha de base |
Esses limiares vêm do consenso norte-americano de 2017 e foram construídos em cima de opinião de especialistas, com evidência de qualidade limitada. Serviços diferentes ainda usam pontos de corte diferentes, e o próprio valor do teste com lactulose é discutido: um pico precoce pode refletir trânsito intestinal rápido, com o açúcar chegando cedo ao cólon, em vez de bactéria a mais no intestino delgado. Leia o laudo junto com os sintomas e com quem pediu o exame.
Sem elevação relevante
Elevação de até 10 ppm de hidrogênio sobre a linha de base é o que se espera em um teste sem alteração. Nessa faixa, o exame não sustenta diagnóstico de supercrescimento bacteriano nem de má absorção do açúcar testado. Atenção: para o metano a leitura é diferente, porque o critério dele não é o aumento e sim o valor absoluto.
Elevação intermediária
Aumento entre 10 e 20 ppm de hidrogênio não preenche o critério do consenso norte-americano, que exige 20 ppm. É a faixa em que a interpretação depende do horário do pico, dos sintomas durante o exame e do preparo que você fez. Um preparo incompleto no dia anterior costuma explicar curvas nesse patamar.
Critério de positividade atingido
Aumento de 20 ppm ou mais de hidrogênio sobre a linha de base é o limiar adotado pelo consenso norte-americano de 2017. Nos testes com lactulose ou glicose, esse aumento precisa ocorrer nos primeiros 90 minutos para ser lido como supercrescimento bacteriano. Nos testes com lactose ou frutose, o mesmo aumento em qualquer momento indica que o açúcar não foi absorvido no intestino delgado.
Resultado alto e resultado baixo
Resultado alto
Curva positiva significa que houve fermentação de carboidrato em quantidade acima do esperado. O que isso representa depende do açúcar usado, do momento do pico e do gás que subiu. O teste aponta um padrão de fermentação; ele não fotografa o intestino nem identifica quais bactérias estão lá.
- Supercrescimento bacteriano no intestino delgado, quando o pico de hidrogênio ocorre nos primeiros 90 minutos com lactulose ou glicose
- Produção aumentada de metano por arqueias metanogênicas, associada com mais frequência à constipação
- Má absorção do açúcar testado, no caso de lactose e frutose
- Trânsito intestinal acelerado, que leva o substrato ao cólon antes do tempo e imita o padrão de SIBO
- Preparo incompleto, com fibras ou alimentos fermentáveis na véspera
- Alterações anatômicas como alças cegas, divertículos do delgado e cirurgias prévias
- Condições que reduzem a motilidade do intestino delgado, como diabetes de longa data e esclerose sistêmica
Resultado baixo
Curva plana quer dizer que a fermentação medida ficou dentro do esperado. Isso reduz a chance de supercrescimento bacteriano e de má absorção do açúcar testado, sem eliminar a possibilidade por completo, porque o exame tem pontos cegos conhecidos.
- Ausência de fermentação anormal do substrato usado
- Flora que produz sulfeto de hidrogênio, gás que a maioria dos aparelhos não mede
- Uso recente de antibiótico, que reduz a produção de gás de forma temporária
- Trânsito intestinal lento, com o substrato ainda não tendo chegado ao cólon no fim do teste
- Duração do teste menor que a necessária para captar o pico
O que pode interferir no resultado
- Antibióticos nas quatro semanas anteriores
- Laxantes e procinéticos na semana anterior
- Refeição com fibras, leite ou alimentos fermentáveis na véspera
- Jejum menor que 8 horas
- Fumar antes ou durante o exame
- Exercício físico durante o teste, que altera a ventilação e dilui o gás medido
- Uso de inibidores de bomba de prótons, discutido na literatura como fator que favorece o supercrescimento
- Higiene bucal ausente, com fermentação de restos alimentares na boca
Quando procurar ajuda
O laudo do teste respiratório sozinho não fecha diagnóstico e precisa ser lido junto com os sintomas. Leve-o ao médico principalmente quando houver distensão persistente, diarreia crônica, perda de peso ou piora depois de refeições específicas. Procure avaliação sem esperar se houver sangue nas fezes, febre, anemia ou perda de peso não intencional, porque esses sinais apontam para investigações que este exame não cobre. Curva negativa em quem segue com sintomas também merece consulta, já que o teste tem limitações reconhecidas.
