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Urina Microbiologia

Urocultura

Resumo rápido: A urocultura mostra se há bactéria crescendo na urina e em que quantidade. Quando o resultado é positivo, o antibiograma testado junto mostra a quais antibióticos aquela bactéria responde em laboratório.

Material
Urina
Jejum
Em geral não exige
Última revisão

O que é

A urocultura é o exame que confirma se existe infecção bacteriana na urina. A amostra é semeada em meio de cultura e incubada por um a dois dias, período em que bactérias presentes se multiplicam o suficiente para serem contadas e identificadas.

O resultado vem em UFC/mL, unidades formadoras de colônia por mililitro, uma estimativa de quantas bactérias viáveis havia na amostra original. Esse número, combinado com o tipo de coleta e a presença ou não de sintomas, é o que diferencia infecção de contaminação.

Quando o crescimento é considerado significativo, o laboratório costuma fazer o antibiograma na mesma amostra: testa a bactéria isolada contra uma série de antibióticos e informa se ela é sensível, intermediária ou resistente a cada um em condições de laboratório.

Para que serve

Confirmar infecção urinária

Sintomas como ardência, urgência e dor lombar sugerem infecção, mas é a urocultura que confirma a presença de bactéria e identifica qual espécie está causando o quadro.

Mostrar a quais antibióticos a bactéria responde

O antibiograma mostra a quais antibióticos a bactéria isolada responde em laboratório, informação que entra na decisão terapêutica junto com o quadro clínico.

Investigar infecção urinária de repetição

Episódios recorrentes costumam pedir urocultura a cada novo quadro, para checar se a bactéria mudou ou se desenvolveu resistência ao tratamento anterior.

Como é feito e preparo

Coleta

Como no EAS, a coleta ideal é por jato médio, em frasco estéril: desprezar o primeiro jato, coletar o meio da micção e descartar o final. Em bebês, pacientes acamados ou quando o jato médio não é possível, o laboratório pode usar sondagem ou punção suprapúbica, técnicas que reduzem ainda mais o risco de contaminação.

Preparo

Higienize a região genital só com água antes de coletar, sem sabonete antisséptico. A amostra ideal é a primeira urina da manhã ou uma urina que ficou pelo menos duas a três horas na bexiga, tempo que permite às bactérias se multiplicarem o suficiente para uma contagem confiável. Se não for processada de imediato, precisa chegar refrigerada ao laboratório em até duas horas.

Metodologia habitual: Semeadura quantitativa em meio de cultura (ágar CLED ou MacConkey, entre outros), contagem de UFC/mL e, quando há crescimento significativo de um único microrganismo, teste de sensibilidade a antibióticos (antibiograma).

Termos do laudo, traduzidos

O laudo deste exame é descritivo, não um número com faixa de referência. Estes são os termos que mais aparecem e o que costumam significar.

Cultura negativa
Não houve crescimento bacteriano na amostra, ou o crescimento ficou abaixo do limite considerado relevante. Em quem tem sintomas de infecção urinária, uma cultura negativa não descarta o quadro por completo: a coleta pode ter sido feita já em uso de antibiótico, ou o número de bactérias pode estar abaixo do limite de detecção do método.
Contagem significativa
Indica crescimento de um único tipo de bactéria em quantidade considerada compatível com infecção, e não apenas contaminação da coleta. O limiar clássico é 100.000 UFC/mL (10^5) em jato médio de paciente com sintomas, mas a literatura não é unânime sobre um único corte: contagens a partir de 1.000 UFC/mL (10^3) já são consideradas significativas em mulheres com sintomas típicos de cistite, e em amostras colhidas por sonda o limiar usado também costuma ser mais baixo.
Flora mista / contaminação
Crescimento de vários tipos diferentes de bactéria na mesma amostra, geralmente originárias da pele ou da região genital. É o achado mais comum quando a coleta não seguiu a técnica de jato médio, e o resultado costuma pedir nova coleta em vez de tratamento.
Bacteriúria assintomática
Contagem significativa de bactéria na urina em quem não tem nenhum sintoma urinário. Fora da gestação e de alguns procedimentos urológicos, a maior parte das diretrizes atuais não recomenda tratar esse achado, porque o risco de efeitos colaterais do antibiótico costuma superar o benefício. Em gestantes a conduta é diferente, e por isso vale sempre levar esse resultado ao médico do pré-natal.

