Testosterona total
Resumo rápido: A testosterona total mede todo o hormônio que circula no sangue, ligado a proteínas ou livre. As faixas de homens e mulheres são separadas por uma ordem de grandeza, e o valor cai ao longo do dia, o que torna a coleta matinal parte do exame.
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Faixa em que fica a maior parte dos homens adultos em coleta matinal. Sintomas de deficiência com valores aqui costumam ter outra explicação, e a investigação segue por outros caminhos. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.
O que é
A testosterona é o principal androgênio do corpo humano. Nos homens, quase toda a produção vem dos testículos, sob comando de LH e FSH, hormônios liberados pela hipófise. Nas mulheres, ela é produzida em quantidades bem menores pelos ovários e pelas suprarrenais, e continua tendo função em libido, massa muscular e densidade óssea.
O exame de testosterona total soma tudo que circula: a fração presa à SHBG, a fração presa à albumina e a pequena parte livre. Só as duas últimas conseguem agir nas células. Quando a SHBG está muito alta ou muito baixa, o total engana, e é aí que entram a testosterona livre e a biodisponível.
A concentração varia ao longo do dia, com pico nas primeiras horas da manhã e queda progressiva até a noite. Em homens jovens, essa diferença pode ser grande o suficiente para colocar o mesmo indivíduo dentro ou fora da faixa dependendo da hora da coleta. Por isso a recomendação é coletar entre 7h e 10h.
Nas mulheres, a interpretação usa outra régua. Os valores são baixos por natureza e o que costuma importar é o excesso, não a falta: testosterona elevada aparece na investigação de ciclos irregulares, acne persistente, queda de cabelo com padrão masculino e aumento de pelos. Não existe faixa validada de reposição de testosterona baseada em números para mulheres.
Para que serve
Investigar hipogonadismo masculino
Queda de libido, disfunção erétil, cansaço persistente, perda de massa muscular e redução de pelos corporais levam à dosagem, sempre com pelo menos duas coletas matinais antes de qualquer conclusão.
Investigar excesso de androgênio em mulheres
Ciclos irregulares, acne resistente, aumento de pelos no rosto e no corpo e queda de cabelo entram na avaliação de síndrome dos ovários policísticos e de outras causas de hiperandrogenismo.
Avaliar puberdade fora do tempo esperado
Puberdade que começa muito cedo ou que não começa dentro do esperado é investigada com testosterona junto de LH, FSH e idade óssea.
Acompanhar tratamentos hormonais
Quem faz reposição de testosterona, bloqueio hormonal ou terapia hormonal de afirmação de gênero usa o exame para acompanhamento, com alvos definidos pelo médico responsável.
Investigar infertilidade
A dosagem entra na avaliação de alterações do espermograma, junto com LH, FSH e prolactina.
Como é feito e preparo
Coleta
Sangue venoso do braço, preferencialmente entre 7h e 10h da manhã. Em mulheres que menstruam, a fase do ciclo costuma ser registrada, porque a interpretação muda conforme o dia.
Preparo
Muitos serviços pedem jejum, porque a alimentação reduz a testosterona nas horas seguintes. Confirme no seu laboratório. Evite exercício extenuante na véspera, mantenha o sono habitual e informe uso de anticoncepcional, corticoide, opioide, anabolizante, finasterida e suplementos, porque todos alteram o resultado. Um valor alterado durante doença aguda ou logo depois dela costuma ser repetido fora desse período.
Metodologia habitual: Imunoensaio por quimioluminescência é o método mais disponível. Cromatografia líquida com espectrometria de massa é o método de referência e importa principalmente em mulheres e crianças, faixas em que o imunoensaio perde precisão.
Valores de referência
- Baixo
- Limítrofe
- Adequado
- Limítrofe
- Alto
Deslize a tabela para o lado
| Perfil | Faixa habitual |
|---|---|
| Homens adultos Faixa usada no medidor desta página; a Endocrine Society adota 264 ng/dL como limite inferior por espectrometria de massa | cerca de 300 a 1000 ng/dL |
| Mulheres adultas Os limites variam entre laboratórios, algo como 8 a 80 ng/dL, e mudam com a fase do ciclo e com a menopausa | cerca de 15 a 70 ng/dL |
| Homens acima de 65 anos A queda com a idade é gradual e não define doença por si só | valores mais baixos são esperados |
| Crianças antes da puberdade A dosagem exige método sensível para ser interpretável | valores muito baixos em ambos os sexos |
| Gestantes O aumento da SHBG eleva o total sem excesso de hormônio ativo | testosterona total mais alta |
O medidor usa a faixa de homens adultos, de 300 a 1000 ng/dL, porque é a que cobre a maior parte da escala. Para mulheres, essa escala não se aplica: a faixa habitual fica em torno de 15 a 70 ng/dL, e valores que aparecem na zona baixa do medidor são normais. Use sempre a referência do seu laudo, com o sexo e a idade corretos.
