Cortisol sérico
Resumo rápido: O cortisol é o hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais que regula açúcar no sangue, pressão e resposta ao estresse. A concentração varia várias vezes ao longo do dia, então o resultado só faz sentido junto com o horário exato da coleta.
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Faixa compatível com produção adequada numa coleta entre 7h e 9h. Perto do meio-dia esses mesmos números já seriam altos, e à noite seriam claramente elevados. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.
O que é
O cortisol é produzido pelas glândulas suprarrenais, duas estruturas pequenas apoiadas sobre os rins. Ele mantém a glicose disponível, ajuda a sustentar a pressão arterial, modula inflamação e organiza a resposta do corpo ao estresse físico.
A produção obedece a um comando em três andares: o hipotálamo libera CRH, a hipófise responde com ACTH e as suprarrenais produzem cortisol. O cortisol circulante, por sua vez, freia os dois andares de cima. Quando o exame vem alterado, descobrir em qual andar está a falha é o que orienta a investigação.
O ponto que mais gera confusão na leitura do exame é o horário. O cortisol tem ritmo circadiano marcado: sobe nas últimas horas de sono, atinge o pico entre 7h e 9h da manhã e cai ao longo do dia, chegando ao valor mais baixo perto da meia-noite. Um mesmo resultado pode ser normal às 8h e muito anormal às 23h.
Como o exame de sangue mede o cortisol total, e a maior parte dele viaja ligada a uma proteína transportadora, situações que mudam essa proteína alteram o número sem alterar a fração ativa. Anticoncepcional com estrogênio e gravidez são os exemplos mais comuns.
Para que serve
Investigar insuficiência adrenal
Cansaço extremo, pressão baixa, náusea, perda de peso e escurecimento da pele levam à dosagem matinal para avaliar produção insuficiente de cortisol.
Investigar excesso de cortisol
Ganho de peso central, estrias largas e roxas, pele fina, fraqueza muscular, diabetes e hipertensão de início recente entram na avaliação de síndrome de Cushing.
Avaliar quem usa corticoide
O uso prolongado de corticoide, inclusive em creme, injeção intra-articular e spray nasal, suprime a produção própria, e o exame ajuda a medir esse efeito.
Acompanhar doenças da hipófise e da suprarrenal
Depois de cirurgias, radioterapia ou no seguimento de tumores dessas glândulas, o cortisol faz parte do controle.
Como é feito e preparo
Coleta
Sangue venoso do braço. O horário é registrado no laudo e faz parte do resultado. A coleta padrão para a dosagem basal é entre 7h e 9h da manhã, com a pessoa acordada há pouco tempo.
Preparo
Chegue com antecedência e fique sentado alguns minutos antes da punção, porque estresse, dor e correria elevam o cortisol em minutos. Mantenha o horário de sono da véspera: quem trabalha à noite ou dormiu em horário muito diferente tem o ritmo deslocado e o valor perde sentido. Informe qualquer corticoide em uso, incluindo pomada, colírio, spray nasal e infiltração, e também anticoncepcional, porque eles mudam a leitura.
Metodologia habitual: Imunoensaio por quimioluminescência na maioria dos laboratórios. Cromatografia líquida acoplada a espectrometria de massa é usada quando se busca maior especificidade, principalmente em quem usa corticoides sintéticos.
Valores de referência
- Baixo
- Limítrofe
- Adequado
- Limítrofe
- Alto
Deslize a tabela para o lado
| Perfil | Faixa habitual |
|---|---|
| Adultos, coleta entre 7h e 9h É a faixa usada no medidor desta página; os limites variam bastante entre métodos | cerca de 5 a 25 µg/dL |
| Adultos, coleta no fim da tarde A queda ao longo do dia é esperada e não indica problema | aproximadamente metade do valor da manhã |
| Adultos, coleta perto da meia-noite O cortisol noturno alto é justamente o que se procura na investigação de excesso hormonal | valores bem baixos |
| Gestantes e usuárias de estrogênio O aumento da proteína transportadora eleva o total sem excesso de hormônio ativo | cortisol total mais alto |
| Após supressão com 1 mg de dexametasona Critério da Endocrine Society, aplicado só no contexto do teste, não na dosagem de rotina | abaixo de 1,8 µg/dL é a resposta esperada |
As zonas do medidor representam a coleta matinal entre 7h e 9h em adultos. Para qualquer outro horário, elas não valem: o mesmo número muda de significado conforme a hora. Confira no laudo o horário registrado e a faixa que o seu laboratório aplica a ele.
