Transferrina
Resumo rápido: A transferrina é a proteína que transporta o ferro pelo sangue. Sozinha, mostra a capacidade de transporte do organismo; dividida pelo ferro sérico, dá origem à saturação de transferrina, um dos exames mais úteis para diferenciar falta de ferro de sobrecarga.
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Valor compatível com a faixa considerada normal para a maioria dos adultos. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.
O que é
A transferrina é a proteína que carrega o ferro pela corrente sanguínea, do intestino e dos estoques até a medula óssea, onde ele é usado para produzir hemoglobina. O fígado produz mais transferrina quando o ferro está escasso e menos quando há excesso de ferro ou inflamação.
Medida sozinha, a transferrina reflete a capacidade de transporte de ferro do sangue, não o estoque. É por isso que ela sobe na deficiência de ferro, o oposto do que acontece com a ferritina.
O dado mais usado na prática é a saturação de transferrina (TSAT): a proporção da transferrina que já está carregando ferro. Ela é calculada dividindo o ferro sérico pela capacidade total de ligação do ferro (TIBC), que se relaciona diretamente com a transferrina, e multiplicando por 100. Saturação baixa aponta pouco ferro disponível; saturação alta, sobrecarga.
Para que serve
Calcular a saturação de transferrina
É a base do cálculo da TSAT, o exame mais usado para separar inflamação de sobrecarga de ferro quando a ferritina está alta.
Diferenciar deficiência de ferro de inflamação
A transferrina sobe na falta de ferro e cai na inflamação, no padrão oposto ao da ferritina, o que ajuda a montar o quadro completo.
Rastrear hemocromatose
Uma saturação de transferrina persistentemente alta, geralmente acima de 45%, entra na investigação de sobrecarga hereditária de ferro.
Avaliar desnutrição e doença hepática
Por ser produzida no fígado, a transferrina cai na desnutrição proteica, na doença hepática avançada e na síndrome nefrótica, mesmo sem alteração do ferro.
Como é feito e preparo
Coleta
Amostra de sangue venoso, coletada junto com o ferro sérico sempre que o objetivo é calcular a saturação de transferrina.
Preparo
Quando pedida junto com o ferro sérico, costuma seguir a mesma orientação de jejum e coleta pela manhã. Sozinha, a transferrina exige menos preparo, mas confirme com o laboratório.
Metodologia habitual: Imunoturbidimetria ou nefelometria. A capacidade total de ligação do ferro (TIBC) pode ser calculada a partir da transferrina ou medida diretamente, conforme o laboratório.
Valores de referência
- Baixo
- Limítrofe
- Adequado
- Limítrofe
- Alto
Deslize a tabela para o lado
| Perfil | Faixa habitual |
|---|---|
| Adultos em geral | 200 a 360 mg/dL |
| Gestantes A gestação eleva a transferrina de forma fisiológica | acima de 300 mg/dL |
| Saturação de transferrina (TSAT) em adultos Abaixo de 20% sugere pouco ferro disponível; diretrizes usam 45% a 50% como limiar de investigação de sobrecarga | 20% a 50% |
A faixa de referência muda conforme o laboratório e a metodologia usada. A saturação de transferrina, calculada junto com o ferro sérico, costuma pesar mais na decisão clínica do que a transferrina isolada.
Abaixo da faixa de referência
Transferrina baixa é mais comum em inflamação, desnutrição, doença hepática avançada e síndrome nefrótica do que em problemas de ferro. É o padrão oposto ao que se vê na deficiência de ferro.
Limítrofe inferior
Fica perto do limite inferior de muitas referências. Vale olhar o contexto clínico, principalmente sinais de inflamação ou de doença hepática.
Dentro da faixa de referência
Valor compatível com a faixa considerada normal para a maioria dos adultos.
Limítrofe superior
Está no limite superior de várias referências. Deficiência de ferro em desenvolvimento é a causa mais comum nessa faixa.
Acima da faixa de referência
Transferrina alta costuma refletir deficiência de ferro, quando o corpo aumenta a capacidade de transporte na tentativa de captar mais ferro disponível.
