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Hormônios Hipófise PRL

Prolactina

Resumo rápido: A prolactina é produzida pela hipófise e tem como função mais conhecida a produção de leite. Ela sobe com estresse, sono, medicamentos e agulhada, o que faz da elevação leve um achado comum e frequentemente sem doença por trás.

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Sangue venoso
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0 120 ng/mL

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Faixa esperada para adultos fora da gestação e da amamentação. Homens costumam ter valores um pouco mais baixos que mulheres. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.

O que é

A prolactina é fabricada por células da hipófise, na base do cérebro. A função mais conhecida é a produção de leite depois do parto, mas ela circula em homens e mulheres a vida inteira e influencia o eixo reprodutivo.

O controle dessa produção é diferente do de outros hormônios: em vez de ser estimulada, a prolactina é freada. A dopamina, vinda do hipotálamo, mantém a produção baixa o tempo todo. Qualquer coisa que reduza a dopamina ou bloqueie sua ação, como vários medicamentos, tira o freio e a prolactina sobe.

Quando a prolactina fica alta por tempo prolongado, ela interfere na liberação de LH e FSH. Nas mulheres, isso aparece como ciclos que se espaçam ou somem, dificuldade para engravidar e saída de leite fora da amamentação. Nos homens, como queda de libido, disfunção erétil e, com menos frequência, aumento do tecido mamário.

Dois fenômenos laboratoriais explicam boa parte dos resultados altos que não têm doença por trás. O primeiro é a resposta ao estresse: a picada da agulha, o medo de agulha e até a corrida para chegar ao laboratório elevam a prolactina em minutos. O segundo é a macroprolactina, uma forma grande da molécula, ligada a anticorpos, que o exame mede junto mas que quase não tem atividade no corpo.

Para que serve

Investigar ciclos irregulares e ausência de menstruação

Prolactina alta é uma das causas frequentes de ciclos espaçados ou interrompidos fora da gestação.

Investigar saída de leite fora da amamentação

Secreção pelo mamilo em quem não está amamentando, em qualquer sexo, leva à dosagem.

Avaliar infertilidade e queda de libido

A prolactina entra na investigação junto com LH, FSH, TSH e testosterona, porque o excesso suprime o eixo reprodutivo.

Investigar tumores da hipófise

O prolactinoma é o tumor hipofisário mais comum, e a dosagem faz parte da avaliação de quem tem alteração de imagem na região.

Acompanhar efeito de medicamentos

Antipsicóticos, antieméticos e outros bloqueadores de dopamina elevam a prolactina, e o exame ajuda a documentar esse efeito.

Como é feito e preparo

Coleta

Sangue venoso do braço. O ideal é coletar já acordado há pelo menos uma hora, porque o sono eleva a prolactina, e depois de alguns minutos de repouso sentado no laboratório.

Preparo

Fique sentado e calmo por cerca de 15 a 20 minutos antes da punção. Evite estimulação da mama e relação sexual nas horas anteriores. Não faça exercício intenso na véspera. Informe todos os medicamentos em uso, com atenção para antipsicóticos, antidepressivos, metoclopramida, domperidona e anti-hipertensivos, porque essa lista explica boa parte dos resultados altos.

Metodologia habitual: Imunoensaio por quimioluminescência. Quando o valor vem alto sem sintomas, o laboratório pode fazer a pesquisa de macroprolactina por precipitação com polietilenoglicol, que separa a fração ativa da forma grande e inativa.

Valores de referência

0 120 ng/mL
  • Baixo
  • Adequado
  • Limítrofe
  • Alto

Deslize a tabela para o lado

Perfil Faixa habitual
Mulheres não gestantes Faixa usada no medidor desta página cerca de 5 a 25 ng/mL
Homens adultos O teto costuma ser mais baixo que o feminino cerca de 4 a 20 ng/mL
Gestantes Elevação fisiológica, sem relação com doença sobe progressivamente e pode passar de 200 ng/mL no fim da gestação
Lactantes A dosagem tem pouca utilidade nesse período valores altos, com picos após as mamadas
Com macroprolactina presente O laboratório reporta o valor total e o valor recuperado prolactina monomérica após precipitação é o valor que importa

O medidor usa a faixa de mulheres adultas não gestantes, de cerca de 5 a 25 ng/mL, por ser a referência mais usada em laudos. Para homens o teto costuma ser mais baixo, perto de 20 ng/mL, e na gestação e na amamentação valores muito mais altos são esperados. Use a faixa impressa no seu laudo, com o sexo e a situação corretos.

