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Exames de sangue Perfil lipídico LDL-c

LDL colesterol

Resumo rápido: O LDL transporta colesterol para os tecidos e é a partícula que se acumula na parede das artérias. Ao contrário dos outros exames, ele não tem faixa normal universal: tem meta, e a meta muda conforme o risco cardiovascular de cada pessoa, de menos de 130 a menos de 50 mg/dL.

Material
Sangue venoso
Jejum
Em geral não exige
Última revisão

Seu resultado

Interativo

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mg/dL
30 250 mg/dL

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Abaixo de 70 mg/dL o valor cumpre a meta de quem tem risco baixo, intermediário e alto. Só continua acima da meta para quem tem risco muito alto, cujo alvo na diretriz brasileira é menos de 50 mg/dL. LDL nessa faixa em quem não usa medicamento é comum e não é motivo de preocupação por si só. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.

O que é

LDL é a sigla de lipoproteína de baixa densidade. O exame mede o colesterol transportado por ela, e é esse número que aparece no laudo como LDL colesterol.

Essa partícula leva colesterol do fígado para os tecidos. Parte dela atravessa a camada interna das artérias e fica retida ali. O colesterol retido oxida, atrai células de defesa e dá início à placa de aterosclerose. A relação com doença cardiovascular é causal e cumulativa: quanto mais LDL circulando e por mais tempo, maior o risco.

Na maioria dos laudos brasileiros o LDL não é medido, é calculado. A fórmula de Friedewald subtrai do colesterol total o HDL e um quinto dos triglicerídeos. Ela perde precisão quando os triglicerídeos passam de 400 mg/dL e subestima o resultado quando o LDL está muito baixo. Nessas situações os laboratórios recorrem à equação de Martin e Hopkins ou à dosagem direta.

O ponto que mais confunde quem lê o próprio laudo: o LDL não tem um valor normal universal. O intervalo impresso ao lado do resultado descreve a distribuição da população geral. A referência que importa para você é a meta definida pelo seu risco cardiovascular, e ela pode ser bem mais baixa do que o número do laudo sugere.

Para que serve

Estimar o risco de aterosclerose

É o componente do perfil lipídico com relação causal mais bem estabelecida com infarto e AVC isquêmico.

Definir e acompanhar a meta terapêutica

Toda decisão de tratar dislipidemia e todo controle depois do início do tratamento giram em torno do LDL, não do colesterol total.

Rastrear hipercolesterolemia familiar

LDL igual ou acima de 190 mg/dL em adulto sem tratamento levanta a suspeita e costuma motivar a investigação dos parentes de primeiro grau.

Medir a resposta ao tratamento

As diretrizes brasileira e europeia pedem, em quem tem risco alto ou muito alto, redução de pelo menos 50% em relação ao valor de partida, além de atingir o número absoluto.

Como é feito e preparo

Coleta

Uma amostra de sangue venoso do braço, na mesma punção do restante do perfil lipídico. Quando o laboratório faz dosagem direta em vez de cálculo, a coleta é a mesma.

Preparo

Para a rotina, o jejum não é obrigatório desde o consenso brasileiro de 2016. Há uma ressalva prática: se o LDL for calculado pela fórmula de Friedewald e os triglicerídeos estiverem altos depois da refeição, o valor calculado sai distorcido. Por isso, quando os triglicerídeos costumam passar de 400 mg/dL, o jejum de 12 horas ainda é pedido. Evite álcool nas 24 horas anteriores.

Metodologia habitual: Cálculo pela fórmula de Friedewald ou pela equação de Martin e Hopkins na maioria dos laboratórios; dosagem direta por método homogêneo quando o cálculo não se aplica.

Valores de referência

30 250 mg/dL
  • Adequado
  • Limítrofe
  • Alto

Deslize a tabela para o lado

Perfil Faixa habitual
Risco cardiovascular baixo Meta da diretriz brasileira de dislipidemias meta abaixo de 130 mg/dL
Risco cardiovascular intermediário Meta da diretriz brasileira de dislipidemias meta abaixo de 100 mg/dL
Risco cardiovascular alto Com redução de pelo menos 50% em relação ao valor inicial meta abaixo de 70 mg/dL
Risco cardiovascular muito alto Inclui quem já teve infarto, AVC isquêmico ou tem doença aterosclerótica documentada meta abaixo de 50 mg/dL
Diretriz europeia, risco muito alto A ESC e a EAS usam 55 mg/dL onde a diretriz brasileira usa 50, um exemplo de que os limiares não são idênticos entre sociedades meta abaixo de 55 mg/dL
Suspeita de hipercolesterolemia familiar Em crianças e adolescentes o limiar de suspeita é mais baixo 190 mg/dL ou mais em adulto sem tratamento