Abaixo da faixa masculina de referência
Em homens adultos, valores nessa faixa numa coleta matinal levantam suspeita de hipogonadismo e pedem confirmação com uma segunda coleta em outro dia, mais LH e FSH. A Endocrine Society trabalha com 264 ng/dL como limite inferior derivado de população de homens jovens saudáveis por espectrometria de massa, número mais baixo que o 300 ng/dL usado por muitos laboratórios. Para mulheres, esta zona é a normalidade.
Limítrofe inferior para homens
Dentro da faixa masculina de muitos laudos, porém na parte de baixo. É comum que uma segunda coleta em horário matinal devolva um valor bem diferente, porque a variação entre dias é grande.
Dentro da faixa masculina de referência
Faixa em que fica a maior parte dos homens adultos em coleta matinal. Sintomas de deficiência com valores aqui costumam ter outra explicação, e a investigação segue por outros caminhos.
Limítrofe superior para homens
Ainda dentro da referência da maioria dos laboratórios. Coleta muito cedo e SHBG elevada explicam parte dos valores nessa faixa.
Acima da faixa masculina de referência
Em homens, valores acima da referência aparecem sobretudo com uso de testosterona ou anabolizante, e menos frequentemente com tumores produtores de androgênio. Em mulheres, um valor a partir de cerca de 150 a 200 ng/dL já é considerado bem elevado e costuma motivar investigação de causa ovariana ou adrenal.
Resultado alto e resultado baixo
Resultado alto
Em homens, testosterona acima da referência tem como causa mais comum o uso externo do hormônio, e o exame não distingue o que veio de fora do que o corpo produziu. Em mulheres, o significado é diferente: qualquer valor claramente acima da faixa feminina merece investigação, e quanto mais alto, mais a avaliação se volta para causas ovarianas e adrenais.
- Uso de testosterona em gel, injeção ou implante
- Anabolizantes e suplementos com hormônio não declarado no rótulo
- Síndrome dos ovários policísticos, causa mais comum de androgênio alto em mulheres
- Hiperplasia adrenal congênita de manifestação tardia
- Tumores de ovário ou de suprarrenal produtores de androgênio, situação rara
- Aumento da SHBG por gravidez, estrogênio ou doença hepática, que eleva o total sem excesso da fração ativa
Resultado baixo
Em homens, testosterona baixa só significa alguma coisa quando confirmada em duas coletas matinais e acompanhada de sintomas. Muita coisa derruba o valor de forma passageira: doença aguda, obesidade, sono ruim, álcool, opioides e a própria hora da coleta. LH e FSH mostram se a falha está no testículo ou na hipófise. Em mulheres, a testosterona é naturalmente baixa e um valor reduzido, sozinho, não caracteriza deficiência.
- Obesidade e síndrome metabólica
- Doença aguda, cirurgia recente e privação de sono
- Uso de opioides, corticoide, anabolizante em interrupção e alguns antidepressivos
- Alcoolismo
- Doenças dos testículos, incluindo trauma, orquite, quimioterapia e radioterapia
- Doenças da hipófise e do hipotálamo, incluindo prolactina elevada
- Síndrome de Klinefelter e outras causas genéticas
- Coleta feita à tarde ou depois de refeição
O que pode interferir no resultado
- Horário da coleta, com valores mais altos de manhã e queda ao longo do dia
- Refeição antes da coleta, que reduz o resultado
- Doença aguda, febre, cirurgia e internação recentes
- Exercício extenuante e privação de sono na véspera
- Anticoncepcional e reposição de estrogênio, que aumentam a SHBG e elevam a testosterona total
- Corticoide, opioide, anabolizante e alguns antidepressivos
- Obesidade, que reduz a SHBG e derruba a testosterona total
- Diferenças entre imunoensaio e espectrometria de massa, marcantes nos valores baixos das mulheres e das crianças
- Biotina em suplemento, que distorce imunoensaios
Quando procurar ajuda
Leve o resultado ao médico quando ele sair da faixa do seu laudo para o seu sexo e a sua idade, principalmente se houver sintomas. Em homens, queda de libido, disfunção erétil, cansaço que não melhora com descanso, perda de massa muscular e redução de pelos merecem avaliação. Em mulheres, aumento de pelos no rosto e no tronco, acne persistente, ciclos que se espaçam ou somem e queda de cabelo com entradas pedem investigação, e a piora rápida desses sinais em poucos meses justifica avaliação sem esperar. Alteração de campo visual, dor de cabeça persistente ou saída de leite pela mama junto com testosterona baixa também precisam de consulta.