Abaixo da faixa de referência

Prolactina baixa raramente tem significado clínico e quase nunca é motivo isolado de investigação. Ela aparece em doenças que comprometem a hipófise como um todo e em uso de agonistas dopaminérgicos.

Dentro da faixa de referência

Faixa esperada para adultos fora da gestação e da amamentação. Homens costumam ter valores um pouco mais baixos que mulheres.

Limítrofe superior

Zona em que o limite muda conforme o sexo e o laboratório: 25 ng/mL é o teto comum para mulheres não gestantes e algo em torno de 20 ng/mL para homens. Elevações discretas assim são frequentes e muitas vezes se resolvem numa segunda coleta feita com repouso adequado.

Acima da faixa de referência

Antes de investigar a hipófise, o roteiro habitual passa por gravidez, medicamentos, hipotireoidismo, doença renal e macroprolactina. Como referência de magnitude, elevações por medicamento costumam ficar abaixo de 100 ng/mL, e a Endocrine Society aponta valores acima de 250 ng/mL como típicos de prolactinoma. Nada disso substitui a avaliação médica, porque há sobreposição entre as faixas.

Resultado alto e resultado baixo

Resultado alto

Prolactina alta é um achado comum, e a maior parte dos casos tem explicação fora da hipófise. A ordem de investigação costuma começar pelo óbvio: gravidez, lista de medicamentos, função tireoidiana e função renal. Elevações leves em quem não tem sintoma nenhum pedem repetição com repouso adequado e pesquisa de macroprolactina antes de qualquer exame de imagem.

  • Gestação e amamentação
  • Estresse da punção, dor, medo de agulha e coleta logo depois de acordar
  • Antipsicóticos como risperidona, haloperidol e amissulprida
  • Metoclopramida, domperidona, alguns antidepressivos, verapamil e estrogênio
  • Macroprolactina, forma grande da molécula que o exame mede mas que quase não age no corpo
  • Hipotireoidismo não tratado
  • Doença renal crônica e cirrose
  • Prolactinoma e outros tumores da região hipofisária que comprimem a haste

Resultado baixo

Prolactina baixa tem pouca repercussão prática e não costuma ser alvo de investigação isolada. Ela chama atenção quando aparece junto com queda de outros hormônios hipofisários, situação em que a suspeita passa a ser de comprometimento da glândula como um todo.

  • Uso de agonistas dopaminérgicos, como cabergolina e bromocriptina
  • Hipopituitarismo por tumor, cirurgia ou radioterapia na região
  • Necrose hipofisária pós-parto, quadro raro conhecido como síndrome de Sheehan
  • Traumatismo craniano com lesão da hipófise

O que pode interferir no resultado

  • Estresse e dor da punção, que elevam a prolactina em minutos
  • Coleta logo ao acordar, porque o sono aumenta o hormônio
  • Estimulação da mama, relação sexual e exercício intenso nas horas anteriores
  • Antipsicóticos, antidepressivos, metoclopramida, domperidona, verapamil e estrogênio
  • Macroprolactina, que eleva o valor medido sem elevar a fração ativa
  • Hipotireoidismo não tratado e doença renal crônica
  • Efeito gancho em valores altíssimos, que pode devolver resultado falsamente normal quando não se dilui a amostra
  • Biotina em suplemento, que distorce imunoensaios

Quando procurar ajuda

Leve o resultado ao médico quando a prolactina estiver acima da faixa do seu laudo, principalmente se houver ciclos irregulares, ausência de menstruação fora da gestação, saída de leite pelo mamilo, queda de libido, disfunção erétil ou dificuldade para engravidar. Dor de cabeça persistente e alteração do campo visual junto com prolactina alta pedem avaliação sem demora, porque esse conjunto levanta a hipótese de lesão comprimindo estruturas próximas à hipófise. Elevação discreta sem nenhum sintoma costuma ser reavaliada antes de qualquer outro passo.

