Colesterol total
Resumo rápido: O colesterol total é a soma do colesterol carregado por todas as lipoproteínas do sangue. Ele mostra o volume, não a distribuição: duas pessoas com o mesmo valor podem ter riscos bem diferentes, dependendo de quanto está no LDL e quanto está no HDL.
Seu resultado
InterativoDigite o valor que está no seu laudo para ver onde ele cai na escala. Nada é enviado para lugar nenhum: a conta acontece no seu navegador.
Digite um valor
A Sociedade Brasileira de Cardiologia considera desejável colesterol total abaixo de 190 mg/dL em adultos acima de 20 anos, com ou sem jejum. Estar aqui é um bom sinal, mas não dispensa olhar como o LDL e o HDL estão distribuídos. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.
O que é
O colesterol é uma gordura que o corpo usa para montar membranas celulares, hormônios esteroides, vitamina D e ácidos biliares. A maior parte é produzida pelo próprio fígado. A alimentação entra com uma fração menor do total.
O que o laboratório chama de colesterol total é a soma do colesterol transportado por todas as lipoproteínas do sangue: LDL, HDL, VLDL e as partículas remanescentes. Como é uma soma, o número isolado não diz onde esse colesterol está.
É por isso que o colesterol total raramente é interpretado sozinho. Alguém com colesterol total de 210 mg/dL, HDL de 70 e LDL de 120 tem uma situação diferente de outra pessoa com o mesmo 210, HDL de 35 e LDL de 160. O perfil lipídico completo existe justamente para separar esses dois cenários.
Nas últimas diretrizes, o peso do colesterol total como alvo isolado diminuiu. Ele continua útil como triagem inicial e como componente dos escores de risco cardiovascular, mas quem manda na conduta é o LDL e, em algumas situações, o colesterol não HDL.
Para que serve
Triagem inicial de dislipidemia
É o primeiro número que aparece no perfil lipídico e costuma ser o que dispara a investigação mais detalhada quando vem alterado.
Calcular o risco cardiovascular
Os escores de risco usados no Brasil e no exterior pedem colesterol total e HDL para estimar a chance de infarto ou AVC nos próximos anos.
Obter o colesterol não HDL
Subtrair o HDL do colesterol total dá o colesterol não HDL, que reúne todas as partículas ligadas à formação de placa e é útil quando os triglicerídeos estão altos.
Acompanhar mudanças de hábito e tratamento
Repetido depois de alguns meses, mostra se a alteração alimentar, a atividade física ou o tratamento em curso mudaram o perfil.
Rastrear casos familiares
Quando há história de colesterol muito alto ou de infarto precoce na família, o rastreio pode começar cedo, ainda na infância, para identificar hipercolesterolemia familiar.
Como é feito e preparo
Coleta
Uma amostra de sangue venoso, quase sempre do braço. É a mesma punção usada para o restante do perfil lipídico, então tudo sai de um único tubo.
Preparo
Desde 2016 o consenso brasileiro sobre a determinação laboratorial do perfil lipídico dispensa o jejum obrigatório para a avaliação de rotina. O colesterol total varia pouco depois de comer. Se o pedido incluir triglicerídeos e o médico quiser a coleta em jejum, siga a orientação dele. Evite álcool nas 24 horas anteriores e não faça o exame durante ou logo depois de uma infecção, porque o quadro agudo derruba os valores por semanas.
Metodologia habitual: Método enzimático colorimétrico automatizado.
Valores de referência
- Adequado
- Limítrofe
- Alto
Deslize a tabela para o lado
| Perfil | Faixa habitual |
|---|---|
| Adultos acima de 20 anos Valor desejável pela SBC, válido com ou sem jejum | abaixo de 190 mg/dL |
| Crianças e adolescentes de 2 a 19 anos Entre 170 e 199 mg/dL a referência pediátrica considera limítrofe | abaixo de 170 mg/dL |
| Colesterol não HDL Calculado como colesterol total menos HDL | meta 30 mg/dL acima da meta de LDL do seu perfil de risco |
| Pessoas já em tratamento para dislipidemia A meta do tratamento é definida pelo LDL, não pela soma | não existe alvo de colesterol total |
As faixas mudam conforme laboratório, metodologia, idade e contexto clínico. Use a referência impressa no seu laudo como parâmetro. E lembre que a faixa de referência de um laudo descreve a população geral, não a meta individual de quem já tem risco cardiovascular estabelecido.