Resultado alto e resultado baixo
Resultado alto
Transferrina alta segue, na maior parte das vezes, o caminho da deficiência de ferro: o corpo produz mais proteína transportadora para tentar captar o ferro que falta. A saturação de transferrina costuma vir baixa nesse cenário, o oposto do que se vê na sobrecarga de ferro.
- Deficiência de ferro, isolada ou já com anemia instalada
- Gestação, por elevação fisiológica
- Uso de anticoncepcionais e reposição hormonal, em algumas pessoas
- Hepatite viral aguda, em fase inicial
Resultado baixo
Transferrina baixa quase nunca é sobre ferro. Ela reflete, mais frequentemente, inflamação, desnutrição ou perda de proteína, situações em que o fígado produz ou mantém menos transferrina circulante.
- Inflamação aguda ou crônica
- Desnutrição proteica
- Doença hepática avançada, incluindo cirrose
- Síndrome nefrótica, pela perda de proteína na urina
- Sobrecarga de ferro, em estágios mais avançados
- Queimaduras extensas e outras perdas proteicas
O que pode interferir no resultado
- Gestação
- Inflamação ou infecção recentes
- Doença hepática
- Estado nutricional
- Perda de proteína pela urina
- Uso de anticoncepcionais e reposição hormonal
Quando procurar ajuda
Leve o resultado ao médico se a transferrina ou a saturação de transferrina estiverem fora da faixa do laudo, principalmente associadas a cansaço, palidez ou sinais de doença hepática. Uma saturação de transferrina persistentemente alta, acima de 45%, merece avaliação para investigar sobrecarga de ferro, mesmo sem sintomas.
Perguntas para levar à consulta
- A saturação de transferrina foi calculada junto com esse resultado?
- Esse valor é mais compatível com falta de ferro ou com inflamação?
- Vale investigar a função hepática ou o estado nutricional junto?
- Se a saturação estiver alta, é o caso de investigar hemocromatose?
Perguntas frequentes
O que é saturação de transferrina (TSAT)?
É o percentual da transferrina que está carregando ferro, calculado dividindo o ferro sérico pela capacidade de ligação do ferro e multiplicando por 100. Valores entre 20% e 50% costumam ser considerados normais em adultos, mas essa faixa muda conforme o laboratório e a referência usada.
Saturação de transferrina baixa é sempre falta de ferro?
É a explicação mais comum, mas inflamação também pode reduzir a saturação. Por isso ela é interpretada junto com a ferritina: ferritina baixa com saturação baixa reforça a deficiência de ferro.
Saturação de transferrina acima de 45%, o que significa?
Costuma motivar investigação de sobrecarga de ferro, incluindo hemocromatose hereditária, principalmente quando o valor se repete em mais de uma coleta. O limiar exato varia entre diretrizes, algumas usam 45% e outras 50%, então a decisão considera o quadro completo.
Transferrina alta significa excesso de ferro?
Não. É quase o oposto: a transferrina costuma subir quando falta ferro, porque o corpo produz mais proteína transportadora para tentar captar o ferro disponível. Sobrecarga de ferro tende a reduzir a transferrina, não aumentar.
Qual é o valor normal de transferrina?
Em adultos, a maioria das referências fica entre 200 e 360 mg/dL, mas isso varia por laboratório e metodologia. A referência impressa no seu laudo é o parâmetro correto para o seu resultado.
Transferrina baixa com ferritina alta, o que quer dizer?
É um padrão comum em inflamação: a ferritina sobe como proteína de fase aguda enquanto a transferrina cai pelo mesmo motivo. Também pode aparecer em doença hepática. Não costuma indicar problema de ferro por si só.
Preciso de outro exame além da transferrina para avaliar o ferro?
Sim, na maioria dos casos. A transferrina isolada informa pouco; o valor mais usado na prática é a saturação de transferrina, calculada junto com o ferro sérico, e interpretada ao lado da ferritina.
Fontes e revisão
- Assessing the iron status of populations, 2nd edition. Organização Mundial da Saúde e Centers for Disease Control and Prevention (CDC) , 2007.
- Diagnosis and Management of Hemochromatosis: 2011 Practice Guideline. American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD) , 2011.
- ACG Clinical Guideline: Hereditary Hemochromatosis. American College of Gastroenterology (ACG) , 2019.
Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame
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