Colonoscopia
Resumo rápido: A colonoscopia examina o intestino grosso por dentro com uma câmera flexível. É o único exame que encontra e remove pólipos no mesmo momento, o que o torna a principal ferramenta de prevenção do câncer de intestino. O preparo é a parte que define a qualidade do resultado.
O que é
A colonoscopia usa um tubo fino e flexível com câmera na ponta, introduzido pelo ânus, que percorre todo o intestino grosso e chega até o começo do intestino delgado. O médico vê a mucosa em tempo real numa tela.
O que diferencia esse exame dos demais é que ele não só olha, ele age. Pólipos encontrados no caminho podem ser removidos ali mesmo, e fragmentos de tecido podem ser coletados para análise no microscópio. Retirar um pólipo antes que ele evolua é o que faz a colonoscopia reduzir a mortalidade por câncer colorretal.
O exame é feito com sedação, aplicada por um anestesista ou pelo próprio serviço conforme o protocolo. Você não sente dor e, na maior parte dos casos, não se lembra do procedimento.
O laudo do dia é uma descrição do que foi visto e do que foi feito. Quando há biópsia ou remoção de pólipo, o resultado completo só fecha semanas depois, com o exame do material no laboratório de patologia. Os dois documentos são lidos juntos.
Para que serve
Rastrear câncer colorretal
É o principal exame de prevenção do câncer de intestino, indicado em rotina a partir de determinada idade e mais cedo em quem tem histórico familiar.
Remover pólipos
A retirada de pólipos durante o exame interrompe a sequência que leva parte deles ao câncer ao longo de anos.
Investigar sangramento e anemia
Sangue nas fezes, sangue oculto positivo e anemia por falta de ferro sem causa aparente estão entre as indicações mais frequentes.
Avaliar mudança do hábito intestinal
Diarreia persistente, mudança no calibre das fezes e dor abdominal crônica levam à investigação direta da mucosa.
Acompanhar doenças inflamatórias
Doença de Crohn e retocolite ulcerativa são diagnosticadas e monitoradas com colonoscopia e biópsias.
Como é feito e preparo
Coleta
Você chega em jejum, recebe acesso venoso e é sedado. O médico introduz o colonoscópio pelo ânus e avança até o ceco, geralmente confirmando a chegada com fotos das referências anatômicas. Ar ou gás carbônico é insuflado para abrir as pregas e permitir a visualização. O aparelho é retirado devagar, e é durante essa retirada que a maior parte da inspeção acontece. O exame dura em torno de 20 a 45 minutos. Depois você fica em observação até acordar bem, e não pode dirigir nem voltar sozinho para casa.
Preparo
O preparo é a parte que determina se o exame vai valer alguma coisa. O intestino precisa estar completamente limpo, porque resíduo esconde pólipo, e pólipo escondido é o único que não pode ser retirado. As orientações variam de serviço para serviço, mas o desenho costuma ser este: nos três dias que antecedem o exame, uma dieta com pouco resíduo, sem sementes, grãos, casca de frutas, folhas cruas e alimentos integrais. No dia anterior, dieta líquida sem resíduo, evitando líquidos de cor vermelha ou roxa, que mancham a mucosa e podem ser confundidos com sangue. À noite e na madrugada, a solução laxativa prescrita pelo serviço, tomada exatamente na quantidade e no horário indicados, acompanhada de bastante líquido claro. Uma parte da dose costuma ser reservada para as horas mais próximas do exame, esquema que produz limpeza melhor. O jejum absoluto começa algumas horas antes, conforme a orientação da equipe. Avise o serviço com antecedência se você usa anticoagulante, antiagregante, insulina, medicação para diabetes ou ferro por via oral, porque esses casos exigem planejamento prévio com o médico que prescreveu. Não interrompa medicamento por conta própria. O sinal de que o preparo funcionou é a evacuação terminar como líquido claro e amarelado, sem resíduo sólido. Se isso não acontecer, avise a equipe antes de sair de casa.
Metodologia habitual: Videocolonoscopia com sedação, com inspeção de todo o cólon e do íleo terminal quando indicado, e coleta de biópsias ou polipectomia conforme os achados.
Termos do laudo, traduzidos
O laudo deste exame é descritivo, não um número com faixa de referência. Estes são os termos que mais aparecem e o que costumam significar.
- Escala de Boston de preparo do cólon
- A nota de limpeza do intestino. O médico avalia três segmentos do cólon e dá de 0 a 3 pontos para cada um, somando de 0 a 9. Pontuação de 2 ou mais em cada segmento, com total de 6 ou mais, é considerada preparo adequado. Abaixo disso, o exame perde confiabilidade e o intervalo até a próxima colonoscopia costuma ser encurtado, às vezes com repetição em prazo curto. Não é uma nota sobre você, é uma informação técnica sobre o quanto o médico conseguiu enxergar.