O que pode interferir no resultado

  • Uso de antibiótico nos dias anteriores à coleta
  • Contaminação por técnica de coleta inadequada
  • Urina que ficou pouco tempo na bexiga antes da coleta
  • Demora para refrigerar ou processar a amostra
  • Ingestão excessiva de líquido antes da coleta, que dilui a contagem de bactérias
  • Uso de sonda vesical de longa permanência, que costuma colonizar a urina mesmo sem infecção

Quando procurar ajuda

Leve o resultado ao médico que solicitou o exame, principalmente se a urocultura vier positiva junto com febre, dor lombar, calafrio ou piora do estado geral, sinais que podem indicar que a infecção subiu até o rim. Infecções urinárias que se repetem várias vezes no mesmo ano também merecem investigação da causa, e não apenas tratamento do episódio isolado.

Perguntas para levar à consulta

  1. A contagem de UFC/mL do meu resultado é considerada significativa para o meu caso?
  2. O antibiograma mostra alguma resistência que muda a escolha do tratamento?
  3. Esse resultado pode ser contaminação, e vale repetir a coleta antes de decidir algo?
  4. Preciso investigar a causa das infecções urinárias de repetição?

Perguntas frequentes

Urocultura negativa, mas tenho sintomas de infecção. Como assim?

Acontece com alguma frequência. A causa mais comum é ter colhido a amostra já em uso de antibiótico, mesmo que poucas doses. Urina muito diluída ou tempo curto de retenção na bexiga antes da coleta também reduzem a chance de detectar a bactéria. Se os sintomas persistem, vale conversar sobre repetir o exame antes do uso de qualquer medicamento.

Urocultura positiva sem sintoma, preciso tratar?

Na maior parte dos casos, não. Isso é chamado de bacteriúria assintomática, e as diretrizes atuais não recomendam tratamento de rotina fora da gestação e de alguns procedimentos urológicos. Tratar sem necessidade expõe a efeitos colaterais do antibiótico e favorece resistência bacteriana, sem benefício comprovado na maioria dos casos.

O que é flora mista na urina?

É o crescimento de vários tipos diferentes de bactéria na mesma amostra, um padrão típico de contaminação da coleta, não de infecção verdadeira. Costuma acontecer quando a técnica de jato médio não foi seguida direito. A conduta geral é repetir a coleta com mais cuidado na higiene e no jato médio.

Quantas UFC/mL é considerado infecção urinária?

Depende do contexto. O valor clássico é 100.000 UFC/mL de um único microrganismo em jato médio de paciente sintomático, mas esse corte não é unânime: em mulheres com sintomas típicos de cistite, contagens a partir de 1.000 UFC/mL já costumam ser consideradas significativas. Em amostras colhidas por sonda, o limiar usado também é mais baixo.

Bacteriúria assintomática precisa de antibiótico?

Na maioria das situações não. A exceção mais consistente é a gestação, porque a bacteriúria assintomática na gravidez tem relação com maior risco de infecção urinária alta e de complicações na gestação, e por isso costuma ser tratada quando identificada no pré-natal.

O antibiograma veio resistente a quase tudo, o que fazer?

O antibiograma testa apenas os antibióticos incluídos naquele painel, e resistência a vários deles não significa ausência de opção de tratamento. Esse resultado precisa ser interpretado por quem está acompanhando o caso, que vai considerar o histórico do paciente e, se necessário, pedir um painel ampliado.

Posso repetir a urocultura se o resultado deu flora mista?

Sim, e essa costuma ser a conduta recomendada. Flora mista indica contaminação da amostra, não uma resposta sobre existir ou não infecção. Repetir a coleta com atenção à higiene e à técnica de jato médio costuma resolver o problema.

Fontes e revisão

  1. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Treatment of Asymptomatic Bacteriuria: 2019 Update. Infectious Diseases Society of America (IDSA) , 2019.
  2. International Clinical Practice Guidelines for the Treatment of Acute Uncomplicated Cystitis and Pyelonephritis in Women. Infectious Diseases Society of America (IDSA) e European Society for Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID) , 2011.
  3. Asymptomatic infections of the urinary tract. Kass EH, Transactions of the Association of American Physicians , 1956.

Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame

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