Este é o exame em que a faixa impressa no laudo mais engana. Esse intervalo descreve a população geral e não é a sua meta. A meta individual é definida pela estratificação de risco cardiovascular feita em consulta, considerando idade, pressão, diabetes, tabagismo, função renal, história familiar e presença de doença aterosclerótica. Os limiares também variam entre sociedades médicas e mudam a cada atualização de diretriz, o que explica por que dois médicos podem citar números um pouco diferentes.

Dentro da meta em quase todos os perfis

Abaixo de 70 mg/dL o valor cumpre a meta de quem tem risco baixo, intermediário e alto. Só continua acima da meta para quem tem risco muito alto, cujo alvo na diretriz brasileira é menos de 50 mg/dL. LDL nessa faixa em quem não usa medicamento é comum e não é motivo de preocupação por si só.

Depende do seu risco cardiovascular

É aqui que a leitura muda de pessoa para pessoa. Quem tem risco cardiovascular baixo tem meta abaixo de 130 mg/dL e está dentro dela. Quem já teve infarto tem meta abaixo de 50 mg/dL e está bem acima. O mesmo número, duas conclusões opostas. Sem saber o seu risco, não dá para dizer se esse valor está bom.

Acima da meta em qualquer perfil

Acima de 130 mg/dL o valor ultrapassa a meta até de quem tem risco baixo, e por isso costuma pedir avaliação independentemente do restante. LDL igual ou acima de 190 mg/dL em adulto sem tratamento levanta a hipótese de hipercolesterolemia familiar, uma condição genética frequente e subdiagnosticada, que costuma motivar o rastreio dos parentes próximos.

Resultado alto e resultado baixo

Resultado alto

LDL alto significa mais partículas circulando disponíveis para se depositar na parede arterial. Antes de qualquer conclusão, vale checar duas coisas: se o valor foi calculado com triglicerídeos muito altos, o que distorce o resultado, e se existe alguma causa secundária tratável por trás. Um LDL igual ou acima de 190 mg/dL sem tratamento muda o roteiro, porque coloca a hipercolesterolemia familiar na mesa.

  • Predisposição genética, incluindo hipercolesterolemia familiar
  • Alimentação rica em gordura saturada e gordura trans
  • Hipotireoidismo não tratado
  • Doença renal crônica e síndrome nefrótica
  • Colestase e doenças hepáticas com obstrução biliar
  • Diabetes descompensado
  • Gestação, principalmente no terceiro trimestre
  • Medicamentos como corticoides, diuréticos tiazídicos, ciclosporina e isotretinoína
  • Interrupção recente do tratamento hipolipemiante

Resultado baixo

LDL baixo não costuma ser um problema. Em quem faz tratamento, é exatamente o resultado esperado, e as diretrizes não estabelecem um piso abaixo do qual o valor seria perigoso. Quando aparece em alguém sem tratamento e sem explicação, a investigação olha para tireoide, fígado, absorção intestinal e estado nutricional.

  • Uso de estatina, ezetimiba ou inibidor de PCSK9
  • Hipertireoidismo
  • Doença hepática avançada
  • Desnutrição e má absorção intestinal
  • Infecção grave, cirurgia ou inflamação prolongada
  • Causas genéticas raras, como a hipobetalipoproteinemia familiar

O que pode interferir no resultado

  • Triglicerídeos acima de 400 mg/dL, que invalidam o cálculo pela fórmula de Friedewald
  • Coleta sem jejum quando o LDL é calculado e os triglicerídeos sobem muito depois de comer
  • Infecção, cirurgia ou infarto nas últimas semanas, que reduzem o LDL temporariamente
  • Hipotireoidismo não tratado
  • Gestação
  • Interrupção ou início recente de medicamento para colesterol
  • Perda de peso rápida em curso
  • Variação biológica normal entre duas coletas da mesma pessoa

Quando procurar ajuda

Leve o resultado ao médico sempre que o LDL vier alterado, porque o significado do número depende de uma estratificação de risco que não dá para fazer sozinho em casa. Procure avaliação com prioridade se o LDL passou de 190 mg/dL sem tratamento, se há infarto, AVC ou morte súbita na família antes dos 55 anos nos homens e dos 65 nas mulheres, ou se você tem diabetes, doença renal crônica ou já teve um evento cardiovascular. Quem já faz tratamento e viu o LDL subir também deve reavaliar, porque o alvo terapêutico pode ter deixado de ser alcançado. Dor no peito, falta de ar aos esforços ou dor nas panturrilhas ao caminhar pedem avaliação imediata.

Perguntas para levar à consulta

  1. Qual é a minha meta de LDL, considerando o meu risco cardiovascular?
  2. Meu LDL foi calculado ou dosado diretamente neste laudo?
  3. Vale investigar hipercolesterolemia familiar no meu caso e no da minha família?
  4. Existe alguma causa secundária, como tireoide ou rim, que deveria ser checada?
  5. De quanto em quanto tempo devo repetir o exame para acompanhar a meta?

Perguntas frequentes

LDL 130 é alto?

Depende de quem você é. Para uma pessoa jovem, sem diabetes, sem pressão alta e sem história familiar, 130 fica no limite da meta de risco baixo. Para quem já teve infarto, cuja meta brasileira é abaixo de 50 mg/dL, o mesmo 130 está muito acima. O LDL é o exame em que a mesma cifra recebe leituras opostas conforme o contexto.

Qual é o valor normal de LDL?

Não existe um valor normal único, e essa é a informação mais importante da página. A diretriz brasileira de dislipidemias trabalha com metas por faixa de risco: abaixo de 130 mg/dL no risco baixo, abaixo de 100 no intermediário, abaixo de 70 no alto e abaixo de 50 no muito alto. A faixa impressa no laudo descreve a população geral, não a sua meta.

Meu laudo diz LDL até 130. Isso vale para mim?

Vale como referência populacional, não como alvo pessoal. O laboratório imprime o mesmo intervalo para todo mundo porque não conhece o seu histórico. Se você tem diabetes, doença renal, hipertensão ou já teve um evento cardiovascular, a sua meta é mais baixa do que esse número, e só a estratificação de risco em consulta define qual é.

LDL 160 precisa de remédio?

Não dá para responder pelo valor isolado. A decisão pesa idade, pressão, glicemia, tabagismo, função renal, história familiar e presença de doença aterosclerótica, além do próprio LDL. Há quem receba tratamento com 130 e quem comece com mudança de hábitos e reavaliação em 160. Essa escolha é feita em consulta.

LDL 190 significa hipercolesterolemia familiar?

Levanta a suspeita, sem confirmar. Um LDL igual ou acima de 190 mg/dL em adulto sem tratamento é um dos critérios que fazem pensar nessa condição genética, principalmente quando há infarto precoce na família ou depósitos de gordura em tendões e pálpebras. A confirmação usa critérios clínicos estruturados, exames dos parentes de primeiro grau e, em alguns casos, teste genético.

LDL calculado e LDL direto dão o mesmo valor?

Costumam ficar próximos, mas divergem em duas situações. Com triglicerídeos acima de 400 mg/dL, a fórmula de Friedewald deixa de ser confiável. E com LDL muito baixo, abaixo de 70 mg/dL, a fórmula tende a subestimar o resultado. É por isso que muitos laboratórios passaram a usar a equação de Martin e Hopkins ou a dosagem direta nesses cenários.

LDL muito baixo faz mal?

As diretrizes não definem um piso de segurança para o LDL, e pessoas com variantes genéticas que mantêm o LDL naturalmente baixo a vida toda não apresentam prejuízo demonstrado. Quando o valor cai muito em alguém que não faz tratamento, a investigação costuma procurar a causa, como hipertireoidismo ou má absorção, mais do que tratar o número em si.

Em quanto tempo o LDL cai com mudança de alimentação?

As diretrizes costumam reavaliar o perfil lipídico depois de cerca de três meses de mudança consistente de hábitos. A redução obtida só com alimentação e exercício varia bastante entre pessoas e raramente alcança o efeito de um tratamento medicamentoso, o que não a torna dispensável, já que ela age também sobre pressão, glicemia e peso.

Fontes e revisão

  1. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Sociedade Brasileira de Cardiologia, Arquivos Brasileiros de Cardiologia , 2017.
  2. Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Sociedade Brasileira de Cardiologia, Arquivos Brasileiros de Cardiologia , 2019.
  3. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias: lipid modification to reduce cardiovascular risk. European Society of Cardiology e European Atherosclerosis Society , 2019.
  4. 2018 AHA/ACC Guideline on the Management of Blood Cholesterol. American Heart Association e American College of Cardiology , 2018.

Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame

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