- Pólipo
- Uma saliência da mucosa do intestino, como uma verruguinha ou um botão. Pólipo não é câncer. É um achado comum, principalmente depois dos 50 anos, e a maioria nunca viraria outra coisa. Alguns tipos, porém, têm potencial de evoluir ao longo de muitos anos, e por isso são retirados quando encontrados. O tipo exato só é conhecido depois da análise no microscópio.
- Adenoma
- O resultado da biópsia que diz que aquele pólipo era do tipo com potencial de evolução lenta para câncer, ao longo de anos ou décadas. Encontrar e retirar adenomas é exatamente o objetivo do exame. O que muda depois é o intervalo do próximo controle, definido pelo número, tamanho e características dos adenomas retirados.
- Pólipo hiperplásico
- O tipo mais comum de pólipo, e o de menor preocupação. Pólipos hiperplásicos pequenos no reto e no sigmoide não são considerados precursores de câncer e, em geral, não encurtam o intervalo até a próxima colonoscopia.
- Polipectomia
- A remoção do pólipo durante o exame, feita com pinça ou com uma alça que envolve a base da lesão. É indolor por causa da sedação. O material retirado vai para análise no microscópio, e é esse resultado que define o seguimento.
- Displasia de baixo ou de alto grau
- Termo do resultado da patologia, não do laudo do dia. Descreve o quanto as células do pólipo se afastavam do padrão normal. Baixo grau é a situação mais frequente. Alto grau indica alteração mais avançada dentro do pólipo, ainda restrita a ele, e não significa câncer instalado. Nos dois casos, a remoção completa da lesão costuma ser o ponto central, e o médico define o intervalo do controle.
- Divertículos / doença diverticular dos cólons
- Pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, mais comuns no sigmoide e com a idade. São muito frequentes e, na maioria das pessoas, não causam nenhum sintoma pelo resto da vida. O que preocupa é a inflamação dessas bolsas, chamada diverticulite, que é uma situação diferente e vem com dor e febre.
- Hemorroidas internas
- Dilatação dos vasos do canal anal, vistas na manobra de retrovisão no fim do exame. São extremamente comuns e explicam boa parte dos sangramentos vermelho-vivos ao evacuar. Encontrar hemorroida não encerra a investigação de sangramento: o exame continua olhando o resto do cólon, porque as duas coisas podem coexistir.
- Mucosa de aspecto normal / preservada
- O revestimento interno do intestino estava com cor, brilho e vascularização habituais no segmento descrito. É a descrição de normalidade.
- Íleo terminal intubado
- O aparelho passou pela válvula que separa o intestino delgado do grosso e examinou o último trecho do delgado. É um dado de qualidade do exame e importa especialmente quando a suspeita é de doença de Crohn.
- Ceco alcançado / intubação cecal
- O exame chegou até o final do intestino grosso, que é o objetivo. Se o laudo diz que o ceco não foi alcançado, uma parte do cólon não foi examinada, e o médico vai definir se cabe repetir ou complementar com outro método.
- Lesão elevada, plana ou deprimida
- Uma classificação do formato da lesão encontrada. Lesões planas e deprimidas são mais difíceis de ver e por isso o preparo bem-feito e o tempo de retirada do aparelho fazem tanta diferença. O formato entra na decisão de como retirar.
- Tatuagem com tinta de carbono
- Uma marca permanente feita na parede do intestino ao lado de uma lesão. Serve para que a região seja reencontrada com facilidade num exame futuro ou numa cirurgia. É um recurso técnico, não um sinal de gravidade.
- Aguardar resultado anatomopatológico
- Foi coletado material e ele está no laboratório. O laudo do dia descreve o que se viu, e a análise no microscópio é que define o tipo da lesão. O prazo costuma ser de uma a três semanas, e a leitura final junta os dois documentos.