Perguntas para levar à consulta

  1. Fiquei em repouso antes da coleta? Vale repetir o exame com o preparo correto?
  2. Algum medicamento da minha lista pode estar elevando a prolactina?
  3. Faz sentido pesquisar macroprolactina no meu caso?
  4. Preciso checar TSH e função renal junto com esse resultado?
  5. Esse valor justifica algum exame de imagem agora ou é melhor repetir antes?

Perguntas frequentes

Prolactina alta sem estar grávida, o que pode ser?

Medicamentos são a causa mais comum fora da gestação, com destaque para antipsicóticos, metoclopramida, domperidona e alguns antidepressivos. Depois vêm estresse da coleta, hipotireoidismo não tratado, doença renal, macroprolactina e, aí sim, tumores da hipófise. O roteiro habitual descarta as causas simples antes de partir para imagem.

Prolactina 35 é preocupante?

É uma elevação leve, faixa em que boa parte dos casos tem explicação simples. Coleta feita com pressa, agulha dolorosa, sono recente, medicamento em uso ou macroprolactina cobrem a maioria. O passo comum é repetir com repouso de 15 a 20 minutos antes da punção e revisar a lista de remédios.

O que é macroprolactina?

É a prolactina ligada a anticorpos, formando uma molécula grande que circula por muito tempo e quase não age nos tecidos. O imunoensaio de rotina mede essa forma junto com a ativa, e o resultado vem alto em alguém sem sintoma nenhum. O laboratório pode separar as duas com precipitação por polietilenoglicol, e o valor que sobra depois desse processo é o que interessa.

Preciso de repouso antes de coletar prolactina?

Sim, e isso muda resultados de verdade. A recomendação usual é ficar sentado e calmo por cerca de 15 a 20 minutos antes da punção, coletar já acordado há pelo menos uma hora e evitar estimulação da mama e exercício intenso antes. Uma coleta feita com pressa é uma das causas mais banais de prolactina alta.

Prolactina alta impede engravidar?

O excesso prolongado interfere na liberação de LH e FSH e pode atrapalhar a ovulação, o que dificulta a gravidez. Não é uma sentença: a causa costuma ser identificável e tratável, e a fertilidade responde quando o problema de base é corrigido. A avaliação é feita por médico, junto com os demais hormônios do eixo.

Prolactina alta em homem, o que significa?

Nos homens, o teto de referência costuma ficar perto de 20 ng/mL e a elevação aparece como queda de libido, disfunção erétil, redução de pelos e, às vezes, aumento do tecido mamário. As causas se repetem: medicamentos, hipotireoidismo, doença renal, macroprolactina e prolactinoma. Prolactina alta também derruba a testosterona, e por isso os dois exames costumam vir juntos.

Prolactina alta sempre é tumor na hipófise?

Não. A maioria das elevações não é tumoral. A magnitude ajuda a orientar: valores muito altos, acima de 250 ng/mL na referência da Endocrine Society, são mais típicos de prolactinoma, enquanto elevações por medicamento em geral ficam abaixo de 100 ng/mL. Existe sobreposição entre essas faixas, então quem decide o próximo exame é o médico.

Precisa de jejum para dosar prolactina?

O jejum não é a exigência principal, e vários laboratórios dispensam. O que pesa é o horário, o tempo de repouso antes da punção e a lista de medicamentos. Confirme as regras do seu laboratório e siga o preparo que ele indicar.

Fontes e revisão

  1. Diagnosis and Treatment of Hyperprolactinemia: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Endocrine Society , 2011.
  2. Diagnosis and management of prolactin-secreting pituitary adenomas: a Pituitary Society international consensus statement. Pituitary Society , 2023.
  3. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial , 2010.

Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame

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