Abaixo do esperado para a manhã
Numa coleta matinal, valores nessa faixa levantam suspeita de produção insuficiente de cortisol e costumam pedir confirmação com teste de estímulo e dosagem de ACTH. O mesmo número numa coleta noturna não tem esse significado, porque à noite o cortisol é baixo por definição.
Limítrofe inferior pela manhã
Zona cinzenta da dosagem matinal. Não confirma nem descarta insuficiência adrenal, e é justamente aqui que o teste de estímulo com ACTH costuma ser indicado para esclarecer.
Dentro do esperado para a manhã
Faixa compatível com produção adequada numa coleta entre 7h e 9h. Perto do meio-dia esses mesmos números já seriam altos, e à noite seriam claramente elevados.
Limítrofe superior pela manhã
Ainda dentro da referência de vários laboratórios para a coleta matinal. Estresse na punção, dor, doença aguda, gravidez e anticoncepcional com estrogênio explicam boa parte dos valores nessa faixa.
Acima do esperado para a manhã
Valores acima da referência matinal pedem contexto antes de qualquer conclusão. A dosagem isolada no sangue não confirma síndrome de Cushing: a investigação usa cortisol salivar da noite, cortisol livre urinário de 24 horas e teste de supressão com dexametasona, e a escolha entre eles é do médico que acompanha o caso.
Resultado alto e resultado baixo
Resultado alto
Cortisol alto numa única coleta raramente significa doença. Estresse da punção, dor, infecção, exercício recente e noite mal dormida elevam o hormônio de imediato. Quando a suspeita é de excesso persistente, a avaliação passa por exames que medem o cortisol em outros momentos ou testam a capacidade de suprimi-lo, como o cortisol salivar da noite, o cortisol livre urinário de 24 horas e o teste de supressão com dexametasona. Qual deles usar e como interpretar cabe ao médico.
- Estresse físico ou emocional no momento da coleta, incluindo medo de agulha
- Doença aguda, dor, cirurgia recente e infecção
- Gravidez e uso de anticoncepcional com estrogênio, que elevam a proteína transportadora
- Depressão, transtorno de ansiedade, alcoolismo e obesidade, situações de ativação crônica do eixo
- Trabalho noturno e sono irregular, com deslocamento do ritmo circadiano
- Tumor de hipófise produtor de ACTH ou tumor de suprarrenal produtor de cortisol
- Produção de ACTH por tumor fora da hipófise
Resultado baixo
Cortisol baixo em coleta matinal é o achado que abre a investigação de insuficiência adrenal, mas quase nunca fecha o diagnóstico sozinho. A causa mais frequente hoje é o uso prolongado de corticoide, que suprime a produção própria. O ACTH é o exame que separa problema na suprarrenal de problema na hipófise.
- Uso prolongado de corticoide por qualquer via, incluindo pomada, spray nasal e infiltração
- Interrupção abrupta de corticoide depois de semanas de uso
- Insuficiência adrenal primária, como na doença de Addison
- Doenças da hipófise, com queda do ACTH
- Coleta fora do horário matinal, causa muito comum de valor baixo sem doença
- Hemorragia ou infecção das suprarrenais, situações raras e agudas
O que pode interferir no resultado
- Horário da coleta, o fator que mais altera o resultado
- Estresse, dor e ansiedade na hora da punção
- Trabalho noturno, sono irregular e viagem com fuso diferente
- Corticoide em qualquer apresentação, incluindo pomada, colírio, spray e infiltração
- Anticoncepcional com estrogênio, gravidez e reposição hormonal
- Doença aguda, cirurgia, exercício intenso e jejum prolongado
- Biotina em suplemento, que distorce imunoensaios
- Álcool em uso frequente e uso de opioides
Quando procurar ajuda
Leve qualquer resultado alterado ao médico junto com a informação do horário da coleta. Procure atendimento sem esperar se houver fraqueza intensa, vômitos, tontura ao levantar, pressão muito baixa, dor abdominal e escurecimento da pele, principalmente em quem usa ou parou corticoide há pouco tempo, porque esse conjunto pode indicar crise adrenal. Ganho de peso rápido no tronco, estrias largas e roxas, pele que machuca com facilidade, fraqueza nas coxas e pressão ou glicemia que subiram de repente também pedem avaliação.