O que pode interferir no resultado
- Preparo incompleto, que deixa resíduo cobrindo a mucosa e faz lesões passarem despercebidas
- Uso de ferro por via oral nos dias anteriores, que escurece o conteúdo intestinal e prejudica a visão
- Líquidos de cor vermelha, roxa ou laranja no preparo, que tingem a mucosa e confundem a avaliação
- Retirada rápida do aparelho, já que a inspeção acontece principalmente na saída
- Alças muito tortuosas ou cirurgias abdominais prévias, que dificultam chegar até o ceco
- Interrupção do preparo por náusea, o que deixa parte da solução sem ser tomada
Quando procurar ajuda
Nas horas seguintes ao exame é normal sentir cólica leve e eliminar gases, e um leve sangramento pode ocorrer quando houve biópsia ou retirada de pólipo. Procure atendimento de urgência se aparecer dor abdominal forte e crescente, barriga muito distendida e endurecida, febre, vômitos persistentes ou sangramento volumoso pelo ânus, com coágulos ou repetido. Antes do exame, avise a equipe se o preparo não produziu líquido claro, porque fazer a colonoscopia com o intestino sujo costuma significar repetir tudo depois.
Perguntas para levar à consulta
- Meu preparo foi adequado segundo a escala de Boston e isso muda o intervalo do próximo exame?
- Foram retirados pólipos e quantos? Qual era o tamanho deles?
- Quando sai o resultado da biópsia e como vou recebê-lo?
- Com base no que foi encontrado, em quantos anos devo repetir a colonoscopia?
- Meu histórico familiar muda a recomendação de rastreamento para mim e para meus parentes?
Perguntas frequentes
Pólipo na colonoscopia é câncer?
Não. Pólipo é uma saliência da mucosa e a maior parte é benigna. Alguns tipos, principalmente os adenomas, têm potencial de evoluir para câncer ao longo de anos ou décadas, e é justamente por isso que são retirados durante o exame. O tipo exato só é conhecido depois da análise no microscópio, e retirar o pólipo interrompe essa possível evolução.
O que é a escala de Boston na colonoscopia?
É a nota de limpeza do intestino. O médico avalia três segmentos do cólon, dá de 0 a 3 pontos para cada um e soma de 0 a 9. Preparo adequado costuma ser definido como 2 ou mais em cada segmento e total de 6 ou mais. Nota baixa significa que parte da mucosa não pôde ser bem vista, e o exame tende a ser repetido antes do prazo habitual.
Colonoscopia dói?
O exame é feito com sedação, então você não sente dor e geralmente não se lembra do procedimento. O desconforto real da colonoscopia está no preparo do dia anterior, com a solução laxativa e as idas ao banheiro. Depois do exame, cólicas leves e gases por algumas horas são esperados.
Divertículos no intestino são graves?
São muito comuns, principalmente depois dos 50 anos, e a maioria das pessoas com divertículos nunca terá sintoma nenhum. A preocupação é com a diverticulite, que é a inflamação dessas bolsas e vem com dor abdominal, geralmente do lado esquerdo inferior, e febre. Ter divertículos no laudo não significa estar com diverticulite.
Posso beber água antes da colonoscopia?
Líquidos claros costumam ser liberados até algumas horas antes, e beber bastante durante o preparo faz parte do processo. O que muda é o prazo do jejum absoluto, que varia de serviço para serviço. Siga a orientação escrita que você recebeu e, na dúvida, ligue para o serviço em vez de decidir por conta própria.
De quanto em quanto tempo preciso repetir a colonoscopia?
Depende do que foi encontrado, da qualidade do preparo e do seu histórico familiar. Quando o exame é normal, com bom preparo e sem fatores de risco, o intervalo costuma ser longo, de vários anos. A retirada de adenomas encurta esse intervalo conforme o número, o tamanho e o tipo das lesões. Quem define é o médico que acompanha o seu caso, com o laudo e a patologia em mãos.
Sangramento depois da colonoscopia é normal?
Um pequeno sangramento nas primeiras evacuações é comum quando houve biópsia ou remoção de pólipo. O que não é esperado é sangramento volumoso, com coágulos ou que se repete, e isso pede atendimento. Dor abdominal forte e crescente, febre e barriga muito distendida também são motivos para procurar urgência.
Hemorroida interna no laudo explica meu sangramento?
Pode explicar, e hemorroidas internas são das causas mais comuns de sangue vermelho-vivo ao evacuar. Ainda assim, o médico examina todo o cólon, porque as duas coisas podem existir ao mesmo tempo. Encontrar hemorroida não dispensa a avaliação do restante do intestino, principalmente quando há anemia ou mudança do hábito intestinal.
Fontes e revisão
- Bowel preparation for colonoscopy: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline - Update 2019. European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) , 2019.
- Post-polypectomy colonoscopy surveillance: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline - Update 2020. European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) , 2020.
- The Boston bowel preparation scale: a valid and reliable instrument for colonoscopy-oriented research. Gastrointestinal Endoscopy (American Society for Gastrointestinal Endoscopy) , 2009.
- Performance measures for lower gastrointestinal endoscopy: a European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Quality Improvement Initiative. European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) , 2017.
Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame
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