Perguntas para levar à consulta
- Meu preparo foi adequado ou o resultado pode ter sido comprometido por ele?
- O substrato usado foi o mais indicado para a minha queixa?
- O pico apareceu antes ou depois dos 90 minutos, e o que isso muda na leitura?
- Meu resultado de metano foi avaliado separadamente do hidrogênio?
- Se o teste veio negativo e os sintomas continuam, quais são os próximos passos?
Perguntas frequentes
Aumento de 25 ppm de hidrogênio significa SIBO?
Preenche o critério do consenso norte-americano de 2017, que exige aumento de 20 ppm ou mais sobre a linha de base. No teste com lactulose ou glicose, esse aumento precisa acontecer nos primeiros 90 minutos. Preencher o critério não é o mesmo que ter o diagnóstico fechado: o padrão-ouro continua sendo a cultura de aspirado do intestino delgado, e o teste respiratório concorda com ela apenas em parte dos casos.
Metano 12 ppm é alterado?
Pelo critério de 2017, sim. Para o metano vale o valor absoluto de 10 ppm ou mais em qualquer momento do exame, inclusive na amostra em jejum, e não o aumento sobre a linha de base como acontece com o hidrogênio. Esse padrão se associa com mais frequência a constipação e distensão.
O teste respiratório para SIBO é confiável?
Ele é o exame mais acessível para essa investigação, e é o que as diretrizes recomendam na prática, mas a controvérsia é real. O teste com lactulose sofre com a possibilidade de trânsito intestinal rápido gerar um pico precoce sem que exista supercrescimento. O teste com glicose é mais específico e deixa passar quadros do intestino delgado distal. A concordância com a cultura de aspirado é modesta, e os próprios critérios de 2017 se apoiam em evidência de qualidade limitada.
Meu hidrogênio ficou plano o exame inteiro. Isso descarta SIBO?
Reduz a chance, mas não descarta. Uma parte das pessoas tem flora que consome hidrogênio e produz metano, e é por isso que os dois gases são medidos juntos. Existe ainda o sulfeto de hidrogênio, produzido por outro grupo de bactérias, que a maior parte dos aparelhos não mede. Antibiótico recente também derruba a curva.
Preciso mesmo de todo aquele preparo?
Precisa, e é a parte que mais estraga o exame. Fibras, leite e alimentos fermentáveis na véspera continuam sendo fermentados durante o teste e elevam a curva sem que exista doença. Antibiótico nas quatro semanas anteriores faz o contrário e derruba a produção de gás. Cigarro e exercício durante o exame também mudam a leitura.
Qual a diferença entre o teste com lactulose e o com glicose?
A glicose é absorvida nos primeiros trechos do intestino delgado, então uma curva positiva sugere bactéria naquela região; o teste é mais específico e deixa escapar quadros mais distais. A lactulose não é absorvida e percorre todo o intestino, o que amplia o alcance e ao mesmo tempo aumenta o risco de confundir supercrescimento com trânsito acelerado.
Esse teste serve para intolerância à lactose?
Serve, com solução de lactose no lugar da lactulose. A dose usual é de 25 g e o critério é o mesmo aumento de 20 ppm de hidrogênio sobre a linha de base. Um resultado positivo mostra que a lactose não foi absorvida no intestino delgado, e a correspondência com os sintomas que você sente durante o exame ajuda na interpretação.
Quanto tempo dura o exame?
De duas a três horas, com sopros a cada 15 ou 20 minutos. Você fica no laboratório durante todo esse período, sem comer, sem fumar e sem se exercitar. Vale levar algo para se ocupar e reservar a manhã.
Fontes e revisão
- Hydrogen and Methane-Based Breath Testing in Gastrointestinal Disorders: The North American Consensus. American Journal of Gastroenterology , 2017.
- ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. American College of Gastroenterology , 2020.
- AGA Clinical Practice Update on Small Intestinal Bacterial Overgrowth: Expert Review. American Gastroenterological Association, publicado em Gastroenterology , 2020.
Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame
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