T3
Resumo rápido: O T3 é a forma mais ativa do hormônio tireoidiano, produzida em boa parte fora da tireoide, a partir do T4. É útil em situações específicas, principalmente no hipertireoidismo, e enganoso quando pedido sozinho.
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Faixa esperada para a maioria dos adultos. O T3 se mantém normal na maior parte dos casos de hipotireoidismo, então um valor aqui não descarta problema na tireoide. Estar dentro da faixa não quer dizer que o resultado seja adequado para toda situação: idade, sintomas, histórico e outros exames também entram na leitura.
O que é
A triiodotironina, ou T3, é a forma do hormônio tireoidiano que se liga aos receptores dentro das células. A tireoide produz só uma fração dela. A maior parte do T3 do corpo nasce da conversão do T4 em outros tecidos, principalmente fígado e rim, por enzimas chamadas deiodinases.
Existem duas dosagens no mercado. O T3 total mede tudo que circula, ligado às proteínas transportadoras e livre. O T3 livre mede apenas a fração solta. Os dois costumam ser reportados em unidades diferentes: o total em ng/dL, o livre em pg/mL. Confundir uma com a outra é erro comum na leitura do laudo.
A conversão de T4 em T3 é regulada e muda conforme a situação do organismo. Em jejum prolongado, doença grave, cirurgia e desnutrição, o corpo reduz essa conversão de propósito e desvia o T4 para uma forma inativa, o T3 reverso. Esse mecanismo economiza energia e faz o T3 despencar sem que exista doença da tireoide.
É por isso que o T3 raramente ajuda quando pedido isolado. Ele cai por motivos que não têm relação com a glândula e, no hipotireoidismo, costuma se manter normal até fases avançadas, porque o organismo prioriza a produção de T3 justamente quando falta hormônio.
Para que serve
Confirmar e medir hipertireoidismo
Quando o TSH está suprimido, o T3 mostra a intensidade do excesso hormonal e é usado no acompanhamento do tratamento.
Identificar a tireotoxicose por T3
Existe uma forma de hipertireoidismo em que o TSH está suprimido e o T4 livre segue normal, com apenas o T3 elevado. Sem essa dosagem, o quadro passa despercebido.
Avaliar nódulos com produção autônoma
Nódulos que produzem hormônio por conta própria com frequência elevam o T3 antes do T4.
Interpretar exames alterados em pessoas internadas
Em doença grave, o T3 baixo com TSH normal ou pouco alterado faz parte da síndrome do eutireoideo doente e não indica tireoide doente.
Como é feito e preparo
Coleta
Sangue venoso do braço, geralmente junto com TSH e T4 livre.
Preparo
Não costuma exigir jejum. Informe uso de levotiroxina, de liotironina, de amiodarona e de biotina, porque todos interferem. Se você esteve internado ou passou por cirurgia nas últimas semanas, avise: o resultado pode refletir a doença, não a tireoide.
Metodologia habitual: Imunoensaio por quimioluminescência. O T3 livre tem desempenho menos consistente entre métodos que o T3 total, e as duas dosagens não são intercambiáveis.
Valores de referência
- Baixo
- Limítrofe
- Adequado
- Limítrofe
- Alto
Deslize a tabela para o lado
| Perfil | Faixa habitual |
|---|---|
| Adultos, T3 total Os limites variam entre laboratórios, algo como 70 a 204 conforme o método | cerca de 80 a 200 ng/dL |
| Adultos, T3 livre Unidade diferente da do medidor desta página; confira qual das duas dosagens está no seu laudo | cerca de 2,3 a 4,2 pg/mL |
| Crianças e adolescentes As faixas caem ao longo do crescimento | valores mais altos que os do adulto |
| Gestantes e usuárias de estrogênio O aumento da proteína transportadora eleva o total sem alterar a fração ativa | T3 total mais alto |
O medidor usa a faixa do T3 total em adultos, de 80 a 200 ng/dL. Se o seu laudo traz T3 livre em pg/mL, os números não são comparáveis com esta escala. Use sempre a referência impressa no laudo, porque método e unidade mudam de um laboratório para outro.
Abaixo da faixa de referência
T3 baixo isolado costuma ter causa fora da tireoide. Doença aguda, internação, jejum prolongado, desnutrição e cirurgia recente reduzem a conversão de T4 em T3. Com TSH e T4 livre normais, esse padrão raramente indica doença tireoidiana.
Limítrofe inferior
Dentro da faixa da maioria dos laudos, na parte baixa. Faz sentido conferir se houve doença recente, restrição alimentar importante ou uso de medicamento que reduz a conversão.
Dentro da faixa de referência
Faixa esperada para a maioria dos adultos. O T3 se mantém normal na maior parte dos casos de hipotireoidismo, então um valor aqui não descarta problema na tireoide.
Limítrofe superior
Ainda dentro da referência de vários laboratórios. Com TSH suprimido, mesmo valores nessa faixa entram na avaliação de excesso hormonal.
Acima da faixa de referência
T3 elevado com TSH suprimido indica excesso de hormônio tireoidiano. Se o T4 livre estiver normal nesse cenário, o quadro é chamado de tireotoxicose por T3. Gravidez e uso de estrogênio elevam o T3 total sem excesso hormonal verdadeiro, porque aumentam a proteína transportadora.
Resultado alto e resultado baixo
Resultado alto
T3 alto quase sempre aparece com TSH suprimido e indica excesso de hormônio tireoidiano. Antes de concluir isso, vale checar duas coisas: se a dosagem é a total, que sobe com estrogênio e gravidez sem excesso real, e se a pessoa usa liotironina, que eleva o T3 diretamente.
- Doença de Graves, principalmente na fase inicial
- Nódulo ou bócio multinodular com produção autônoma
- Tireotoxicose por T3, com T4 livre ainda normal
- Uso de liotironina ou de fórmulas manipuladas com hormônio tireoidiano
- Gestação e uso de estrogênio, que elevam o T3 total pelo aumento da proteína transportadora
- Tireoidite na fase de liberação hormonal
Resultado baixo
T3 baixo é achado frequente e quase sempre inespecífico. Na maior parte das vezes ele reflete doença fora da tireoide: o organismo reduz a conversão de T4 em T3 durante quadros agudos, jejum e estresse metabólico. Esse conjunto é conhecido como síndrome do eutireoideo doente, ou síndrome do T3 baixo, e costuma se resolver sozinho quando a causa de base melhora.
- Doença aguda, internação, sepse e pós-operatório
- Jejum prolongado, restrição calórica intensa e desnutrição
- Insuficiência renal, insuficiência cardíaca e doença hepática crônica
- Uso de corticoide em dose alta, amiodarona, propranolol e contraste iodado
- Hipotireoidismo em fase avançada, quando o T4 já está bem baixo
- Idade avançada, com queda discreta e sem doença associada
O que pode interferir no resultado
- Doença aguda ou internação recente, que derruba o T3 sem doença tireoidiana
- Jejum prolongado e restrição alimentar importante
- Gestação, anticoncepcional e reposição de estrogênio, que elevam o T3 total
- Amiodarona, corticoide em dose alta, propranolol e contraste iodado
- Biotina em suplemento, que distorce imunoensaios
- Confusão entre T3 total em ng/dL e T3 livre em pg/mL na leitura do laudo
- Uso de liotironina ou de fórmulas com hormônio tireoidiano
Quando procurar ajuda
Leve o resultado ao médico junto com o TSH e o T4 livre, porque o T3 isolado diz pouco. Procure avaliação rápida se o T3 estiver alto com palpitação, tremor, perda de peso acelerada, insônia ou falta de ar. Se o T3 veio baixo e você teve internação, cirurgia ou infecção nas últimas semanas, leve essa informação: ela muda a leitura do exame. T3 baixo isolado, com TSH e T4 livre normais, raramente justifica tratamento e costuma pedir repetição fora do período de doença aguda.
Perguntas para levar à consulta
- O meu laudo traz T3 total ou T3 livre?
- Esse T3 deve ser lido junto com quais outros exames?
- Alguma doença recente pode explicar esse valor?
- Vale repetir o exame depois que eu me recuperar do quadro atual?
- Esse resultado muda alguma coisa no meu acompanhamento?
Perguntas frequentes
T3 baixo é hipotireoidismo?
Na maioria das vezes não. O T3 costuma se manter normal no hipotireoidismo até fases avançadas, porque o corpo prioriza a produção dele quando falta hormônio. T3 baixo com TSH e T4 livre normais aponta mais para doença fora da tireoide, jejum prolongado ou uso de medicamentos que reduzem a conversão de T4 em T3.
O que é síndrome do eutireoideo doente?
É a alteração dos exames de tireoide que aparece durante doença grave, internação, cirurgia ou jejum prolongado, sem que a glândula esteja doente. O padrão típico é T3 baixo, T3 reverso alto, TSH normal ou pouco reduzido e T4 livre normal ou levemente baixo. Os valores costumam voltar ao normal quando o quadro de base melhora, e por isso a orientação usual é evitar dosar tireoide durante internação, a não ser com suspeita concreta.
Preciso pedir T3 junto com TSH e T4 livre?
Na rotina, não. O TSH abre a investigação e o T4 livre confirma. O T3 entra quando o TSH está suprimido, quando há suspeita de hipertireoidismo, no acompanhamento desse tratamento e em nódulos com produção autônoma. Fora dessas situações, ele acrescenta pouco e gera resultado difícil de interpretar.
Qual a diferença entre T3 total e T3 livre?
O total mede o hormônio ligado às proteínas transportadoras somado ao livre, e é reportado em ng/dL. O livre mede só a fração ativa, em pg/mL. Gravidez e estrogênio elevam o total sem mudar a fração ativa. Os dois exames não são intercambiáveis e cada um tem referência própria.
T3 alto e TSH baixo, o que quer dizer?
É o padrão de excesso de hormônio tireoidiano. Quando o T4 livre também está alto, o quadro é o hipertireoidismo clássico. Quando o T4 livre segue normal e só o T3 sobe, o achado é chamado de tireotoxicose por T3, que aparece com mais frequência em nódulos autônomos e no início da doença de Graves.
T3 reverso vale a pena dosar?
Fora de pesquisa e de casos hospitalares selecionados, esse exame não tem uso estabelecido na prática clínica. Ele sobe em doença aguda e jejum, junto com a queda do T3, e o resultado costuma apenas confirmar algo que o contexto já indicava.
Precisa de jejum para dosar T3?
Em geral não, mas jejum prolongado reduz de verdade o valor, porque diminui a conversão de T4 em T3. Se você passou muitas horas sem comer antes da coleta, mencione isso ao receber o resultado.
Meu T3 está normal, posso descartar problema de tireoide?
Não. T3 normal convive com hipotireoidismo em curso e não substitui o TSH. Para avaliar a tireoide, o exame de entrada continua sendo o TSH, com o T4 livre quando necessário.
Fontes e revisão
- 2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis. American Thyroid Association , 2016.
- 2014 American Thyroid Association Guidelines for the Diagnosis and Management of Hypothyroidism in Adults. American Thyroid Association , 2014.
- Laboratory Medicine Practice Guidelines: Laboratory Support for the Diagnosis and Monitoring of Thyroid Disease. National Academy of Clinical Biochemistry , 2002.
- Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia , 2013.
Escrito por: Equipe editorial Entenda Meu Exame
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