Dentro do desejável
A Sociedade Brasileira de Cardiologia considera desejável colesterol total abaixo de 190 mg/dL em adultos acima de 20 anos, com ou sem jejum. Estar aqui é um bom sinal, mas não dispensa olhar como o LDL e o HDL estão distribuídos.
Acima do desejável
Faixa em que o resultado ultrapassa o desejável brasileiro sem chegar ao ponto que as referências internacionais classificam como alto, que fica em 240 mg/dL. O peso desse número depende de quanto vem do LDL, de como está o HDL e do seu risco cardiovascular global.
Alto
Valor considerado alto em praticamente todas as referências. Costuma motivar perfil lipídico completo, cálculo do risco cardiovascular e busca por causas secundárias, como hipotireoidismo, diabetes descompensado e doença renal. Colesterol total acima de 310 mg/dL em adulto sem tratamento entra nos critérios de suspeita de hipercolesterolemia familiar.
Resultado alto e resultado baixo
Resultado alto
Colesterol total alto quer dizer que existe mais colesterol circulando do que o desejável, sem informar em qual lipoproteína ele está. A leitura útil vem do perfil completo: LDL alto tem um significado, HDL alto puxando a soma para cima tem outro. Um valor isolado também pode refletir uma condição não cardiológica, como tireoide ou rim.
- Predisposição genética, incluindo hipercolesterolemia familiar
- Alimentação com muita gordura saturada e gordura trans
- Hipotireoidismo não tratado
- Diabetes descompensado e resistência à insulina
- Doença renal crônica e síndrome nefrótica
- Colestase e outras doenças do fígado
- Gestação, principalmente no terceiro trimestre
- Medicamentos como corticoides, diuréticos tiazídicos, isotretinoína e alguns antirretrovirais
Resultado baixo
Colesterol total baixo raramente é o motivo da consulta e, na maioria das vezes, aparece em quem já trata dislipidemia. Quando surge sem tratamento e sem explicação clara, costuma ser reflexo de outra condição, não uma doença por si só.
- Uso de estatina ou outro medicamento para baixar colesterol
- Hipertireoidismo
- Desnutrição ou ingestão calórica muito baixa
- Má absorção intestinal, como na doença celíaca
- Doença hepática avançada
- Infecção grave, cirurgia recente ou inflamação prolongada
- Causas genéticas raras, como a hipobetalipoproteinemia
O que pode interferir no resultado
- Infecção, cirurgia ou infarto nas últimas semanas, que derrubam o colesterol temporariamente
- Hipotireoidismo não tratado
- Gestação
- Perda de peso rápida ou dieta muito restritiva nos dias anteriores
- Garrote apertado por muito tempo durante a coleta
- Álcool nas 24 horas anteriores
- Medicamentos como corticoides, diuréticos tiazídicos, betabloqueadores, isotretinoína e anticoncepcionais
- Variação biológica normal, que pode chegar a 10% entre duas coletas da mesma pessoa
Quando procurar ajuda
Leve o resultado ao médico sempre que o colesterol total estiver fora da faixa do seu laudo, mesmo sem sintoma nenhum. Colesterol alterado não dói e não dá sinal, por isso a decisão vem do número somado ao seu risco global. Procure avaliação com mais prioridade se você tem diabetes, pressão alta, doença renal, história de infarto ou AVC na família antes dos 55 anos nos homens e dos 65 nas mulheres, ou se o colesterol total passou de 310 mg/dL sem estar em tratamento. Dor no peito, falta de ar aos esforços ou dor nas pernas ao caminhar são queixas que precisam de avaliação imediata, independentemente do valor do exame.