Perguntas para levar à consulta
- O horário em que eu coletei é o adequado para esse exame?
- Algum medicamento ou hormônio que eu uso pode ter alterado o resultado?
- Esse valor precisa ser confirmado por outro exame antes de qualquer conclusão?
- Vale dosar ACTH junto para saber de onde vem a alteração?
- Estou usando corticoide há bastante tempo, isso muda a leitura do meu cortisol?
Perguntas frequentes
Cortisol alto pela manhã é normal?
Sim, o cortisol é naturalmente mais alto entre 7h e 9h. Esse é o pico do dia e a razão de a coleta basal ser feita nesse intervalo. O que preocupa não é o valor alto de manhã, e sim o valor que continua alto à noite, quando ele deveria estar baixo.
Qual o valor normal de cortisol no sangue?
Depende do horário. Em coleta entre 7h e 9h, faixas comuns ficam por volta de 5 a 25 µg/dL. No fim da tarde os valores caem à metade, e perto da meia-noite ficam bem baixos. Sem o horário, o número não pode ser interpretado. Confira a faixa impressa no seu laudo, porque cada método tem a sua.
Fiquei nervoso na coleta, isso aumenta o cortisol?
Aumenta, e em poucos minutos. Medo de agulha, dor, corrida para chegar no horário e discussão a caminho do laboratório elevam o hormônio de forma real. É por isso que a orientação é chegar com antecedência e descansar sentado antes da punção.
Cortisol salivar noturno serve para quê?
Ele mede o cortisol no ponto mais baixo do ciclo, perto da meia-noite, quando o valor deveria estar quase no chão. Um cortisol noturno que se mantém alto sugere perda do ritmo circadiano, achado central na investigação de excesso de cortisol. A coleta é feita em casa com um dispositivo próprio, e a interpretação depende do laboratório e do médico.
O que é o teste de supressão com dexametasona?
É um teste em que se toma uma dose de dexametasona à noite e se dosa o cortisol na manhã seguinte. Em quem regula bem o eixo, a dexametasona freia a produção e o cortisol cai. A Endocrine Society considera resposta esperada um valor abaixo de 1,8 µg/dL. Esse teste é indicado e interpretado por médico, e vários medicamentos alteram o resultado.
Uso pomada de corticoide, isso altera o exame?
Pode alterar. Corticoide absorvido pela pele, pelo nariz, pelo pulmão ou por infiltração chega à circulação e freia a produção própria de cortisol. Muitos casos de cortisol baixo têm essa explicação. Liste todos os produtos em uso, mesmo os que parecem locais demais para importar.
Cortisol baixo significa fadiga adrenal?
Fadiga adrenal não é um diagnóstico reconhecido pelas sociedades de endocrinologia, e não existem exames validados para ela. Insuficiência adrenal, essa sim, é uma doença definida, com critérios laboratoriais e confirmação por teste de estímulo. Cansaço com cortisol dentro da faixa não caracteriza problema adrenal.
Trabalho à noite, como fica o meu cortisol?
O ritmo acompanha o ciclo de sono, não o relógio. Em quem dorme de dia, o pico de cortisol acontece perto do horário de acordar, e uma coleta às 8h pode cair no ponto baixo do ciclo. Informe o seu horário de sono no laboratório e na consulta, porque sem esse dado o valor pode ser lido como alterado sem estar.
Fontes e revisão
- Diagnosis and Treatment of Primary Adrenal Insufficiency: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Endocrine Society , 2016.
- The Diagnosis of Cushing's Syndrome: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Endocrine Society , 2008.
- Treatment of Cushing's Syndrome: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Endocrine Society , 2015.
- Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial , 2010.
Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame
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