Perguntas para levar à consulta
- Coletei no horário adequado para esse exame?
- Vale repetir a dosagem em outro dia antes de qualquer decisão?
- Faz sentido dosar LH, FSH, SHBG e prolactina junto no meu caso?
- A minha faixa de referência está correta para o meu sexo e idade?
- Algum medicamento ou suplemento que eu uso pode ter alterado o resultado?
Perguntas frequentes
Testosterona 250 é baixa?
Para um homem adulto, fica abaixo do limite inferior da maioria dos laboratórios e abaixo dos 264 ng/dL adotados pela Endocrine Society como corte por espectrometria de massa. Ainda assim, uma coleta só não define nada: a orientação é repetir em outra manhã, porque a variação entre dias é grande e refeição, sono ruim e doença recente derrubam o valor. Para uma mulher, 250 ng/dL é um valor bem elevado e leva à investigação de excesso de androgênio.
Qual é a testosterona normal para mulheres?
As faixas de laboratório costumam ficar por volta de 15 a 70 ng/dL, com variações que vão de cerca de 8 a 80 conforme o método, a fase do ciclo e a idade. Os números são baixos por natureza e não devem ser comparados com a faixa masculina. Nos valores baixos, imunoensaios perdem precisão, e por isso a espectrometria de massa é o método preferido nessa população.
Preciso coletar de manhã mesmo?
Sim, e essa é uma das partes mais importantes do exame. A testosterona tem pico nas primeiras horas do dia e cai depois, principalmente em homens mais jovens. Uma coleta à tarde pode devolver um valor abaixo da faixa em alguém com produção normal. A janela usada nas diretrizes é entre 7h e 10h.
Testosterona baixa sempre precisa de reposição?
Não. Um valor isolado não define conduta, e muitas causas de queda são reversíveis: obesidade, sono ruim, álcool, opioides, doença aguda. A avaliação exige pelo menos duas coletas matinais, sintomas compatíveis e investigação da causa, incluindo LH, FSH e prolactina. A decisão de tratar é do médico e considera outros fatores de saúde.
Testosterona alta em mulher é ovário policístico?
É a causa mais comum, mas não é a única. Hiperplasia adrenal congênita de manifestação tardia, uso de androgênio externo e, com muito menos frequência, tumores de ovário ou suprarrenal também elevam o hormônio. Aumento rápido de pelos, engrossamento da voz e crescimento do clitóris em poucos meses são sinais que levam a investigação mais direta.
Devo dosar testosterona total ou livre?
A total é a dosagem inicial. A livre entra quando a SHBG está alterada, o que acontece em obesidade, diabetes, doença hepática, uso de estrogênio e idade avançada, situações em que o total deixa de refletir a fração ativa. O cálculo da livre a partir de total, SHBG e albumina é mais confiável que a dosagem direta feita por imunoensaio.
Anticoncepcional altera a testosterona?
Altera. O estrogênio aumenta a SHBG, que segura mais testosterona na circulação. O resultado é uma testosterona total mais alta com fração ativa menor. Por isso, avaliar androgênio em quem usa anticoncepcional combinado exige cuidado extra na interpretação e às vezes a dosagem de SHBG junto.
Precisa de jejum para dosar testosterona?
Depende do laboratório, mas a orientação de jejum é comum, porque comer reduz a testosterona nas horas seguintes à refeição. Combine isso com a coleta matinal e confirme as regras do seu laboratório antes de ir.
Fontes e revisão
- Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Endocrine Society , 2018.
- International Evidence-Based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. Monash University e sociedades colaboradoras , 2023.
- Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. Endocrine Society, International Menopause Society e sociedades colaboradoras , 2019.
- Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial , 2010.
Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame
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