Perguntas para levar à consulta
- Considerando meu histórico e meus outros exames, qual é o meu risco cardiovascular?
- Meu colesterol total alto vem principalmente do LDL ou do HDL?
- Vale investigar alguma causa secundária, como tireoide ou rim?
- Alguém da minha família deveria fazer esse exame também?
- Em quanto tempo devo repetir o perfil lipídico?
Perguntas frequentes
Colesterol total 220 é grave?
Isoladamente, não. O valor está acima do desejável brasileiro, que é 190 mg/dL, e abaixo do que as referências chamam de alto, que é 240 mg/dL. O que define a conduta é a distribuição: se boa parte desses 220 vier do HDL, o quadro é diferente de um caso com LDL de 160. O médico soma esse número ao seu risco cardiovascular global antes de decidir qualquer coisa.
Qual é o valor normal de colesterol total?
A Sociedade Brasileira de Cardiologia considera desejável abaixo de 190 mg/dL para adultos acima de 20 anos, com ou sem jejum. Referências internacionais usam com frequência abaixo de 200 mg/dL como desejável, 200 a 239 como limítrofe e 240 ou mais como alto. Para crianças e adolescentes a referência é abaixo de 170 mg/dL.
Colesterol total alto com HDL alto é problema?
Depende do que sobra depois de descontar o HDL. Se o colesterol total está em 230 e o HDL em 80, o colesterol não HDL fica em 150, um número diferente do de quem tem HDL de 40 no mesmo total. Essa conta, colesterol total menos HDL, é a que costuma responder melhor a essa dúvida do que o valor bruto.
Preciso estar em jejum para medir o colesterol?
Para a avaliação de rotina, não. O consenso brasileiro de 2016 sobre perfil lipídico aceita a coleta sem jejum, e o colesterol total varia pouco com a refeição. O jejum continua sendo pedido em casos específicos, quase sempre ligados a triglicerídeos altos. Confirme com o laboratório antes de ir.
Colesterol total 260 precisa de remédio?
Não dá para responder pelo número. A decisão sobre tratamento medicamentoso leva em conta o LDL, a idade, a pressão, o diabetes, o tabagismo, a história familiar e a presença de doença cardiovascular já estabelecida. Duas pessoas com o mesmo 260 podem receber condutas opostas. Essa avaliação é feita em consulta.
Colesterol total baixo é ruim?
Na maior parte das vezes, não. Valores baixos costumam aparecer em quem toma medicamento para colesterol, e isso é o efeito esperado. Quando o valor cai muito sem tratamento e sem explicação, a investigação costuma olhar para tireoide, absorção intestinal, fígado e estado nutricional.
Em quanto tempo o colesterol muda depois que eu mudo a alimentação?
As diretrizes costumam repetir o perfil lipídico depois de cerca de três meses de mudança consistente de hábitos, porque é o intervalo em que o efeito já aparece de forma confiável. Alterações pontuais na véspera do exame não mudam o colesterol total de maneira relevante.
Ovo aumenta o colesterol?
Menos do que se imaginava. O colesterol da dieta tem impacto modesto no colesterol do sangue na maioria das pessoas, e a resposta varia bastante de indivíduo para indivíduo. As diretrizes atuais dão mais peso à redução de gordura saturada e gordura trans do que à contagem de colesterol alimentar.
Fontes e revisão
- Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Sociedade Brasileira de Cardiologia, Arquivos Brasileiros de Cardiologia , 2017.
- I Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico. Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e Sociedade Brasileira de Cardiologia , 2016.
- 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias: lipid modification to reduce cardiovascular risk. European Society of Cardiology e European Atherosclerosis Society , 2019.
- 2018 AHA/ACC Guideline on the Management of Blood Cholesterol. American Heart Association e American College of Cardiology , 2018.
Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame
Revisão por profissional de saúde ainda não concluída para esta página. Enquanto isso, o texto segue a política editorial e lista as fontes usadas acima.
Última revisão: