HDL colesterol
Resumo rápido: O HDL é a lipoproteína que retira colesterol dos tecidos e o devolve ao fígado. Neste exame a direção se inverte: quem chama atenção é o valor baixo, abaixo de 40 mg/dL, e não o alto. Ele é lido como marcador de risco, não como alvo de tratamento.
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Faixa considerada favorável para homens e mulheres. Uma ressalva: valores muito altos deixaram de ser lidos como proteção proporcional. Coortes grandes encontraram uma relação em U, com mais mortalidade também nas pontas extremas da distribuição, bem acima de 80 mg/dL. A explicação ainda está em discussão, e um HDL muito alto isolado não é motivo de alarme. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.
O que é
HDL é a sigla de lipoproteína de alta densidade. O exame não mede a partícula inteira, mede o colesterol que ela carrega, e daí vem o nome completo HDL colesterol.
Essa partícula faz o caminho contrário do LDL. Ela recolhe colesterol dos tecidos e da parede das artérias e devolve ao fígado, num processo chamado transporte reverso do colesterol. Também tem ação antioxidante e anti-inflamatória sobre o endotélio.
O apelido de colesterol bom nasceu de estudos populacionais antigos, que encontraram menos infartos em quem tinha HDL alto. A leitura mudou desde então. Medicamentos desenvolvidos justamente para elevar o HDL não reduziram infarto nem morte nos ensaios clínicos, e estudos genéticos não sustentam uma relação causal direta. Hoje o HDL é entendido como um sinalizador do estado metabólico, útil para estimar risco, e não como um número a ser perseguido com tratamento.
Isso não tira sua utilidade prática. HDL baixo continua sendo um dos achados mais consistentes da dislipidemia associada à obesidade abdominal e à resistência à insulina, e entra nos critérios de síndrome metabólica.
Para que serve
Estimar risco cardiovascular
Os escores de risco usados no Brasil e no exterior pedem o HDL junto do colesterol total para calcular a chance de eventos nos próximos anos.
Identificar síndrome metabólica
HDL abaixo de 40 mg/dL em homens e de 50 mg/dL em mulheres é um dos cinco critérios que definem a síndrome metabólica.
Permitir o cálculo do LDL e do não HDL
A fórmula de Friedewald e o colesterol não HDL dependem do valor de HDL, então ele é medido em todo perfil lipídico.
Acompanhar o efeito de mudanças de hábito
Atividade física regular, perda de peso e parar de fumar são as intervenções com efeito mais consistente sobre o HDL ao longo dos meses.
Como é feito e preparo
Coleta
Uma amostra de sangue venoso, geralmente do braço, na mesma punção que fornece o restante do perfil lipídico.
Preparo
Não exige jejum para a avaliação de rotina. O HDL quase não muda com a última refeição. Vale evitar álcool nas 24 horas anteriores, porque a bebida eleva o HDL de forma transitória, e não fazer o exame durante ou logo depois de uma infecção ou cirurgia, que derrubam o valor por semanas.
Metodologia habitual: Método enzimático colorimétrico homogêneo, com medição direta.
Valores de referência
- Baixo
- Limítrofe
- Adequado
Deslize a tabela para o lado
| Perfil | Faixa habitual |
|---|---|
| Homens adultos Valor desejável pela SBC, com ou sem jejum | acima de 40 mg/dL |
| Mulheres adultas Muitas referências e laudos usam 50 mg/dL como corte para mulheres | acima de 40 mg/dL |
| Crianças e adolescentes Entre 40 e 45 mg/dL a referência pediátrica considera limítrofe | acima de 45 mg/dL |
| Critério de síndrome metabólica Conta como um dos cinco critérios, junto de cintura, triglicerídeos, glicemia e pressão | abaixo de 40 mg/dL em homens e abaixo de 50 mg/dL em mulheres |
As faixas variam conforme laboratório, metodologia, sexo e idade. Use a referência impressa no seu laudo. E leia o HDL sempre junto do resto do perfil lipídico: um HDL de 45 significa uma coisa quando os triglicerídeos estão em 90 e outra bem diferente quando estão em 300.
HDL baixo
Abaixo de 40 mg/dL é o ponto de corte que a Sociedade Brasileira de Cardiologia e as diretrizes internacionais usam para HDL baixo em adultos dos dois sexos. Neste exame o valor baixo é o desfavorável, ao contrário do que acontece com colesterol total, LDL e triglicerídeos. Costuma vir acompanhado de triglicerídeos altos e cintura aumentada.
Limítrofe
Acima do corte geral de 40 mg/dL, mas abaixo dos 50 mg/dL que várias referências aplicam às mulheres. Nos critérios de síndrome metabólica, HDL abaixo de 50 mg/dL em mulher já conta como alterado. Para homens, esta faixa está tecnicamente dentro do desejável, ainda que na parte baixa.
Dentro do desejável
Faixa considerada favorável para homens e mulheres. Uma ressalva: valores muito altos deixaram de ser lidos como proteção proporcional. Coortes grandes encontraram uma relação em U, com mais mortalidade também nas pontas extremas da distribuição, bem acima de 80 mg/dL. A explicação ainda está em discussão, e um HDL muito alto isolado não é motivo de alarme.
Resultado alto e resultado baixo
Resultado alto
HDL alto costuma ser lido como sinal favorável, e na maioria das vezes é isso mesmo. O que mudou nos últimos anos foi a expectativa de que quanto mais alto, melhor. Valores muito acima da média, sobretudo os que passam de 80 a 90 mg/dL, não trazem proteção adicional demonstrada e às vezes indicam apenas uma variação genética no metabolismo dessas partículas.
- Prática regular de exercício aeróbico
- Consumo de álcool, que eleva o HDL mesmo em quantidades moderadas
- Uso de estrogênio e terapia hormonal
- Variações genéticas, como a deficiência da proteína CETP
- Perda de peso e interrupção do tabagismo
- Uso de fibratos ou de niacina
Resultado baixo
É o resultado que chama atenção neste exame. HDL baixo raramente aparece sozinho: costuma vir junto de triglicerídeos altos, cintura aumentada e glicemia no limite, o conjunto conhecido como dislipidemia aterogênica. Nesse contexto, ele funciona mais como um sinal de que o metabolismo está sobrecarregado do que como um problema isolado a ser corrigido.
- Sedentarismo
- Obesidade, principalmente a gordura abdominal
- Resistência à insulina e diabetes tipo 2
- Triglicerídeos persistentemente altos
- Tabagismo
- Dieta muito pobre em gordura e rica em carboidrato refinado
- Medicamentos como anabolizantes, testosterona, alguns betabloqueadores e progestágenos
- Causas genéticas, da hipoalfalipoproteinemia familiar à rara doença de Tangier
O que pode interferir no resultado
- Infecção, cirurgia ou infarto nas últimas semanas, que reduzem o HDL de forma transitória
- Álcool nos dias anteriores à coleta, que eleva o valor
- Uso de anabolizantes ou de testosterona, que reduz bastante o HDL
- Gestação, que eleva o HDL
- Triglicerídeos muito altos, que atrapalham a dosagem em alguns métodos
- Perda de peso rápida em curso
- Tabagismo
- Anticoncepcional oral e terapia hormonal
Quando procurar ajuda
Leve o resultado ao médico quando o HDL estiver abaixo da faixa do seu laudo, principalmente se vier acompanhado de triglicerídeos acima de 150 mg/dL, cintura aumentada, glicemia no limite ou pressão alta. Esse conjunto costuma pedir avaliação metabólica completa e não apenas atenção ao colesterol. HDL baixo em pessoa magra, jovem e ativa, ou HDL muito baixo em toda a família, merece investigação de causa genética. Não espere sintoma: nem HDL baixo nem colesterol alto produzem sinal perceptível antes de um evento.
Perguntas para levar à consulta
- Meu HDL baixo aparece junto de outros sinais de síndrome metabólica?
- Qual o peso desse valor no cálculo do meu risco cardiovascular?
- Algum medicamento que eu uso pode estar reduzindo o meu HDL?
- Faz sentido investigar uma causa genética no meu caso?
- Em quanto tempo devo repetir o perfil lipídico?
Perguntas frequentes
HDL 38 é baixo?
Sim. Tanto a Sociedade Brasileira de Cardiologia quanto as diretrizes internacionais usam 40 mg/dL como corte inferior para adultos, então 38 fica abaixo do desejável para homens e mulheres. O valor sozinho não define conduta: o médico costuma olhar triglicerídeos, cintura, glicemia e pressão junto, porque esses achados costumam andar em grupo.
Qual o valor ideal de HDL para mulheres?
O corte geral da SBC é acima de 40 mg/dL para os dois sexos, mas muitas referências e laudos brasileiros usam 50 mg/dL para mulheres. É esse valor de 50 que entra nos critérios de síndrome metabólica na população feminina. Confira qual dos dois o seu laudo adotou.
HDL alto protege o coração?
A associação existe nos estudos populacionais, mas a relação de causa não se confirmou. Medicamentos criados para elevar o HDL aumentaram o número no exame e não reduziram infarto nem morte nos ensaios clínicos. Por isso o HDL hoje é usado para estimar risco, e não como alvo de tratamento.
HDL 90 é bom?
Está bem acima do desejável e, na prática, costuma ser um achado tranquilo. Vale saber que a ideia de quanto mais alto melhor não se sustenta: coortes grandes mostraram uma curva em U, com aumento de mortalidade nas pontas muito altas. Um valor nessa faixa não pede investigação por si só, principalmente se você bebe álcool com frequência ou usa terapia hormonal, que elevam o HDL.
HDL baixo com LDL normal, o que significa?
Costuma apontar para o lado metabólico, e não para o colesterol em si. Essa combinação aparece com frequência em quem tem gordura abdominal, sedentarismo ou resistência à insulina, sobretudo quando os triglicerídeos também estão altos. A investigação nesses casos costuma incluir glicemia, hemoglobina glicada e medida da circunferência abdominal.
HDL baixo tem remédio?
Não existe medicamento aprovado com a finalidade principal de elevar o HDL, justamente porque os ensaios que testaram essa estratégia não reduziram eventos cardiovasculares. O que se faz é tratar o conjunto: LDL, triglicerídeos, peso, glicemia e pressão. Qualquer conduta é definida em consulta.
Como aumentar o HDL naturalmente?
As medidas com efeito mais consistente nos estudos são exercício aeróbico regular, perda de peso quando há excesso e parar de fumar. O álcool eleva o HDL, mas não é recomendado como estratégia, porque traz outros riscos. Vale lembrar que elevar o número não equivale, por si, a reduzir o risco cardiovascular.
Preciso de jejum para dosar o HDL?
Para a rotina, não. O HDL varia muito pouco com a refeição e o consenso brasileiro de 2016 aceita a coleta sem jejum para o perfil lipídico. Se o pedido incluir triglicerídeos e o médico quiser jejum de 12 horas, siga a orientação dele.
Fontes e revisão
- Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Sociedade Brasileira de Cardiologia, Arquivos Brasileiros de Cardiologia , 2017.
- 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias: lipid modification to reduce cardiovascular risk. European Society of Cardiology e European Atherosclerosis Society , 2019.
- Third Report of the Expert Panel on Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Cholesterol in Adults (ATP III). National Cholesterol Education Program, National Heart, Lung, and Blood Institute , 2002.
- 2018 AHA/ACC Guideline on the Management of Blood Cholesterol. American Heart Association e American College of Cardiology , 2018.
Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame
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